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O Ceticismo como técnica de auto-defesa
intelectual
© Peter
Huston, Translated with permission
Tradução ao português realizada por Homero
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1.
Como definir o ceticismo?
Ou
“Esta Coisinha Louca
Chamada Ceticismo!”
O que é o
ceticismo? Estando envolvido com o “ceticismo” por bastante tempo, isto é mais
que uma questão abstrata para mim. De fato, como eu gasto grande quantidade de
tempo e esforços com o “ceticismo”, e tenho feito isso por anos, a questão me é
próxima, imediata e importante. Uma vez que o “ceticismo” é basicamente uma
entidade indefinida, muitas vezes é difícil explicar aos outros em que eu estou
envolvido ou porque despender valioso tempo e esforço nisto!
Alguns dias genuinamente não sei, eu mesmo, o que espero conseguir com este vago
esforço chamado “ceticismo”. (E espero, que quando descobrir o que estou
tentando realizar, isto valha todo esforço e energia que despendi!).
Definir o
escopo e o conteúdo do “ismo” chamado “ceticismo”, somente se tornará importante
quando auto-proclamados céticos se tornarem mais conscientes disso. Ceticismo
como uma entidade organizada existe em níveis locais, nacionais e internacionais
e estão crescendo. Há muitos colegas céticos em “grupos céticos”. E na Internet
não há apenas muitos sites céticos, mas também muitas listas de discussão
céticas, webrings céticos (grupos de páginas relacionadas que se
auto-referenciam de modo a formar um “anel” de ligação entre si – Nota do
Tradutor) e muitas salas de chat que recebem encontros em datas e horários
regulares. A despeito de tudo isso, há na realidade pouco consenso sobre o que
termos como “cético” e “ceticismo” significam. Isto é verdadeiro para muitas
pessoas no movimento. Há pouco tempo ouvi alguém descrever uma publicação de
nível nacional cética como “um vai e volta cético”. Embora ela estivesse
contente com este rótulo, fiquei pensando o que exatamente esta frase significa.
Um folclorista (estudioso do folclore) que conheço descreve céticos como “uma
comunidade emergente que luta para se definir”. Se aceitarmos a definição de “um
cético” como “alguém que pratica ou está envolvido com o ceticismo” nós ainda
ficamos com a curiosa necessidade de definir e analisar o que é ceticismo.
Recentemente estive envolvido em uma discussão na Internet sobre “se o ceticismo
deveria ir para o mainstream (corrente principal de pensamento – nota do
tradutor)”. Antes que nós possamos efetivamente ir para o mainstream, penso que
ajudaria se pudéssemos explicar ou definir ceticismo para o mainstream.
Resumindo,
qual o significado atual de “ser cético” ter se tornado um “ismo”? Um adjetivo,
“cético”, agora se tornou um substantivo, “ceticismo”. Quando pessoas se unem
sob a bandeira do ceticismo o que elas esperam conseguir? O que é “ceticismo”?
Para
algumas pessoas ceticismo é:
·
Um modo de
analisar afirmações paranormais. – (por que justo afirmações paranormais?)
·
Um movimento –
(Se é assim, é um movimento sociológico, político, ou que tipo de movimento
exatamente isto é?)
·
Um modo de
defender a ciência – (E isto é realmente defender a ciência, e se é como e do
que se defende?)
·
Para algumas
pessoas “ceticismo” é um modo de defender a sociedade, a academia (sociedade
cientifica – nota do tradutor), a civilização ocidental, a democracia
propriamente dita ou qualquer número de outras coisas boas. – (Ainda bem que
pelo menos alguém defende essas coisas!)
·
Para algumas
pessoas ceticismo é o CSICOP, (o Comitê para a Investigação Cientifica de
Alegações Paranormais) ou talvez o CSICOP e vários grupos locais ou outras
entidades politicamente ou formalmente organizadas. – (Bem, eles começaram isso
tudo. Eu tenho de dar crédito por isso! Mas eles são o início e o fim do
ceticismo?).
·
Para alguns
críticos, ceticismo significa que o establishment (não há tradução, literalmente
a fundação ou estabelecimento – aqui no sentido de conjunto de forças de
controle sociais – nota do tradutor) procura suprimir novas idéias e neutralizar
ameaças ao domínio hierárquico do conhecimento criado através de um auto
selecionado conjunto de paradigmas arbitrários. – (Puxa! Eu odiaria ser
responsável por tudo isso!! Alguns de meus melhores amigos são kooks
(maluquinhos, dados a comportamentos excêntricos ou a fantasias, quase insanos –
nota do tradutor), afinal!)
Parte
disso é verdade, parte é falsa, para todas essas noções. Mas eu penso, baseado
em minha experiência, que todas essas definições são imperfeitas. Em minha
opinião, (e reconhecidamente este artigo não é nada mais que a opinião pessoal)
muitas dessas idéias são muito abrangentes e extensas em seu alcance. Elas
tentam fazer do ceticismo algo muito maior do que ele é ou definir objetivos que
parecem francamente irrealistas. (Estaremos nós, por exemplo, realmente salvando
a democracia desmascarando avistamentos de OVNIS?). Outras, por contraste, são
muito reduzidas. (Ainda que influentes, muitos céticos não têm filiação formal
com o CSICOP, por exemplo). Ou condenam todos os céticos pelas ações de uns
poucos. (Eu nunca fui proprietário de nenhuma pessoa negra e nunca interferi com
o comércio inter-estados com uma caixa de energia Orgone também!). Com algumas
exceções, entretanto, geralmente o termo ceticismo, bem como as metas do
ceticismo, são deixadas indefinidas pelos céticos. Inevitavelmente isto terá de
ser corrigido.
2. Bem, então, o que é
ceticismo? E por quê?
Ou
“Talvez agora eu não tenha de ser tão rabugento quando aquela época especial do
mês chegar!” (Nosso encontro cético! O que mais?)
Nós, como
céticos, somos deixados com o foco da questão indefinida. O que estou sugerindo
neste artigo é que:
·
Ceticismo é uma
técnica.
·
Ceticismo é um
modo de analisar/avaliar idéias.
·
Ceticismo é uma
ferramenta intelectual.
Resumindo,
ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual.
Em outras
palavras, ceticismo é um modo de as pessoas poderem examinar e defender-se de
idéias más, falsas ou potencialmente daninhas. Eu escolhi esta definição
cuidadosamente. Ainda que eu não considere esta definição o “início e o fim” das
“definições de ceticismo”, eu a considero muito útil em muitas maneiras.
Por que
precisamos de uma “técnica de autodefesa intelectual”? A resposta é simples.
Vivemos na era da informação. A maioria de nós pensa que (especialmente aqueles
de nós com acesso a Internet) esta poderia facilmente ser chamada de “Era da
Desinformação”. Vivemos em uma era onde a ciência, os meios de comunicação e a
troca intercultural estão aumentando em uma taxa incrível. Nunca houve outra era
na história onde os indivíduos foram expostos a um tão constante e contínuo
fluxo de novas idéias em uma base regular. Necessitamos de uma maneira de
filtrar essa informação de modo que não percamos tempo e energia com ineficazes,
inacuradas, incorretas ou mesmo perigosas idéias. Ceticismo, como é geralmente
entendido, é o meio de filtrar essa “má informação”.
Neste
ponto não seria uma má idéia fazer um breve resumo, em um formato simplificado,
as idéias básicas sobre ceticismo. Ceticismo, como uma técnica, basicamente
envolve o seguinte sistema de avaliar idéias.
·
Suponha que algo
é falso a menos que se prove ser verdadeiro.
·
Use a Navalha de
Occam, a presunção de que se duas explicações são possíveis, normalmente a mais
simples é verdadeira.
·
Assuma que
alegações extraordinárias requerem provas (evidencias) extraordinárias.
·
Assuma que o
ônus da prova é de quem defende a alegação
Como se
pode ver há uma clara ênfase em cortar idéias falsas ou não aceitáveis. Esta é
uma das razões pelas quais escolhi minha afirmação que “ceticismo é um método de
autodefesa intelectual” com cuidado, ao invés de algo mais neutro como talvez
que ceticismo significa um modo de pesar idéias. A ênfase está no aspecto de
negativa, e, em autodefesa é assim que deve ser.
Essas
idéias funcionam 100% do tempo? Realmente não, algumas idéias não se prestam a
um método tão claro de avaliação. Além disso, muitas pessoas podem apontar casos
isolados onde algumas dessas suposições não eram verdadeiras, onde talvez a
Navalha de Occam não se aplicava a um determinado caso. Mas como nenhum sistema
de autodefesa é perfeito, este também não se esperava que fosse. Ainda assim,
ceticismo é uma útil técnica de avaliar idéias e filtrar as prejudiciais.
Eu poderia
também argumentar que muitos aspectos da vida, incluindo estéticos, emocionais,
atléticos, espirituais, éticos e formas de relacionamento, não se prestam à
análise cética muito bem. Ceticismo e análise racional podem ajudar esses
aspectos, mas seu uso nesses campos é de alguma forma limitado. (Por exemplo,
análise racional pode ajudar um artista treinado em muitos aspectos da criação
de uma pintura. Isso pode incluir a escolha de materiais, composição ou design,
e similares, mas a necessidade de se expressar raramente é baseada inteiramente
na racionalidade).
3. Se o ceticismo é uma
técnica e um pouco mais, então o que ele não é?
Ou
“Precisa de uma vida?
Bem, você não vai conseguir uma se não tentar!!”
Se
aceitarmos a premissa positiva que ceticismo é uma técnica de autodefesa
intelectual então devemos também verificar o que o ceticismo não é. É uma
técnica e pouco mais. Eu defendo o seguinte:
·
Ceticismo não é
uma filosofia completa.
·
Ceticismo não é
uma religião.
·
Ceticismo não
ensina que as pessoas precisam ser 100% racionais.
·
Ceticismo não é
um estilo de vida.
Eu repito
que ceticismo, em minha opinião, é nada mais que um método de autodefesa
intelectual, e céticos são pessoas que tem estudado as técnicas que se aplicam a
este método e as avaliam. Quando apresentei uma versão previa deste artigo em
uma filial, em Massachusetts, da New England Skeptics Society, eles pareciam
estar familiarizados com o significado das afirmações acima e sorriam com
concordância à explanação. Ainda assim, deixe-me elaborar melhor algumas dessas
proposições.
Ceticismo
não é nem uma filosofia completa nem uma religião completa. Embora trate de
muitas questões filosóficas importantes, como questões de crenças e a
determinação da natureza da realidade, não é uma filosofia completa. Devido a
inerente ênfase nas coisas não provadas, e a inerente negatividade, acredito que
pessoas que estão procurando algo para crer ou para motivá-las em suas vidas
devem procurar além do ceticismo e do movimento cético. Eu diria que não
deveriam abandonar seu ceticismo ao fazer isso, mas levá-lo com eles. Ceticismo
é uma parte importante na procura de questões espirituais de uma forma segura.
Entretanto, ceticismo é principalmente sobre descrença e tem seu foco em idéias
não provadas. Para encontrar idéias positivas, deve-se ir a outra parte.
Ceticismo
não afirma que pessoas devem ser 100% racionais. Eu não alego ser 100% racional.
Nem mesmo alego ser 99% racional. (De fato, suspeito que poucos de meus amigos
ou conhecidos julgariam minha racionalidade em 80%) Se eu fosse 100% racional
pararia com a cerveja e comidas gordurosas e evitaria fazer sexo na ausência de
intenções reprodutivas se no lugar pudesse um bom livro ou me exercitar. Eu
pagaria minhas contas na data correta e somente compraria CDs e brinquedos se
tivesse recursos disponíveis. Eu seria um contador no lugar de escritor. Sim,
como um ser humano, tenho ajustado minhas metas bem abaixo dos 100% de
racionalidade e nunca me arrependi disso.
Igualmente, ceticismo não é um estilo de vida e não deve ser perseguido como
tal. Há pessoas que se deliciam destruindo a crença de outras. Tristemente,
muitas desse tipo são atraídas para o ceticismo e algumas atingem altos níveis
de proeminência. Não obstante, se sua intenção ao interagir com estranhos é por
a prova suas crenças a procura de falhas, tornando cada novo encontro
interpessoal em uma procura intelectual do tipo “máquina de procura e
destruição”, isso pode ser desaprovado de muitas maneiras, para dizer o mínimo.
Depois de muitos anos com o movimento cético, acredito que cada cético deve
procurar equilibrar o ceticismo e seus interesses externos. Ceticismo pode
complementar esses interesses externos, mas não pode ser um substituto para os
mesmos.
Ceticismo
pode ser um valioso complemento para qualquer vida, mas não pode, isoladamente,
ser toda a vida. Mais elaboradamente, de tempos em tempos, eu me sento e tento
me auto-avaliar. Para fazer isso divido a mim mesmo em uns poucos reinos. Estes
tendem a ser:
1.
Mente
2.
Corpo
3.
Emoções ou espirito
E algumas
vezes acrescento um outro reino:
4.
Ações sociais ou interpessoais
Análise
racional, e sua sub-divisão, o ceticismo, pode ser útil com qualquer desses
reinos. A conexão entre “mente” ou processos intelectuais e análise racional é
obvia.
Para o
reino “corpo”, uma simples olhada em uma edição de Muscles and Fitness Magazine,
uma publicação com foco em musculação e fitness, irá revelar um
surpreendentemente forte respeito pelos estudos científicos entre o staff
editorial e leitores. Entretanto, Muscles and Fitness não é uma revista
cientifica. Algumas vezes ao cometer erros em ciência, eles erram espantosamente
em suas conclusões. Mas está claro mesmo para um eventual leitor desta
publicação que articulistas e o staff editorial querem conhecer os mais recentes
desenvolvimentos nos campos de nutrição, fisiologia e ciências relacionadas,
sabendo que isto os beneficiará em suas procuras pessoais. Pessoas com uma meta
podem avaliar os resultados e ceticismo e análise racional ajudam a conseguir
bons resultados.
No reino
do emocional e espiritual, há também uso para o ceticismo. Em um nível básico,
tenho notado, através da analise racional, que quando faço exercícios
regularmente e me alimento bem me sinto bem melhor do que quando não me comporto
assim. Ceticismo pode ajudar uma pessoa a evitar armadilhas inclusive muitas dos
vários boatos (hoaxes) da New age (das quais Carlos Castaneda é indubitavelmente
o mais conhecido). Um conhecimento de ceticismo pode fazer uma pessoa mais
cuidadosa com o recrutador de cultos comum. Assim, mesmo aqui, um reino da vida
tradicionalmente ignorado ou mesmo desdenhado por muitos auto-proclamados
céticos, ceticismo é claramente útil para atingir os objetivos desejados.
No reino
social ou interpessoal, as coisas são mais fracamente definidas, mas ainda há
uso para o ceticismo e analise racional. Você pode pegar pessoas em mentiras
mais facilmente, por exemplo, se você for cético. O ceticismo pode claramente
ajudar a avaliar algumas ações sociais e em questões interpessoais, mas estes
devem ser determinados caso a caso.
Não
obstante, o ceticismo propriamente não é, na exclusão de outros interesses, um
estilo de vida. De fato, eu argumento que, se aceitarmos que o ceticismo é uma
técnica para autodefesa intelectual, então não existe realmente em exclusão, mas
pode somente ser visto quando interagindo com outras idéias. Eu argumento que
nós como céticos devemos começar a tentar ver como o ceticismo interage com
outras idéias, mais do que como um ambiente separado.
4. Se o ceticismo é tanto e
ao mesmo tempo tão pouco, sobre o que devem os grupos céticos ser publicamente
céticos?
Ou
“O que é pior?
Genocídio nos Bálcãs ou Arquivo-X?”
Se
aceitarmos a premissa que o ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual, e
o fato de que pessoas formam grupos locais para praticar esta técnica,
praticando um “ativismo cético” e disseminando a idéia que “ceticismo” é útil e
bom, então devemos pensar um pouco sobre onde e como nós, os membros desses
grupos, devemos publicamente aplicar essas técnicas (embora aqueles que se
dedicam as coisas além do ceticismo possam também achar estas idéias úteis). Já
que o ceticismo é inerentemente uma série negativa de técnicas criadas para
idéias não comprovadas, esta questão pode ser resumida em que idéias então nós
escolhemos atacar?
Tradicionalmente, céticos tem focado seu criticismo naquilo que vagamente é
definido como reinos do paranormal, supranatural e alegações pseudocientificas.
Embora eu deva voltar a esses reinos mais tarde, para o momento prefiro iniciar
com uma folha em branco. Se aceitamos a idéia que ceticismo é uma técnica de
autodefesa intelectual então não é necessário focar nesse tipo de idéias mais do
que em qualquer outro tipo. (Por muitas razões, acredito que estas idéias têm um
lugar especial no ceticismo, algo que vou elaborar mais adiante).
Se
iniciarmos com a noção de que ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual
então podemos facilmente que seu primeiro uso deve ser nos proteger. E haverá
muitas oportunidades. Enquanto eu escrevo existem literalmente seis mensagens em
minha secretária eletrônica esperando para serem apagadas. Duas delas são de
empresas que mentem regularmente e uma é de um recrutador de telemarketing de
esquemas de pirâmides. O Presidente dos Estados Unidos está sendo demandado por
perjúrio depois de ser arremessado em um escândalo sexual onde se misturaram uma
tiete universitária e alguns charutos cubanos contrabandeados e depois ter
mentido sobre tudo isso. Minha leitura recreacional inclui referencias
a Koko,
a gorila que chama pessoas desagradáveis de “demônios do banheiro!” – uma
maravilhosa expressão para qualquer símio incluindo eu mesmo. Ainda há grande
controvérsia se isto, ou qualquer expressão de Koko é uma verdadeira comunicação
inter-especies. A necessidade de ceticismo em nossas vidas nos rodeia!
Mas grupos
céticos, eu sinto, devem ter algum interesse em ações sociais e alguma
consideração ativista. O ativismo deve ser direcionado cuidadosamente e as
causas cuidadosamente selecionadas.
Deixe-me
apresentar dois exemplos bem direcionados de ativismo cético.
-No
Colorado, organizações céticas têm dado especial atenção em apontar alegações de
toque terapêutico entre os profissionais dos departamentos de saúde oficial.
Muitos dos profissionais do sistema de saúde estão atualmente recebendo créditos
educacionais para toque terapêutico, como um sistema de saúde alternativo que
alega funcionar manipulando campos de energia no corpo humano. A existência
desses “campos de energia” e a utilidade da terapia de toque são seriamente
contestadas pela ciência e medicinas modernas. Se alguém procura por tratamento
com um profissional de saúde e recebe toque terapêutico como tratamento, ele tem
o direito de saber se o tratamento funciona.
A
introdução da terapia de toque afeta diversas causas importantes. Entre elas
estão o modo como não-cientificamente provadas técnicas tem sido informalmente
aceitas por alguns profissionais de saúde. Também a questão de quantas
instituições de saúde requerem créditos educacionais para seus membros, mas não
monitoram a validade ou utilidade dos assuntos que os membros podem estudar para
receber esses assim chamados créditos educacionais. Mixar esta assim chamada
medicina alternativa e a medicina tradicional é procurar por problemas. De fato,
não é incomum que pessoas assumam que terapias de toque e outros tratamentos
“alternativos” são válidos simplesmente porque são aceitas por muitos
profissionais de saúde.
Em efeito,
o que os céticos do Colorado estão perguntando é, “Isto funciona como alegado e
vocês podem prová-lo?” e “Se não, por que estão ensinando isso?” Ao fazer isso,
muitas interessantes questões estão sendo trazidas à tona, e as técnicas do
ceticismo estão sendo bem ilustradas e ganhando publicidade.
(Para uma versão dos detalhes desta questão veja “Therapeutic Touch -Skeptics in
Hand to Hand Combat over the Latest New Age Health Fad" In "Skeptic" Vol. 3, No.
1. Pp. 40 -49. Por
favor, note que, existem alegações de que este artigo apresenta uma versão muito
distorcida dos eventos devido a rivalidades políticas entre dois grupos céticos
do Colorado.)
Igualmente
importante, como o artigo acima mostra, os céticos do Colorado sabem o que estão
fazendo quando se posicionam contra essas alegações. Eles não se embaraçam ao
falar sobre isso.
- Eric
Krieg, do PhACT, a Associação para o Pensamento Crítico, tem como alvo
mecanismos de moto perpétuo (também chamados alegações de “Free Energy”) muitos
dos quais visam fazendeiros. Estas alegações, obviamente, desafiam nosso
conhecimento de física como atualmente a entendemos e merecem ser analisadas.
Comumente, muitos fazendeiros vivem no limite da margem de lucro. Quando um
fazendeiro financeiramente desesperado despende uma substancial quantia de
dinheiro em uma máquina de “free energy”, e a máquina não faz o que alega, o
problema é evidente por si só. Esta é claramente uma causa válida para
justificar a atenção do ceticismo.
Por outro
lado, nem todos podem falar sobre qualquer coisa. Krieg é bem preparado para
compreender este tipo de afirmação já que ele é Engenheiro Elétrico que cresceu
na área rural. Em outras palavras, ele entende ambos, as máquinas e os problemas
que elas causam. )Para mais detalhes sobre Krieg e suas ações veja estes links -
http://www.voicenet.com/~eric/dennis.html
-
http://www.voicenet.com/~eric/dennis4.html
-
http://www.csicop.org/si/9707/krieg.html
- O último site é um artigo sobre o assunto que apareceu na edição de
julho/agosto da Skeptical Inquirer.)
Uma causa
apropriada, eu sinto, deve:
·
Ser sua
importância auto-evidente e não precisar de justificação aos olhos da opinião
pública.
·
Ser algo que os
céticos disponíveis tenham habilidade/conhecimento para falar com conhecimento
de causa.
·
Ser algo em que
os céticos disponíveis possam fazer a diferença
Se a causa
selecionada preencher estes parâmetros então o objetivo final do ativismo cético
pode ser alcançado. Este objetivo final deve ser Fazendo Diferença Enquanto
Envia uma Mensagem!!
Às vezes
os céticos escolhem causas onde eles não encontram estes objetivos. Nestes
casos, acabam parecendo tolos e seus esforços podem ser realmente
contraproducentes. Para dar um exemplo negativo, recentemente CSICOP, um
proeminente grupo cético, decidiu produzir um press-release indicando que o
filem de ficção cientifica e aventura Arquivo-X minava a crença das pessoas na
ciência e era perigosa para a sociedade. Aplicando os objetivos e parâmetros
acima a esta questão:
·
A afirmação não
parece se justificar aos olhos da opinião pública. Poucas pessoas leigas fora do
ceticismo vêem o filme Arquivo-X como perigoso para a ciência e a educação.
Muitos leigos acham a idéia humorística ou tola e, a seus olhos, a credibilidade
do CSICOP declina imediatamente.
·
Não só o CSICOP
parecia não ter conhecimento sobre o assunto, como o press-release tinha sido
claramente escrito antes do lançamento do filme. É improvável que qualquer dos
autores do texto tenham visto o filme em questão.
·
Finalmente, este
press-release não fez muito de qualquer maneira, porque a despeito das críticas
medíocres, o filme fez bastante dinheiro para que produtor anuncie breve planos
para uma seqüência. De fato, não tenho certeza do que o CSICOP esperava que
conseguir com este press-release.
Mesmo
entre web sites céticos e listas de discussão poucas pessoas expressaram
concordância ou apoio ao texto, e muitas criticaram. Muitos céticos, de fato,
são fãs de Arquivo-X (eu inclusive – nota do tradutor). Eu concluo, pelas razões
apresentadas acima, que o press-release do CSICOP condenando Arquivo-X é
exatamente o tipo de ação que céticos devem evitar.
Um cínico
poderia perguntar não somente por que CSICOP produziu este press-release, mas
por que não estão trabalhando com problemas reais? Uma simples revista das ações
e eventos atuais revelam um largo espectro de eventos e problemas onde as
habilidades especiais, conhecimento e perspectivas céticas poderiam ser de
grande ajuda.
Alguns
melhores alvos para ativismo cético podem ser:
·
Fraudes de
negócios. Isto pode incluir exemplos como Ponzi (Ponzi foi um comerciante
italiano que inventou e aplicou no mercado americano entre 1919 e 1920, um
esquema em que as pessoas investiam dinheiro para receber juros enormes. Usando
o dinheiro de novos investidores para pagar antigos, ele nunca investiu um
centavo e arrematou milhões. Foi preso no final, quando ficou claro que ele não
poderia pagar a todos que investiram – nota do tradutor) ou Pirâmides onde
simples cálculos matemáticos mostram que o esquema está destinado a falhar.
·
A cura do câncer
Quaker – Nós vivemos em uma época em que as assim chamadas “medicinas
alternativas” estão se tornando largamente aceitas. A distinção entre terapias
alternativas e quaker é freqüentemente perdida e muitos membros da população
ficam vulneráveis.
·
Disputas em
acusações de proteção/falsidade sobre crianças – Embora muito emocionalmente
desgastante, a quantidade de pseudociências e irracionalidade neste campo, é
difícil imaginar isso, até que estes comecem a explorar o estado do atual
sistema de proteção e a jogar com a mente das pessoas que trabalham nele.
Outra
coisa vem à mente. Repetindo os fatores chave, em minha opinião, antes que um
grupo cético publicamente devote grande atenção e esforço a uma causa:
·
Ser sua
importância auto-evidente e não precisar de justificação aos olhos da opinião
pública.
·
Ser algo que os
céticos disponíveis tenham habilidade/conhecimento para falar com conhecimento
de causa.
·
Ser algo em que
os céticos disponíveis possam fazer a diferença
Provavelmente não há nada mais contraproducente para a boa imagem publica dos
céticos do que ver alguns auto intitulados céticos atirando sem precisão contra
algum alvo sobre o qual ele conhece pouco e sobre o qual poucas pessoas ligam de
qualquer modo. Eu poderia sugerir aos meus companheiros céticos um novo termo
para essas pessoas? “Demônios do banheiro”.
5. E sobre alegações
paranormais?
Ou
“Quem você vai chamar?”
Céticos
têm tradicionalmente gasto muito tempo e energia enfocando alegações
paranormais. De fato, um interesse em alegações paranormais foi uma das coisas
que primeiro me interessou no ceticismo. Por muitas razões, acredito que
céticos, devem, de uma forma limitada e cuidadosa, continuar com a tradição de
estudo de alegações paranormais e afins. Uma vez que umas poucas alegações
paranormais são imediatamente perigosas, e meu tema neste artigo é que o
ceticismo é um método de autodefesa intelectual, sinto que o uso principal das
investigações de alegações paranormais por céticos é promover a consciência e o
conhecimento das técnicas do ceticismo. Uma boa alegação paranormal é
maravilhosamente bem servida para isso. Deixe-me explicar as razões que eu penso
devemos continuar a olhar em muitas das alegações paranormais.
·
Uma boa alegação
é uma real catalisadora de atenção. O público está muito interessado em
alegações paranormais. Este interesse pode, e deve, ser utilizado para ensinar
habilidades de pensamento crítico.
·
Uma boa alegação
é boa ferramenta de ensino. Quando usada como ferramenta de ensino, uma boa
alegação paranormal pode se uma valiosa ajuda em apresentar idéias céticas e
habilidades de pensamento crítico para muitas pessoas que de outra forma não
mostrariam interesse nisso.
·
Uma boa alegação
é um dramático exemplo de ceticismo em ação. Esta é a razão porque especialistas
em determinado campo geralmente não aceitam a realidade de fenômenos
paranormais. Quando olhado com cuidado eles usualmente tem uma explicação
racional esperando para ser encontrada.
Entretanto
temos que manter alegações paranormais em perspectiva. Não é uma meta realística
assumir que a análise freqüente de alegações paranormais de modo cético tornará
100% das pessoas racionais. De fato, é improvável que um único campo de
alegações paranormais tenha encontrado a extinção a partir da caça pelos céticos
de seus casos individuais. Nós podemos, pelo menos, fazer a triagem.
Por
exemplo, embora tivéssemos diferenças no passado, o cético Joe Nickell escreveu
um livro (e alguns textos curtos) apresentando argumentos muito convincentes que
o assim chamado manto de Turim é um boato (hoax). Depois de expor estes
argumentos é difícil compreender que qualquer um que os ouça continue a
acreditar que o manto é a real mortalha fúnebre de Cristo transformada através
de um milagre. Contudo fica claro pare qualquer um que tenha olhado com cuidado
uma livraria como a Barnes and Noble depois disso, estes argumentos,
convincentes como são, não tiveram o menor peso na publicação de livros
afirmando que o manto é, de fato, real. É evidente que um argumento convincente,
neste caso, teve apenas um pequeno impacto, na melhor das hipóteses, sobre a
propagação da alegação.
Parafraseando Abraham Lincln, “você pode convencer todas as pessoas algum tempo.
E pode convencer algumas pessoas todo o tempo. Mas você não pode convencer todas
as pessoas todo o tempo”. E céticos precisam aprender isso e aceitá-lo. Se não
podemos destruir todas as alegações paranormais em todo lugar, então isto não
deve ser estabelecido como objetivo final real ou pressuposto.
Algum
tempo atrás, o Inquiring Skeptics of Upper New York, o grupo cético local, foi
visitado por uma folclorista que estudava grupos céticos de forma acadêmica.
“Porque vocês não são tão dogmáticos quanto o pessoal de Buffalo?” ela
perguntou? Nós pensamos algum tempo e então várias pessoas presentes disseram um
nome. Dentro de nosso grupo há um individuo que acredita em muitos fenômenos
paranormais, incluindo que UFOs são naves espaciais. Ele assiste reuniões do
ISUNY regularmente e tem feito isso desde o início de nossa organização. Nós
nunca tivemos certeza de como lidar com ele. (um companheiro do CSICOP chegou a
recomendar que o expulsássemos, mas nós sabíamos que não era o que desejávamos
fazer). Bem, tem sido assim há muitos anos, e a despeito do brilhantismo de
nossos argumentos e o incrível tamanho de nossa biblioteca, ele ainda permanece
não convencido. Por outro lado, eu penso que nós, os participantes do ISUNY,
lentamente compreendemos que se não podemos nem convencer este único individuo
de nossos ensinamentos, nós não vamos convencer o mundo. Temos de encontrar um
novo propósito.
6. Más alegações paranormais
Ou
“Ãn..... O faremos agora?
Na seção
anterior eu fiz freqüente referencia a “boas alegações paranormais”. Foi
intencional. Existem boas e más alegações paranormais. Como grupos céticos
devemos evitar as más alegações paranormais a todo custo. Não se aproxime delas.
Você terá apenas prejuízo.
Deixe-me
apresentar alguns poucos exemplos de “má alegação paranormal”.
O abduzido por OVNIS
local.
Em nossa
região vive um proeminente abduzido por OVNIS. Ele recebe muita atenção,
incluindo artigos na (já extinta) OMNI magazine, um perfil na (agora cancelada)
Sightings, e uma menção nominal (crítica claro) no livro de Carl Sagan “O Mundo
Assombrado pelos Demônios”. Ele é, como alega, o único possuidor de um legítimo
dispositivo de monitoração alienígena e este artefato está sendo estudado por um
físico do MIT. Contudo nós recusamos em duas ocasiões que ele falasse para nosso
grupo cético local. Por que? Alguns poderiam argumentar que um procedimento mais
apropriado seria permitir que ele falasse, e então gentilmente argumentar,
procurando por furos em suas alegações de modo que todos pudessem perceber. Mas,
de novo, não é isso que consideramos apropriado fazer.
O homem em
questão, que alega ter sido abduzido por ÓVNIS, tem um histórico de problemas
mentais incluindo internação contra sua vontade. Seu passado inclui registro de
ter vivido na rua, problemas maritais e de ficar sobre influencia de álcool em
momentos impróprios. O alegado implante parece ter sido colocado em seu pênis,
um local embaraçoso para discutir, anos atrás. Estudos concluíram que é
provavelmente uma fibra de algodão que penetrou na uretra de algum modo e
desenvolveu uma cápsula de colágeno. Conversas anteriores com o homem em outros
grupos céticos tem incluído alguns relatos bizarros como a afirmação que poderia
apresentar provas irrefutáveis de vida extraterrestre apenas se uma de suas
ex-esposas permitisse que ele fosse em casa recuperar alguns de seus pertences
abandonados lá. Ele é bastante orgulhoso do fato de uma companhia de seguro
contra abduções de ÓVNIS ter declarado seu caso “genuíno” e prometido pagar a
ele um milhão de dólares, exatamente como o combinado, mesmo que o pagamento se
dê na taxa de um dólar ao ano. Ele, aparentemente, tira grande conforto de sua
identificação como abduzido por OVNIS e apesar de alegar que sua vida foi
destruída por esse incidente e é responsável por todos os problemas listados
acima, ele fala sobre a experiência sempre que possível.
Contudo
nós recusamos sua oferta de conversar por duas vezes. Resumindo, os
participantes do ISUNY sentiram que a causa da preservação da lógica e da razão
não iria avançar notavelmente pelo ataque a este individuo ou a seu sistema de
crenças. E do ponto de vista de relações públicas seria provavelmente um
desastre. Se criticássemos suas crenças pareceríamos valentões. Se não,
pareceríamos tolos. E, afinal, sempre haveria a sensação que escolhemos para
criticar pessoas com aparentes problemas de dogmatismo para representar os
crentes em ÓVNIS.
A Mulher Solitária
Algum
tempo atrás, eu estava em contato por carta com uma mulher em outro estado. Ela
desejava informação, de um razoavelmente conhecido cético, sobre coincidências e
“paralelismo psiquico”. Ela afirmava estar tentando explicar um poder paranormal
que ela possuía. Naturalmente eu fiquei intrigado e perguntei por mais detalhes.
Tornando a
historia curta, devido a problemas de saúde, esta mulher de 50 e poucos anos não
tinha tido relacionamentos românticos por virtualmente 20 anos. Ela,
aparentemente, vivia sozinha. Ela desenvolveu a crença que ela e outro individuo
foram “almas gêmeas” e tinham se conhecido em uma vida passada. Em toda parte
ela se lembrava desse homem e via nessas lembranças como incidentes
significantes. Ela descrevia isso como “um paralelismo psíquico e muito mais que
meras coincidências”. Ela tinha sonhos com ele e acreditava que esses sonhos
poderiam refletir incidentes que ocorreram com eles no passado. Havia outros
incidentes também.
A
explicação óbvia, claramente, é a obsessão causada pela solidão devido a
trágicas circunstâncias. Quando eu, com o maior tato possível, sugeri que eram
coincidências e que talvez ela devesse parar de pensar nele como uma “alma
gêmea”, ela respondeu que existiam coisas demais de que ela se lembrava dele e
que não poderia ser coincidência e ele deveria ser uma “alma gema”. Ela conclui
que a ciência e a razão não podiam oferecer uma explicação e que ela deveria
procurar por si mesma. (Para registro, ela não havia feito qualquer esforço para
encontrar a pessoas, recusando-se a identificá-lo, mas afirmando que ele estava
perto geograficamente dela. Eu suspeito que ele poderia ser algum tipo de
celebridade).
Claramente, não havia nada a ser ganho ao perseguir esta comovente afirmação ou
atacar as crenças desta mulher em uma troca de cartas.
O Paciente de Doença
Mental
Há algum
tempo eu tenho recebido correspondência de um paciente mental que acredita poder
dar forma ao tempo e espaço com o “extraordinário poder de sua mente”. Ele
deseja que seus poderes sejam testados. Ele não pode, entretanto, especificar o
que exatamente ele pode fazer e recusa-se a responder sobre de que maneira
especifica estes poderes podem ser testados cientificamente. Eu fui informado
que este é um problema comum em pacientes de doença mental que tiram grande
conforto em ilusões envolvendo grandes, mas escondidos, poderes. Melhor que
terem esse conforto ameaçado, eles mantém as ilusões mantendo os “poderes” vagos
e além da compreensão de meros mortais como eu.
Por que eu
lhe dei atenção em primeiro lugar? Eu cometi o erro de sugerir que ele poderia
ter uma melhor chance testando seus “poderes” se enviasse com suas cartas um
laudo de saúde mental. Minha intenção com esta sugestão era enviar uma pessoa
claramente doente para um tratamento. Ao invés disso, eu consegui um
“correspondente” e ele, como requisitado, incluiu um laudo “claro” de saúde
mental de seu psiquiatra e terapeuta indicando que ele tinha sido cuidado por
muitos anos e que eles consideravam aceitável que ele “perseguisse seus
interesses no paranormal”.
Eu tenho
ouvido relatos similares de outros grupos céticos, notavelmente os céticos
Australianos. Evitar pacientes mentais como objetos de debates paranormais! Você
terá pouco a ganhar, exceto embaraço!
Todas
essas “más afirmações” envolvem pessoas com óbvios problemas. É relativamente
comum que pessoas com problemas desenvolvam ilusões em certos padrões e procurem
por céticos. Se isto acontecer com você, tome uma decisão madura – esconda-se ou
fuja da cidade!
Quando
lidando com pessoas com problemas e crenças ilusórias aqui estão os muitos e
graves riscos reais que corre:
·
Você pode
ultrapassar sua base de conhecimento. É muito tentador oferecer o diagnostico de
possível problema psiquiátrico ou alegar “propensão à fantasia”. Raramente, se
tanto, céticos tem acesso ao tipo de informação ou educação que permita esse
conhecimento especializado.
·
Você pode ser
processado. Se você chamar um maluco de maluco ou um doido de doido ou mesmo um
esquizofrênico de esquizofrênico então advogados virão para cima de você, a
menos que possa manter as afirmações acima!
·
Você pode
facilmente parecer um valentão. Por que chamar um doido de doido se ele
obviamente está se comportando como doido?
Adicionalmente, falando genericamente, não é seu problema se
outra pessoa está agindo como doido. Escolher pessoas com problemas raramente é
admirado, mesmo se céticos estão agindo assim para provar que a pessoa em
questão não veio realmente de Júpiter (ou qualquer outro lugar!).
Muitas
reivindicações envolvem diretamente indivíduos com problemas reais.
Não as escolha. É um mau Karma. Somente sorria e lembre-se que a) a vida
se complica para todos nós uma vez ou outra e b) em algumas culturas doentes
mentais são encaradas como bênçãos de Deus. Imagine-se como membro de uma dessas
culturas. Não obstante, doentes mentais e pessoas com problemas emocionais não
são abençoadas para céticos e grupos céticos. Ao contrário, são situações sem
vencedores. Evite situações sem vencedores. Tente manter distancia de confusão
ou pessoas doentes que acreditam terem poderes além de sua compreensão. Você
será mais feliz se o fizer. (Eles podem, depois de tudo, pensar em você estando
em um campo de cereais).
Sorria. Esta é uma boa vida.
E
lembre-se, eu argumentei que se você não pode e não deve tentar explicar todas
as alegações paranormais, é bom ser seletivo. Mas se você for pressionado e
forçado a oferecer uma explicação, para uma pessoa com problemas e suas
alegações irracionais, lembre-se desta frase de Carl Sagan. Memorize e repita
quando necessário. “Claramente há algo sobre isso. E é fascinante. Mas a questão
que devemos responder é, isto está vindo do espaço exterior (ou de outro mundo)
ou está vindo deste espaço (ou de nosso mundo)?” Então sorria sabiamente. Não
continue sua explicação. Apenas sorria e balance a cabeça como se estivesse
ponderando, todo sabedoria e conhecimento. Não mencione qualquer doença mental.
Não coloque seu anel “Decodificador Escalar de Tendências de Personalidade
Fantasiosas”. Sorria, balance a cabeça, olhe sabia e compassivamente. Vá para
casa e se congratule pelo trabalho bem feito.
Seja
amável com essas pessoas. Mesmo Sagan, apesar de tudo, ouviu vozes de mortos.
Todos nós ficamos estranhos às vezes.
7. Ceticismo como técnica de
autodefesa intelectual – Algumas vantagens escondidas.
Ou
“Quer dizer que eu realmente não preciso afirmar que estou salvando o mundo?”
Neste
artigo eu tenho apresentado uma perspectiva simples do ceticismo. Minha sugestão
inicial é que nós paremos de tentar pensar no ceticismo como uma filosofia e
simplesmente ao tratemos como uma técnica com alcance e utilidades limitadas.
Especificamente, sugeri que olhássemos o ceticismo como uma técnica de
autodefesa intelectual.
Eu espero
que se tentarmos fazer as coisas desse modo então o ceticismo se tornará
aerodinâmico e simplificado de muitos modos. No momento, ceticismo, de modo
discutível, freqüentemente parece abarcar mais do que pode lidar e acaba
parecendo algumas vezes um apanhado de pequenas peças de várias filosofias,
doutrinas e ciências.
Um dos
pontos chave é que nós diminuamos a ênfase em alegações paranormais como se
fosse início e fim de todo ceticismo. Isto pode ser controverso. Primeiro de
tudo, sinto que isto já está acontecendo, de modo que minha sugestão é
simplesmente que reconheçamos e o direcionemos. Em segundo lugar, freqüentemente
parece haver uma certa insegurança entre alguns dos céticos mais proeminentes em
se envolver com o ceticismo. Algumas vezes, isto parece que se alegações são
feitas de modo que o futuro da humanidade está em perigo e só pode ser
preservado se conduzirmos uma sistemática refutação de toda e qualquer casa
mal-assombrada ou avistamento de OVNIS. Uma de minhas esperanças é que se as recomendações deste artigo
forem seguidas, então esta aparente insegurança e justificações grandiosas se
reduzam.
Se
compreendermos as limitações do ceticismo, vendo-o como técnica e não filosofia
então nós poderemos esperançosamente acomodar diferentes pontos de vista
filosóficos mais facilmente. Ceticismo, como um “ismo”, tem estado em débito com
o trabalho de muitos filósofos. Infelizmente, parece as vezes, que quando essas
filosofias são trazidas para as discussões céticas é para saber se são ou não
relevantes. Por que céticos não podem permitir que se desenvolvam filosofias
pessoais de uma maneira diversa e natural? Por
que qualquer filosofia é necessária se o que todos nós praticamos é uma técnica
de autodefesa intelectual? Uma das controvérsias subjacentes do movimento cético
é justamente que tipo de filosofia ele pretende ser.
Outra
controvérsia deste tipo no ceticismo é sobre quem somos nós, que aspiramos ao
ceticismo? Há uma ambivalência nas publicações céticas. Algumas afirmam que o
ceticismo e o pensamento crítico devem ser praticados por todas as pessoas.
Outras parecem ver o ceticismo como algo que deve ser cuidadosamente manuseado
por uma elite para as massas. Eu estou advogando claramente uma posição
populista para o pensamento crítico. Sinto que se encaramos o ceticismo como uma
técnica de autodefesa intelectual então nós temos a obrigação de tentar mostrar
o valor destas técnicas a uma larga parcela da população.
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