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O Vácuo de Teoria: Consciência Quântica?
John McCrone,
capítulo bônus de
Going Inside - a tour around a single moment of consciousness
Tradução gentilmente autorizada pelo autor
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Nenhuma busca
científica está em mais desordem que o estudo da consciência. Isto pode parecer
um julgamento severo, mas compare o progresso das ciências da mente com o avanço
rápido da física. Entender o que constitui o Universo deveria ser tão difícil
quanto compreender a consciência humana. Mas onde as ciências da mente parecem
mal ter feito um progresso nas perguntas profundas de seu campo, as ciências
físicas têm sido uma montanha-russa de descobertas. Desde que Galileu e Newton
colocaram a bola para rolar, físicos apresentaram choque após choque, das leis
da termodinâmica e movimento, passando pela relatividade geral e mecânica
quântica até o Big Bang e as teorias de supercordas de hoje.
Mais que isto, apesar de estar em um estado de revolução conceitual quase
ininterrupta, as ciências físicas conseguiram desenvolver uma coerência como
disciplina científica. Muitos tipos de investigadores estão envolvidos na busca
-- astrônomos, físicos de partículas, cosmólogos, matemáticos -- mas ao longo de
vários séculos eles evoluíram uma cultura comum de explicação. Como o Professor
Frackowiak do grupo de escaneamento do Instituto de Neurologia aponta, os
físicos podem justificar o gasto de bilhões em aceleradores de partículas, como
o Grande acelerador de Hádrons de 27 quilômetros de comprimento do CERN, porque
há uma concordância difundida sobre as perguntas que precisam ser feitas e uma
idéia satisfatória das respostas a ser esperadas. De fato, os físicos ficaram
tão confiantes sobre seu quadro de compreensão compartilhado que passaram a
chamá-lo de Modelo Padrão da física de partículas.
Em contraste, não há quase nenhuma coesão nas ciências da mente e certamente
nenhum registro de progresso sólido, cumulativo. Em vez de um Modelo Padrão para
a mente, há um vácuo teórico, um vazio conceitual preenchido apenas por
argumentos filosóficos ultrapassados e metáforas de computador duvidosas. Em
lugar de desenvolver uma cultura comum de explicação, a psicologia e a
neurologia permanecem nitidamente divididas, compartilhando pouco além de uma
relutância de lidar de cabeça com as grandes perguntas grandes sobre a
consciência.
A psicologia se ocupou nos contrafortes de seu tema, preferindo criar teorias de
comportamento ou, no máximo, modelos de computador de hábitos de pensamento
isolados e subsistemas mentais. Os psicólogos mediram o desempenho da mente de
forma inventiva e exaustiva, entretanto ainda têm que responder pela maquinaria
que produz nossa experiência mental.
A neurologia tem sido até mesmo mais cautelosa. Neurologistas lidam diariamente
com a matéria do cérebro que é o material da mente. Mas por uma variedade de
razões, não é algo claro para neurologistas tentar estender sua compreensão de
anatomia e fisiologia cerebral em direção a teorias modernas de consciência. As
razões para isto são complexas. Por muito tempo, tão pouco era conhecido sobre o
cérebro que não havia muito que a neurologia poderia dizer de útil. Além disso,
a neurologia se via como um braço das ciências médicas. Como uma disciplina, sua
primeira responsabilidade era o alívio da doença e do sofrimento humano. Assim a
neurologia teve que apresentar uma face pública sóbria, prática. Pesquisadores
não podiam permitir ser vistos como sendo motivados por qualquer coisa tão
trivial e vã como curiosidade pessoal ou sonhos de grandes teorias.
A severidade desta proibição não deve ser subestimada. Bastante literalmente,
especulação aberta sobre consciência poderia ser o bastante para destruir a
carreira de um neurologista promissor. Benjamim Libet, o neurofisiologista
californiano cujos experimentos sobre o meio segundo necessário para "formar"
consciência que se provará tão central a nossa história, originalmente construiu
sua reputação com alguns estudos bem sóbrios sobre mecanismos de descarga de
células nervosas. Libet admite que não ousou nem sequer começar suas
experiências controversas sobre a cronometragem da experiência mental até que
tivesse estabelecido um status seguro como professor de forma que não pudesse
ser descartado. E ainda assim, a pressão de seus colegas era tal que durante
trinta anos ele manteve silêncio sobre qualquer conclusão teórica que poderia
ser obtida de seu trabalho. Libet publicou apenas seus resultados crus,
guardando qualquer pensamento privado que ele poderia ter sobre a natureza da
consciência para um documento especulativo breve, publicado apenas em 1994,
muito depois de sua aposentadoria.
O contraste em atitude com a física fundamental dificilmente poderia ser maior.
Lá, o registro de sucesso do campo criou uma confiança que encoraja a mais
liberta especulação. Teorias de Tudo (TOEs, Theory of Everything) abundam.
Quanto mais ultrajante uma idéia, isto praticamente a faz mais merecedora de um
distintivo de honra. Mas a neurologia -- especialmente durante os anos setenta e
oitenta -- cultivou uma ética de abnegação abstêmia. Apenas alguns
neurologistas, ou muito idosos ou muito famosos para se preocuparem, como o
prêmio Nobel Sir John Eccles, podiam arriscar sua posição para falar sobre como
o cérebro poderia produzir a mente.
Para sublinhar este truque cultural, só é necessário considerar os nomes
daqueles mais conhecidos por propor grandes teorias da mente baseadas no
cérebro. Os dois mais proeminentes construtores de teorias recentes, Francis
Crick e Gerald Edelman, não são neurologistas por formação. Eles só passaram à
neurociência depois de receber prêmios Nobel em outros campos -- genética e
imunologia -- e há pouca dúvida de que foram suas honras, juntas com um descuido
saudável pelas convenções sufocantes da neurologia, que tornaram possível a eles
falar tão livremente. Igualmente, quase todo outro acadêmico publicamente
associado com uma grande teoria da consciência é um intruso -- ou um filósofo
como Daniel Dennett e Patricia Churchland, ou um matemático e físico como Roger
Penrose.
O credo da neurologia na abnegação é importante porque levanta a pergunta de se
explicar a mente é de fato uma tarefa difícil -- ou se os cientistas
simplesmente não têm tentado de uma forma particularmente organizada. Contudo,
também é uma atitude que mudou rapidamente. O desenvolvimento de scanners de
cérebro e outras técnicas novas de pesquisa criou um súbito sopro de confiança.
Há um rebuliço dentro da área e neurologistas de carreira começaram a especular
publicamente sobre os possíveis processos globais do cérebro que poderiam estar
por baixo da consciência. Teorizar sobre a consciência tornou-se possível, até
mesmo respeitável.
Esta mudança na moda científica é refletida em uma recente avalanche de
conferências especificamente sobre a mente. Christof Koch, um enérgico jovem
neurocientista alemão do Instituto de Tecnologia da Califórnia que colaborou com
Francis Crick em uma teoria da consciência de "oscilações sincronizadas", diz
que até aproximadamente 1992 investigadores sérios só podiam mencionar a palavra
que começa com C tarde da noite e depois de muitas cervejas. Mas Koch nota que
já em 1994, até a conferência anual da Sociedade para Neurociência dos EUA que
atrai mais de 20.000 doutores, psiquiatras e investigadores do cérebro estava
fazendo o inconcebível e incluindo uma sessão que tinha consciência em seu
título: "As coisas relaxaram rapidamente. Você não é mais morto por falar sobre
a mente", diz Koch.
Contudo antes de olhar para o tipo de teorias que estão começando a tomar forma,
precisamos dar um passo atrás e considerar o pensamento existente sobre a mente.
Quais são as perguntas que, por razões históricas, os acadêmicos julgam
importante e quais são as respostas que -- certas ou erradas -- eles esperam?
Talvez a melhor oportunidade para revisar
rapidamente tanto as correntes de pensamento presentes quanto futuras tenha sido
apresentada por uma conferência interdisciplinar corajosa em 1994 no Centro de
Ciências Médicas da Universidade do Arizona, em Tucson. O encontro de cinco
dias, com o título esperançoso "Rumo a uma Base Científica para a Consciência",
atraiu 46 oradores abrangendo de filósofos e teoristas de complexidade a
neurobiologistas e físicos quânticos. Para ter certeza que nenhuma visão fosse
perdida, havia mesmo alguns analistas Jungianos e pesquisadores de estados
alterados de consciência. Então, para aqueles que não tiveram uma chance para
falar durante a reunião oficial, havia ainda sessões à tarde -- as quais a
maioria dos 300 participantes presentes parecia querer aproveitar.
Um grande número de idéias foi apresentado à conferência, mas delas uma divisão
clara emergiu. Oradores tendiam a dois pólos opostos de explicação. Ou eles
concebiam a consciência como alguma forma especial de campo -- uma presença
misteriosa, reflexiva, gerada pelo cérebro ou residindo como uma alma dentro
dele -- ou eles tratavam a consciência como apenas um processo cerebral --
simplesmente o padrão de informação criado sempre que o cérebro funciona.
Estes pontos de vista opostos, e obviamente ambos têm uma tradição longa em
pensamento filosófico, conduziu os oradores a idéias muito diferentes sobre o
que há na consciência que precisa ser explicado. Em uma visão, a consciência é
vista como algo fluido e sem costuras, um campo inquebrável de energia mental.
Este "campo de consciência" pode existir em diferentes graus de força --
variando em intensidade entre humanos e animais, ou até mesmo entre sono e
vigília -- mas de alguma maneira é sempre essencialmente a mesma coisa. O grande
enigma então é o que pode ser que permite que esse pedaço mole de carne e sangue
que é o nosso cérebro de repente se iluminar com o brilho interno mágico da
experiência subjetiva? Deve haver algum truque, algum mecanismo estranho e
talvez sobrenatural que negocia a transição de matéria inanimada para mente
animada.
Por outro lado, aqueles que tomam a visão de processo da consciência estão
procurando por um tipo bem diferente de explicação. Eles vêem a consciência não
como uma coisa, não como um brilho de consciência misterioso, mas sim como uma
tapeçaria passageira de conexões nervosas, uma teia temporária de informação
criada pelo mapeamento e necessidades de processamento do momento. Nesta visão,
falar sobre consciência é como falar sobre o giro de um pião ou o salto de uma
bola saltando. A palavra é simplesmente uma descrição do comportamento do
sistema, um verbo que diz o que o sistema está fazendo. Tratar a atividade de um
sistema como algo com uma existência própria -- como se o giro pudesse existir
separado do pião, ou a "mente" do cérebro -- é cometer um erro lingüístico
sério.
Naturalmente, exatamente a mesma crítica poderia ser feita das faculdades
supostas da mente, como memória, pensamento, atenção e emoção. Sendo
estritamente preciso, nós só deveríamos falar sobre as ações de lembrar, pensar,
assistir e sentir porque todos esses processos só existem no momento que o
cérebro estiver executando-os. Um uso imperfeito da linguagem conduziu a uma
falsa distinção entre o cérebro e suas ações, ficando tão inveterado em nossa
cultura que nós agora achamos difícil tratar a consciência apenas como o
"produto do cérebro."
Ver a consciência como somente um processo neural significa que não há nenhuma
necessidade especial por um interruptor psíquico, algum poder ou esquema
misterioso que faz o cérebro biológico se ligar com a consciência. A consciência
é um fenômeno auto-definido, sendo a soma total de qualquer atividade neural que
esteja tomando lugar no cérebro em um momento particular. Longe de ser um campo
sem costuras de consciência -- uma folha plana de materiais da mente que se
ondulam com pensamentos e sensações passageiros -- a mente se torna algo
bastante periclitante, cheio de afazeres, construída de quaisquer padrões que
estejam saltando sobre os circuitos do cérebro em um momento particular.
Pensamentos e sensações não passam contra um fundo mental -- uma visão que o
filósofo, Daniel Dennett, descarta como a falácia de teatro Cartesiana. Ao
invés, são todos nossos pensamentos e sensações de um momento, amontoados
juntos, que definem nossa consciência.
Falando sobre esta diferença em estilos conceituais durante um dos intervalos
para o almoço na conferência de Tucson, Christof Koch observou que o contraste
reside entre os "físicos" e os "biólogos". Alto, magro e hiperativo, como um
jogador de basquete de faculdade que debate táticas para o grande jogo, Koch
bate na mesa com uma mão para fazer sua observação. Ele diz que os físicos
esperam achar o segredo da consciência em alguma grande surpresa fundamental nas
leis da natureza. De acordo com as grandes inovações nas ciências básicas, eles
acreditam que a resposta deveria ter uma simplicidade profunda e bela.
Porém, aqueles inclinados à biologia estão acostumados a respostas que são
complicadas, até mesmo bagunçadas. Justamente como a vida, eles acreditam que a
consciência não é o produto de um único processo ou mecanismo, mas uma imensa
profusão de processos. E da mesma maneira que em biologia esta complexidade
exige muitos níveis de explicação, de moléculas de DNA até ecossistemas, a mente
terá que ser considerada em fileiras múltiplas de teoria. Eventualmente, talvez,
poderia ser possível considerar habilmente muito destes detalhes em algum
conceito estatístico inteligentemente formulado -- muito como a teoria da
evolução consegue capturar a dinâmica essencial de sistemas vivos, e a teoria de
complexidade está começando a ter algo a dizer sobre sistemas auto-organizados
em geral. Mas é tolo pensar na consciência como tendo algum mecanismo central
simples.
É claro, acrescenta Koch, a verdade poderia muito bem ser um pouco de ambos. A
mente poderia ser principalmente a soma de suas partes, o jogo de padrões de
processamento surfando nos circuitos do cérebro em um certo momento, contudo
também poderia haver uma reviravolta na história. Poderia haver algo especial
que faria diferença entre os processos do cérebro que resultam em um estado
consciente e os muitos outros que nunca alcançam totalmente este nível
privilegiado.
As duas tendências opostas -- a física e a
biológica, a visão de campo e a visão de processo -- são bem fundamentadas na
história de tentativas de explicações da mente. No século XVII, a idéia de
consciência como algo extra aos fios cegos do cérebro físico estava clara no
dualismo do filósofo Rene Descartes -- e na visão Cristã da alma humana que
Descartes estava procurando defender -- enquanto a escola associacionista de
filosofia britânica, inspirada por Thomas Hobbes e John Locke, tentava responder
por toda vida mental em termos da acumulação de processos orgânicos menores. No
século XX a divisão continuou. Várias escolas de pensamento, como a psicologia
de Gestalt e o movimento Nova Era, representaram a visão de campo, enquanto o
behaviorismo, a ciência cognitiva e o a escola de filosofia Funcionalista têm
sido os defensores mais óbvios da visão de processo.
Em Tucson, os dois pontos de vista estavam presentes em suas versões mais
modernas e atualizadas. Em torno de metade da conferência foi tomada por um
entusiasmo por uma explicação da mecânica quântica da mente, na qual se pensava
que regiões do cérebro poderiam se iluminar e se tornar introspectivamente
conscientes através de um fenômeno conhecido como coerência quântica. Enquanto
isso a outra metade da conferência foi igualmente tomada pela promessa de uma
visão orgânica satisfatória da mente sendo encontrada nas ciências novas de rede
neural e teoria de complexidade. Estas ciências pareciam mostrar como a ordem
surpreendente da mente poderia surgir bastante naturalmente a partir da conexão
massiva das bilhões de células nervosas no cérebro.
Conexionismo Neural é a grande esperança teórica das ciências da mente. Se
scanners de cérebro estão fornecendo a evidência experimental crua e a
reaproximação entre psicologia e neurologia está criando o clima social
necessário para pesquisa produtiva, então é esperado que o conexionismo neural
-- de alguma forma -- seja a teoria em estilo de processo que finalmente
explicará a consciência. Porém, antes de apanhar as linhas da história
conexionista, vale abordar brevemente a recente moda por explicações da mente
baseadas na quântica -- se por nenhuma outra razão, para ver por que alguns
cientistas poderiam sentir que aqueles scanners de cérebro se mostrarão quase
irrelevantes para responder as perguntas realmente profundas sobre a consciência
humana.
O encontro de Tucson -- como várias outras conferências de consciência naquele
ano -- estava elétrico de excitação sobre possíveis teorias quânticas da mente.
Durante a sessão de abertura no auditório fracamente iluminado do hospital
universitário -- ainda mais diminuída comparada à forte luz do deserto na parte
de fora -- o filósofo da Washington University, David Chalmers, resumiu de forma
excelente a atração da conexão quântica quando brincou: "A consciência é um
mistério, a mecânica quântica é um mistério. Quando você tem dois mistérios,
bem, talvez haja apenas um. Talvez eles sejam a mesma coisa."
A sugestão de que o mundo estranho do quantum poderia conter uma resposta para a
consciência é uma idéia com uma história longa. Pensamentos na possibilidade
datam pelo menos tão cedo quanto um livro, Quantum Theory, escrito pelo físico
David Bohm em 1951. Porém, em anos recentes a especulação se espalhou ao ponto
onde se tornou quase uma crença popular. O que mais, perguntam vários
pensadores, incluindo Roger Penrose -- o matemático de Oxford que ganhou fama
com seu trabalho em mosaicos geométricos e buracos negros -- poderia explicar
aspectos da mente como livre arbítrio, intuição, criatividade e a unidade
subjetiva de experiência?
A física quântica pinta um quadro estranho do universo. De acordo com suas
equações, matéria e energia têm duas faces, às vezes se comportando como
partículas e às vezes como ondas. A face particular que elas mostram depende
completamente do modo como são medidas. O resultado estranho desta dualidade
fundamental é que matéria e energia são indeterminadas em muitas de suas
qualidades, como velocidade, posição e giro, até que sejam fixadas pelo ato de
medida. É como se elétrons e fótons estivessem borrados pelo espaço e tempo,
explorando toda a gama de possíveis valores abertos a eles, até que alguém vem
com uma sonda e os colapsa em um estado definido de ser.
Até mesmo mais paradoxalmente, quando dois objetos de quantum são o produto da
mesma interação -- tal como o par de raios gama emitidos durante a aniquilação
pósitron-elétron que é a base das medidas do escaneamento PET -- eles "ficam em
contato" de forma que medir um determinará todas as qualidades do outro. Não
importa quão distantes os dois quanta possam voar -- um par de raios de gama de
uma experiência PET poderia ser deixado para se separar em direções opostas pela
galáxia por milhões de anos -- de alguma maneira medir um fixaria imediatamente
o outro. Esta interação não-local, ou coerência quântica, parece violar a teoria
da relatividade de Einstein e sua proibição de qualquer evento acontecer mais
rápido que a velocidade da luz. É como se a partícula gêmea "soubesse"
imediatamente sobre a medida, ou como se o ato futuro de medida tivesse sido
predito de alguma maneira no momento em que os raios separaram.
Enquanto tais estranhezas tornam a física quântica difícil de aceitar,
matematicamente é uma visão do Universo que funciona excepcionalmente bem.
Usando uma ferramenta estatística conhecida como uma função de onda, é possível
descrever o estado espalhado de um elétron ou raio gama com precisão total. A
função de onda fornece um mapa de probabilidades, assim enquanto nós não podemos
dizer exatamente onde um quantum não-medido está em qualquer momento particular,
podemos dizer quão provável seria achá-lo lá e também quão rápido estaria
movendo e que tipo de giro seria provável que tivesse. Uma das características
importantes de tais equações de função de onda é que elas podem ser usadas não
só para descrever o envoltório de possibilidades contendo uma partícula
individual, mas também para descrever sistemas inteiros, como átomos, moléculas,
e alguns físicos diriam, até mesmo o cérebro ou o próprio Universo inteiro.
Há muitos modos de interpretar os enigmas da física quântica. Em uma visão, as
dificuldades se originam de tentar preservar a idéia da partícula quando em
realidade a única coisa que existe ao nível subatômico de efeitos quânticos são
ondulações no tecido do espaço-tempo. Às vezes estas ondulações parecem se
comportar como partículas -- suas cristas se cruzam, criando o que parecem
movimentos e colisões. Mas a energia e massa de tal onda permanecem incertas.
Isto é o que torna impossível medir a posição e velocidade de uma "partícula"
com qualquer exatidão.
O problema da medida é algo como pedir para um observador vendado descobrir o
paradeiro de uma ondulação em uma tigela de água. O observador pode colocar um
dedo na água e esperar até a ondulação acabar atingindo-o -- isto dá um local
exato para a onda, mas a cronometragem do evento se torna imprevisível -- ou ele
pode decidir que quer saber imediatamente, sem esperar, se uma ondulação está
acontecendo, e assim ele coloca sua palma inteira sobre a superfície da água.
Neste caso, um tempo preciso pode ser atribuído ao evento, mas seu local fica
imprevisível. A escolha da sondagem determina qual aspecto da ondulação pode ser
medido com precisão.
Porém, outros interpretaram as estranhezas da física quântica de forma muito
diferente e acreditam que não são nossas tentativas de preservar a ficção de
partículas subatômicas que estão erradas, mas ao invés o problema do observador
tem alguma ligação profunda, misteriosa com a consciência humana. A física
quântica parece dizer que toda partícula existe como um monte de possibilidades
superopostas -- um borrão não resolvido de energias seguindo todo caminho
possível -- até que haja um ato de medida para "colapsar a função de onda".
Alguns físicos acreditam que uma interação de uma partícula com outra -- como
uma colisão ou um evento de aniquilação -- é suficiente para contar como uma
observação (com, é claro, cada colapso abrindo um rastro fresco de
possibilidades quânticas, descritas por uma função de onda completamente nova).
Mas vários físicos acreditam que partículas só se tornam "reais" como o
resultado de uma observação humana. É apenas quando um observador humano sabe --
se tornou consciente -- do resultado de uma experiência quântica que uma função
de onda de fato colapsa.
Levando este argumento ao extremo, o Universo parece requerer testemunhas
humanas até mesmo para existir. Antes da mente humana surgir, presume-se que o
Universo deve ter vagado em uma espuma não resolvida de possibilidades. Mas
agora -- felizmente - a evolução da vida humana sensciente o colapsou em forma!
A cultura especulativa, libertária, encorajada nos meios da física fundamental
significa que, como a Rainha em Alice Através do Espelho, muitos físicos parecem
se encantar em acreditar em sete coisas impossíveis antes do café da manhã. Mas
até mesmo aqueles que acham demais pensar que o universo poderia se dobrar pelo
fato da existência humana ainda sentem que os paradoxos da teoria quântica são
sugestivos de algo sobre nossa consciência. Justamente como um sistema quântico,
a mente humana criativa parece provar muitos caminhos e resultados, correndo à
frente de si mesmo com palpites e intuições antes de colapsar sua "função de
onda" para formar o estado resolvido que é nosso fluxo lógico, focalizado de
pensamento. Parece plausível que a consciência humana poderia ser o resultado do
cérebro descobrir, durante o curso da evolução, como lidar com efeitos quânticos
sutis. Enquanto o cérebro de um animal mais simples pode ser verdadeiramente um
autômato, não mais que um computador biológico cego, com nós mesmos -- e talvez
alguns dos animais mais desenvolvidos -- foram encontrados caminhos para formar
um campo de coerência quântica envolvendo todo o cérebro, globalmente
consciente.
A atração da analogia quântica é óbvia. Todos nós temos um tremendo desejo de
entender aquele mais pessoal dos mistérios da vida: como nós nos encontramos
como um brilho pequeno de compreensão, sentindo a consciência trancada dentro de
uma construção mortal de carne, cabelo e osso. Mas quando olhamos aos últimos
séculos de ciência e filosofia, não obtemos muitas respostas. Pior ainda, as
teorias oficiais, até onde vão, são desespiritualmente mecanicistas, tratando os
humanos como pacotes de reflexos ou máquinas calculadoras vazias. Elas não nos
contam o que realmente queremos saber: como nós ajustamos um panorama contínuo
de sensações, sentimentos e idéias dentro de nossas cabeças? O que nos dá o
senso de um ego que tem sentimentos, planos e desejos?
Não apenas a física quântica parece oferecer uma pronta resposta para o modo
como os circuitos sombrios de mecanismo de relógio do cérebro poderiam se
iluminar de repente com os fogos da consciência, ela também parece
automaticamente responder por algumas das qualidades especiais que nós
associamos com o ser humano, como criatividade, imprevisibilidade e liberdade de
ação. Quanto mais os cientistas cognitivos tentam nos enganar com fluxogramas de
computador, ou neurologistas com diagramas de circuitos enroscados de plasma,
mais urgimos por uma explicação que seja simples, mas ampla em alcance. Esqueça
dos detalhes prolixos de processos neurais, dizemos, simplesmente nos conte que
mecanismo faz a consciência surgir dentro de nossas cabeças.
O fim dos anos 80 assistiu a uma explosão de escritores defendendo a idéia da
consciência quântica. Em Margins of Reality, publicado em 1987, o físico e
parapsicologista da Universidade de Princeton, Robert Jahn, afirmou que a física
quântica podia não só explicar a mente, mas poderes psíquicos também. Em 1989, o
filósofo de Oxford, Michael Lockwood, escreveu um tomo denso e influente, Mind,
Brain and the Quantum. No ano seguinte, a escritora religiosa inglesa, Danah
Zohar, foi da onda promissora de teorias de consciência quântica ao reino do
best-seller com seu livro, The Quantum Self, baseado em teorias avançadas pelo
seu marido psiquiatra, Ninian Marshall. Porém a publicação que realmente criou
interesse amplo na idéia de consciência quântica foi o livro de Roger Penrose,
The Emperor's New Mind, que apareceu em 1989.
Um homem pequeno em seus anos sessenta anos, com um volumoso cabelo castanho,
roupas amarrotadas do "professor aloprado" e olhos alertas, Penrose causou mais
impressão por causa de sua posição como um cientista do que pela claridade de
suas teorias. Penrose é amplamente reconhecido como um dos grandes matemáticos e
cosmólogos dos últimos quarenta anos. Assim, se ele pensava que a mente poderia
quântica em natureza, os revisores e colegas cientistas estavam prontos para
escutar respeitosamente.
Porém, como muitos outros defensores da consciência quântica, a teoria de
Penrose faltava em detalhes. Ele falou sobre as analogias sugestivas entre
sistemas quânticos e a mente, mas teve pouco a dizer sobre como a estrutura
biológica do cérebro poderia estar de fato lidando com efeitos quânticos para
gerar um campo de consciência humana criativa. Sem alguma hipótese sobre o
mecanismo que poderia atravessar a distância entre o reino subatômico no qual
efeitos quânticos imperam e os processos de escala molecular que controlam a
ativação de células do cérebro, a abordagem quântica era pouco mais que um
palpite vago.
A incompatibilidade óbvia em escala -- uma diferença de pelo menos uma dúzia de
ordens de magnitude -- é o que levou a maioria dos cientistas ortodoxos a
descartar a especulação quântica. Não há nenhuma dúvida de que as células do
cérebro são feitas de átomos e que átomos, por sua vez, são governados em uma
escala menor pelas equações da física quântica. Entretanto pareceria que as
flutuações de nível quântico não poderiam afetar a atividade metabólica total de
um neurônio mais que nosso pular no chão poderia inclinar a Terra de sua órbita.
Contudo, na época em que a conferência sobre a consciência de Tucson teve lugar
em 1994, o campo quântico tinha tido tempo para dar muito pensamento à possível
natureza do mecanismo que faltava. Alguns até sentiam que tinham a resposta e
que a estrutura da célula responsável por ampliar os efeitos quânticos era uma
molécula de proteína em forma de tubo vazio conhecida como microtúbulo.
Microtúbulos são moléculas cilíndricas feitas colando 13 cadeias de proteínas
juntas, as tubulinas, para fazer um tubo de 25 nanômetros de comprimento, com um
canal central de aproximadamente 15 nanômetros de diâmetro. Cada microtúbulo
está coberto por uma penugem de tocos de proteína, conhecido como MAPs
(microtúbulo associated proteins, proteínas associadas a microtúbulos), e estas
podem ser usadas para enganchar agrupamentos de microtúbulos juntos em redes
maiores. Microtúbulos e MAPs parecem ser capazes de uma certa quantidade de
movimento, significando que podem ser tecidos em estruturas plásticas, capazes
de ceder e dobrar.
As propriedades estruturais de montagens de microtúbulos fazem deles um valioso
material de construção dentro das células. Por exemplo, um grupo de 20
microtúbulos forma o cílio parecido com cabelo que pulsa, que cobre a superfície
de muitos animais unicelulares pequenos permitindo-lhes nadar. Porém o uso
principal para microtúbulos parece ser fazer um esqueleto interno para células
-- um andaime intrincado que dá para uma célula sua forma, mas também pode se
deformar e dobrar o bastante para permitir que se mova.
A existência do citoesqueleto do microtúbulo só foi descoberta relativamente
recentemente nos anos 70 -- previamente as substâncias químicas fixadoras usadas
em microscopia eletrônica tinham o efeito infeliz de dissolver os túbulos --
assim os biólogos ainda têm muito a aprender sobre o que o citoesqueleto faz e
como opera. Contudo os biólogos acreditam que ele não só mantém a célula em sua
forma, mas também que desempenha um papel importante no metabolismo celular,
agindo como um sistema de encanamento ou uma rodovia interna para mover plasma e
outros produtos essenciais dentro da célula. Alguns sugeriram que os
microtúbulos poderiam fazer isto usando os seus fios de MAP para arrastar o
protoplasma celular, mão a mão, em uma brigada de miniatura ao longo dos lados
de um túbulo.
Também há evidência de que o citoesqueleto poderia servir como um cérebro
primitivo. Há muito os biólogos têm se intrigado em como um animal unicelular
simples, como o paramécio em forma de chinelo, pode se comportar tão
inteligentemente quando não tem nenhum sistema nervoso. Um paramécio é
surpreendentemente ágil enquanto nada ao redor nos detritos ao fundo do lago,
torcendo-se para dentro e fora de espaços apertados à procura de seu jantar. De
alguma maneira o protozoário consegue responder rapidamente à informação que
entra de um ponto sensível à luz e seus cílios sensíveis a toque para coordenar
sua ação natatória. Vários biólogos especularam que o citoesqueleto poderia
servir como a comunicação e ligação de processamento de informação necessária
para organizar tal comportamento relativamente complexo.
Esta sugestão particular de que o citoesqueleto poderia ser um "cérebro dentro
do cérebro" excitou os teoristas quânticos. Ao procurar por uma estrutura da
célula satisfatória para operar como um elo, conectando o reino subatômico com o
mundo macroscópico de células cerebrais fulgurando, alguns teoristas têm
considerado que as membranas nas junções sinápticas entre as células nervosas
poderiam ser o local de interações quânticas. Outros tinham imaginado se os
canais de íon abaixo dos flancos de neurônios poderiam ser regidos por efeitos
quânticos. Mas, rapidamente, os microtúbulos começaram a parecer uma aposta
muito melhor. Enquanto os microtúbulos não são exclusividade dos neurônios, eles
são encontrados neles em particular abundância (um fato que não pega de surpresa
os neurologistas dado que as células nervosas estão tão metabolicamente ativas,
e microtúbulos parecem essenciais à atividade metabólica). Além disso,
acredita-se que a velocidade à qual os microtúbulos podem trocar de estado entre
relaxamento e contração esteja na ordem de um nanosegundo. Isto pode ser lento
pelas escalas de tempo habituais de eventos quânticos, mas é aproximadamente um
milhão de vezes mais rápido que os eventos de ativação de células normalmente
considerados como estando por trás da consciência, e assim pelo menos parece
atingir a biologia do sistema a pouca distância de uma explicação quântica.
À conferência de Tucson, um número impressionante de oradores surgiu discutindo
a história do microtúbulo. Porém, enquanto a semana continuou, ficou claro que a
pessoa realmente por trás da maioria desta especulação era de fato a
organizadora da conferência, o anestesiologista da Universidade do Arizona,
Stuart Hameroff.
Hameroff é um tipo incomum de pessoa para ser
encontrado no campo da consciência. A relutância extrema da maioria dos
cientistas ortodoxos de especular sobre a mente significa que os acadêmicos que
de fato arriscam suas carreiras e reputações pondo suas cabeças sobre o
parapeito tendem a ter algum motivo especial que os dirige. Eles têm uma única
idéia grande, uma grande convicção que eles sentem que devem levar ao mundo.
Um exemplo deste tipo de teorista de consciência é o neurocientista da
Universidade de Radfor, Karl Pribram. Pribram é um dos grandes homens da
neurologia, uma pequena figura com cabelos de Papai-Noel e olhos cintilando. Nos
anos sessenta, Pribram foi impressionado pela invenção da holografia, um modo de
armazenar imagens fotográficas onde a luz laser é usada para colapsar uma imagem
tridimensional em uma superfície bidimensional. Quando um laser é jogado
novamente sobre a superfície, a imagem é trazida de volta à vida tridimensional.
Como uma invenção tecnológica, a holografia parecia mágica o bastante. Mas uma
característica especial de um holograma é que a imagem é distribuída
uniformemente sobre toda a superfície do filme. Isto significa que mesmo se o
filme estiver cortado em pedaços minúsculos, qualquer pedaço pode ser usado para
regenerar a imagem inteira. A única coisa que acontece é que a imagem fica mais
borrada, perdendo clareza de detalhes à medida que os pedaços ficam menores.
Pribram pensou que este armazenamento de informação em todo lugar e ao mesmo
tempo em lugar nenhum era exatamente como no cérebro. Sabia-se, tanto de
experimentos com lesões relacionadas a derrames e cirurgia cerebral, que cortar
pedaços do cérebro parecia ter notavelmente pouco efeito. Você poderia degradar
o nível geral de desempenho, mas raramente faria o dano parecer destruir
recordações ou habilidades mentais específicas. Na realidade, desde então isto
provou ser um exagero -- como será visto, lesão cerebral pode extirpar
componentes muito precisos da experiência consciente. A razão por que os
neurologistas anteriores perderam isto de vista é que o cérebro tem uma certa
capacidade de se consertar e também que os pacientes com lesão cerebral
normalmente acham modos de mascarar alguns dos problemas que estão tendo. Mas na
ocasião parecia a Pribram que a mente poderia ser algum tipo de campo
holográfico gerado pelo cérebro e ele gastou muitos anos buscando modos pelos
quais um tecido nervoso poderia armazenar imagens e memórias holográficas.
Trinta anos se passaram, e Pribram estava na conferência de Tucson, ainda
insistindo em sua teoria holográfica. Brandindo uma cópia de sua obra-prima de
1971, Languages of the Brain, Pribram abriu sua conferência descrevendo a si
mesmo como infame simplesmente por ousar ter uma teoria sobre a consciência. Ele
procedeu então para citar uma passagem severa de Francis Crick que escreveu que
as teorias holográficas só eram levadas a sério por aqueles que sabiam muito
pouco sobre neurologia ou hologramas. Percorrendo seus olhos pela audiência,
Pribram suspirou: "Pessoas como Francis Crick pensam que eu estou louco, é
claro". Claramente, os anos de embates verbais com seus colegas mais ortodoxos
tinham cobrado seu preço, mas se qualquer coisa Pribram parecia até mesmo mais
profundamente seguro de suas convicções holográficas.
Vários outros nomes na cena da consciência se ativeram às suas próprias grandes
idéias, e faziam figuras similarmente solitárias nos mares hostis da ortodoxia.
Mas Hameroff é um tipo muito diferente de animal científico, ele é alguém movido
mais pela ambição de ter sucesso do que por uma idéia fixa.
Hameroff não faz nenhum segredo do fato de que quer ser visto como um grande
jogador na caça aos segredos da consciência. Mas como um humilde
anestesiologista de hospital, ele começa de uma posição bastante fraca. A
natureza desunida, tímida a teorias das ciências da mente significa que ela
falhou em evoluir uma meritocracia organizada de idéias. Não há nenhuma peneira
institucional que assegura que teorias boas sejam promovidas e teorias ruins
rapidamente descartadas. Ao invés, até alguns anos atrás, havia apenas uma
intolerância geral sobre teorização. Nesta atmosfera só os já famosos -- os
premiado com o Nobel e alguns determinados psicólogos de alta-posição --
poderiam quebrar o tabu. O sistema era mais feudal que democrático. Mas jogando
os jogos políticos da academia habilmente -- cultivando alianças com as pessoas
certas e agarrando-se a uma idéia quente -- Hameroff conseguiu se unir aos
poucos privilegiados na ribalta.
Uma figura atarracada, casualmente vestida e mantendo um cavanhaque cinzento
esmerado e um rabo de cavalo, Hameroff parece uma pessoa a quem é fácil se
apessoar. Onde a maioria dos acadêmicos se agita com insegurança ao menor
desprezo a suas teorias preferidas, até mesmo ataques profundos parecem sair
suavemente de Hameroff. Ele sempre põe uma mão amigável no ombros de seus
oponentes, buscando transformar seus críticos em adversários honrados e, talvez
um dia, aliados compreensivos.
A astúcia política de Hameroff foi demonstrada em sua organização da conferência
de Tucson. Sensivelmente -- mas corajosamente dada a hostilidade e ciúme que
freqüentemente separam os vários ramos da ciência -- ele reuniu uma ampla
diversidade de opinião sobre o que a consciência poderia ser. Ele convidou
figuras antigas como Karl Pribram e Benjamim Libet, assim como algumas das
principais luzes do campo do conexionismo neural, como Christof Koch, John
Taylor e Walter Freeman. Ele convidou filósofos, imageadores de cérebro,
biólogos moleculares e mesmo teoristas de complexidade e matemáticos do
Instituto Santa Fé e dos Laboratórios Los Alamos, na fronteira do Novo México.
Porém, a conferência também permitiu que Hameroff se reunisse com seus amigos e
desse a exibição intelectual perfeita à sua abordagem de microtúbulos quânticos
para explicar a consciência.
A intuição de Hameroff por uma idéia quente o tinha
conduzido naturalmente a microtúbulos e física quântica. Como um investigador
ambicioso, Hameroff já estava interessado em microtúbulos simplesmente pelo
papel que poderiam ter no metabolismo celular geral e para a anestesia.
Surpreendentemente, pouco é conhecido sobre como anestésicos médicos têm seu
efeito. Acredita-se que drogas como clorofórmio e éter provavelmente se
dissolvem na proteína gordurosa de células do cérebro, temporariamente
interrompendo a operação das células fazendo assim uma pessoa inconsciente.
Porém, anestesiologistas estão incertos sobre quais estruturas de proteína
poderiam ser o alvo. Alguns pensam que poderiam ser as membranas que cobrem as
extremidades dos nervos, mas outros, como Hameroff, pensam que microtúbulos são
um candidato melhor.
Hameroff fez seu nome nos círculos médicos com sua hipótese de microtúbulos. Mas
ele sempre teve vontade de fazer parte de um jogo maior, e quando elevou sua
visão, imaginando onde poderia fazer um trabalho significante nos mecanismos da
consciência -- ao invés dos da inconsciência -- microtúbulos estavam
naturalmente destacados em seus pensamentos. A prova conclusiva para Hameroff
era o comportamento coordenado exibido pelo paramécio unicelular. Ocorreu-lhe
que se concentrando nos padrões de conexões entre células nervosas, o resto da
ciência poderia estar perdendo outro nível de computação conexionista dentro de
cada célula. Hameroff não foi nem o primeiro nem a única pessoa a pensar ao
longo destas linhas. Na ocasião, pelo menos três outros investigadores tinham
publicado documentos especulativos sobre como microtúbulos poderiam executar
algum tipo de processamento de informação dentro das células. Mas os outros não
acompanharam o vigor com que Hameroff adotou a idéia.
Uma vez que tinha começado a pesquisar mais profundamente em teorias correntes
sobre a consciência, Hameroff logo ficou intrigado pelas analogias quânticas
sendo sugeridas por vários grandes pensadores. Como outros observando a corrente
principal de pensamento psicológico das linhas secundárias durante o fim dos
anos 80, Hameroff sentia que era óbvio que a ciência cognitiva estava trilhando
o caminho errado ao tratar a mente humana como uma computação mecanicista. A
consciência simplesmente não parece um monte de cálculos. Tinha muita coerência,
muita vontade brilhante. Devia haver algo extra em andamento que permitia à
fiação elétrica morta do cérebro se iluminar com um brilho de consciência.
Armado com estes palpites básicos, Hameroff começou a buscar colaboradores e a
publicar trabalhos energicamente. Uma das primeiras teorias de microtúbulo que
Hameroff desenvolveu (inicialmente com um colega anestesiologista da
Universidade do Arizona, Richard Watts, e depois com um grupo maior incluindo
Steen Rasmussen de Los Alamos) acabou mostrando não ter nenhuma conexão quântica
clara no começo. A idéia de Hameroff era que a superfície de microtúbulos
poderia ser capaz de ondular de um certo modo que lhes permitiria agir como
minúsculos computadores autômatos celulares.
Um autômato celular é uma forma de computar familiar a muitas pessoas que
conhecem o programa "Game of Life". A área de exibição de uma tela de computador
é dividida em uma grade de quadrados. Cada um destes quadrados, ou células, está
ou iluminado ou escuro, vivo ou morto, de acordo com um conjunto simples de
regras. Em um programa típico, uma célula olhará para o estado de seus vizinhos
mais próximos e decidirá que se um certo número deles estiver vivo, então também
deve estar. Mas se muitos vizinhos estão ligados, a célula morrerá de
"superpopulação", ou se muitos estiverem apagados, morrerá de "solidão". Toda
célula toma uma decisão regida identicamente exatamente ao mesmo tempo de forma
que com cada pulso do relógio interno do computador, as células trocam de estado
em harmonia de acordo com a atividade ao redor delas.
Tal sistema soa ridiculamente simples, mas se as regras são ajustadas
corretamente, a tela do computador ganha vida, exibindo padrões como ondas de
mensagens passando pela superfície. Mude as regras apenas ligeiramente e uma
onda vagando pode desmoronar em uma mancha fixa. Mude-as novamente e a mancha
pode vagar pela tela como um "planador" em forma de seta, ou começar a sugar
padrões circunvizinhos como um buraco negro. O matemático britânico, John
Conway, inventou o Game of Life nos anos sessenta, mas o jogo logo mostrou ser
mais que apenas um truque de festa divertido. Cientistas da computação mostraram
como estes padrões auto-propagantes poderiam ser usados para efetuar cálculos
sofisticados, os planadores representando dados e as estruturas estacionárias
funcionando como uma forma de armazenamento de memória.
Buscando um modo pelo qual estruturas de microtúbulos poderiam efetuar
processamento de informação, Hameroff sabia que elas não podiam funcionar como
nervos, usando ondas de despolarização elétrica e liberação de mensagens
neurotransmissoras nas junções sinápticas. Admitidamente, era como um pulo de
ficção científica, mas Hameroff imaginou se ao invés disso os microtúbulos
poderiam estar transmitindo padrões de autômatos celulares em sua parte
externa.
Hameroff notou que as paredes de um microtúbulo são compostas de cadeias de uma
proteína em forma de C curta e grossa, e cada um destes blocos de construção em
forma de C era, por sua vez, delicadamente equilibrado entre uma posição aberta
e fechada. As moléculas poderiam se fechar, trocando de estado, na ordem de um
nanosegundo. Este movimento de flexão era considerado como sendo o que permitia
que microtúbulos se torcessem e contraíssem, e assim batessem quando reunidos
como cílios. Mas e se estas moléculas trocando de estado fizessem mais,
coordenando seu comportamento de um modo limitado por regras que lhes permitisse
propagar ondas de padrões de autômatos celulares, Hameroff perguntou.
A idéia de que reações em cadeia de atividade poderiam passar ao longo de
estruturas de microtúbulos parecia plausível, já que certamente ajudaria a
explicar como os cílios podiam bater com tal regularidade, ou como o
citoesqueleto dentro de células poderia empurrar o plasma. Mas computar era
outro assunto. Esta idéia tinha uma falta porque para manter um padrão de
autômato celular, toda célula precisa trocar estado na batida de um relógio
interno. A menos que a atividade fosse precisamente sincronizada, qualquer
padrão se degeneraria rapidamente em um caos irreconhecível.
Esta necessidade de um relógio regulador conduziu Hameroff ao trabalho altamente
controverso do biofísico da Universidade de Liverpool, Herbert Frohlich. Nos
anos setenta, Frohlich sugeriu que o que comandava a vibração de uma molécula de
proteína poderia ser um dipolo oscilante interno. Estrategicamente colocado ao
ponto de dobra de uma molécula grande, como a molécula de tubulina em forma de
C, poderia estar um único elétron ou região de carga apanhado. Quando este
elétron fazia uma troca quântica de posição -- um salto quântico pela barreira
da dobra para um ponto no outro lado -- a mudança no equilíbrio de forças
eletrostáticas poderia ser o bastante para lançar a proteína inteira em uma
forma diferente. Frohlich foi mais adiante e propôs que as membranas celulares
poderiam criar uma situação onde toda uma série de tais dipolos delicadamente
equilibrados se enfileirariam como agulhas de bússola em um campo magnético
levando a um estado quântico coerente em macroescala.
Tal alinhamento de grande escala produzindo um único sistema quântico
determinado pela mesma equação de função de onda é bem conhecido à física de
fenômenos como o laser e a supercondutividade. Mas a maioria dos cientistas
rejeita a idéia de que o mesmo tipo de coerência poderia ser alcançado no reino
quente e pegajoso das moléculas orgânicas. Sem se deter com isso, Hameroff
defendeu que microtúbulos têm as dimensões certas e estrutura quasi-cristalina
para gerar as regiões passageiras de coerência quântica necessárias para manter
vibrando as moléculas de tubulina em passos, tornando a idéia de autômatos
celulares teoricamente possível.
Saltando à frente para como computações de autômatos celulares poderiam conduzir
a processos de nível consciente, Hameroff diz que pensamentos e imagens mentais
podem emergir quando a coerência entre os padrões que ondulam ao longo das
paredes de uma rede de microtúbulos alcança um certo nível crítico. Memórias
poderiam ser armazenadas como padrões de onda estacionários congelados na
superfície de microtúbulos. Pensamento criativo e intuição poderiam ser o
resultado de explorar os grupos de microtúbulos que são freqüentemente achados
correndo em paralelo em células nervosas -- uma superposição, ou espalhamento
quântico de possibilidades permitindo ao grupo "explorar" muitos estados antes
de acabar colapsando em uma solução favorita.
Hameroff concorda que atribuir tais poderes aos microtúbulos leva à conclusão de
que até mesmo paramécios -- ou as células em seu dedão -- estão em algum senso
conscientes. Mas ele diz que as células do cérebro provavelmente também têm
formas únicas de organização de microtúbulos e a estrutura global do cérebro faz
uma diferença grande às propriedades gerais do sistema. As habilidades mais
altas que caracterizam a mente humana só poderiam ter emergido uma vez que os
microtúbulos estivessem reunidos do jeito certo.
Para muitos comparecendo à conferência de Tucson, a
teoria de autômatos celulares de Hameroff sobre a consciência parecia
simplesmente maluca. Christof Koch reclamou que Hameroff estava construindo
suposição sobre suposição. Alguém sabia se as moléculas em forma de C das
tubulinas vibravam, ou se vibravam sob o controle de uma dobra quântica, ou se
se ligavam para enviar ondas de padrões pelas paredes dos túbulos, Koch e outros
perguntavam? Juntar tal bagunça insubstanciada de idéias em uma super-teoria da
consciência era simplesmente pedir para ser chamado de excêntrico.
Reputações são importantes na ciência. Em um mundo onde concessões de pesquisa e
posições consideradas são cada vez mais difíceis de obter, poucos investigadores
podem se dispor a arriscar serem classificados como irresponsáveis. O
colaborador chave de Hameroff na teoria de autômato celular, Steen Rasmussen, um
grande nome nas ciências novas de complexidade, adotou uma posição discreta na
conferência de Tucson. Rasmussen parecia tratar as idéias como um interessante
trabalho de exercício técnico sobre o que poderia ser, em lugar de uma alegação
sobre o que era. Mas Hameroff mostrou pouco de tal precaução. Realmente, em uma
exibição quase indecente de promiscuidade intelectual, descobriu-se que Hameroff
também não ficaria aborrecido se sua idéia de autômato celular fracassasse
porque tinha várias outras teorias de consciência com microtúbulos quânticos em
sua manga -- teorias que ele estava preparado para defender com igual vigor.
Uma segunda idéia igualmente surpreendente de Hameroff era que a rede de
microtúbulos dentro das células poderia se comportar como um computador óptico,
usando pulsos de luz para representar informação! Novamente, estados de
coerência quântica como os de Frohlich dentro de microtúbulos seriam necessários
para criar as condições certas. Mas neste caso, a teoria seria que moléculas de
água dentro do canal central de um microtúbulo -- ou possivelmente firmemente
ligadas por forças eletrostáticas à superfície exterior de um túbulo que
ficariam alinhadas em um campo eletromagnético quantizado. Hameroff defende que
há bastante teoria física para sugerir que em tal estado ligado ou estruturado a
água emitirá fótons e estes se propagariam pelo microtúbulo sem absorção. Em
efeito, os tubos de proteína apertariam energia de luz coerente da água
apanhada, como lasers orgânicos minúsculos, e então canalizariam a luz por
rodovias e caminhos de desvio do citoesqueleto de uma célula.
Hameroff desenvolveu sua teoria de computador óptico quântico com vários
colaboradores incluindo Mari Jibu e Kunio Yasue da Universidade Notre Dame
Seishin no Japão, e Scott Hagan da Universidade McGill no Canadá. Mas novamente,
há muito pouca evidência de que quaisquer dos supostos blocos de construção da
teoria estão em lugar, muito menos que computação de microtúbulos pode servir
como uma explicação da consciência. As teorias de Frohlich de coerência quântica
em larga escala em sistemas biológicos são amplamente contestadas e os físicos
têm procurado evidência de tais campos durante 20 anos. Além disso, há boa razão
para acreditar a partir da física estabelecida que o alinhamento delicado de
campos magnéticos requerido pelas teorias de Frohlich seria impossível nas
temperaturas relativamente quentes de tecidos vivos. Coerência quântica em
grande escala só é encontrada em sistemas muito frios e altamente ordenados,
como em metais que foram esfriados à temperatura do hélio líquido e assim se
tornam supercondutores, ou em um sistema de energia pura poderosamente
alimentado, como um laser. Parece certo à maioria dos físicos que dentro do
interior quente, como a sopa de uma célula, o empurra-empurra constante de
movimentos térmicos fortuitos rapidamente quebraria mesmo momentos passageiros
de alinhamento quântico.
Físicos podem achar dúzias de outras razões para rejeitar as idéias de
computador ópticas de Hameroff. Não há nenhuma evidência de que haja água
estruturada dentro de microtúbulos. Não há nenhuma evidência de que água
estruturada emita fótons. Não há nenhuma razão para pensar que microtúbulos
poderiam confinar tais fótons e poderiam canalizá-los a destinos distantes mesmo
que existissem. Virtualmente toda ligação no argumento de Hameroff parece ser
pura especulação. Em reuniões de corredor e intervalos para o café durante a
conferência, céticos estavam expondo sua descrença nos vôos incontidos de
fantasia dele.
Mas ainda destemido, Hameroff continuou. Não só ele expôs sem hesitação suas
teorias -- sua conferência era sem dúvida a mais aberta da conferência, completa
com animações de computador de moléculas de tubulina vibrando -- mas ele
continuou para estender sua colcha trabalhos de especulação, esperando construir
novas alianças abraçando as idéias de outros.
Em um aceno para as teorias holográficas de Karl Pribram, Hameroff defendeu que
a holografia poderia ser a chave para como um citoesqueleto de computação óptica
poderia realizar processos mentais como a memória e o pensamento. Fótons
poderiam ser disparados por fendas especiais nas paredes de um microtúbulo para
rabiscar mensagens holográficas no gel citoplasmático próximo. A própria
convicção de Pribram é de que a holografia é algo que tem lugar entre as células
do cérebro, ao invés de dentro delas, e ele criou modelos matemáticos detalhados
de como neurônios poderiam armazenar informação em campos de potencial elétrico
gerados pelas ramificadas extremidades dendríticas. Não obstante, Pribram foi
claramente agradado por achar uma face amigável para emprestar apoio geral a ele
e a sua abordagem holográfica.
Em outra hábil manobra, Hameroff conseguiu se aliar com Roger Penrose. Antes de
ser convidado como um orador honrado na conferência de Tucson -- e também de ser
um convidado de Hameroff em uma agradável expedição de acampamento de uma semana
ao Grand Canyon -- Penrose não tinha estado pensando ao longo das linhas do
microtúbulo. De fato, depois de lidar bastante indiferentemente com alguns
possíveis mecanismos biológicos pelos quais o cérebro poderia dominar as forças
quânticas -- como neurônios especiais sensíveis ao quantum espremidos no coração
do cérebro -- Penrose tinha chegado a sentir que até mesmo a teoria quântica
ordinária provavelmente não era capaz de explicar a consciência. Penrose estava
defendendo que uma nova forma da teoria quântica, uma que unisse o mundo das
forças quânticas subatômicas com a força da gravidade, teria que ser
desenvolvida antes que a ciência realmente pudesse dar o próximo passo de
desejar saber como o cérebro poderia lidar com os efeitos quânticos.
A convicção geral de Penrose era que muito do cérebro provavelmente opera como
um computador. Ele se comportaria como uma máquina calculadora mastigando a seu
modo programas para produzir resultados previsíveis, mas provavelmente
inconscientes. Porém, a faísca extra que permitia à mente humana ser criativa e
ter livre arbítrio deveria se originar de alguma profunda incerteza quântica de
dentro de sua conexão elétrica. Ele acreditava que o colapso de uma função de
onda quântica -- a transição de um sistema de um mar de possibilidades para um
resultado definido -- era provocado pelo próprio peso gravitacional do sistema.
A energia espalhada de uma partícula exerceria uma atração gravitacional fraca
mas decisiva em si mesma que serviria para colapsá-la em forma. Aplicando este
tipo de colapso de "gravidade quântica correta" para a ligação elétrica do
cérebro humano, Penrose argumentou que circuitos neurais poderiam explorar
muitos caminhos alternativos de pensamento durante uma fração de segundo,
procurando no escuro pelo melhor resultado antes de alcançar algum limiar de
nível de energia gravitacional para colapsar em um estado definido, consciente.
As idéias de Penrose poderiam ser bastante incertas, mas como um grande nome na
consciência quântica, Hameroff precisava dele a seu lado. Depois de algumas
longas discussões amigáveis, Penrose começou a emprestar apoio cauteloso à idéia
de microtúbulos. Em Tucson, Penrose pronunciou que seus cálculos mostravam que a
suposta freqüência de vibração de nanosegundo de moléculas de tubulina pelo
menos colocaria os microtúbulos na faixa certa para lidar com efeitos quânticos.
Depois da conferência, seu apoio aumentou. Penrose aceitou ser co-autor de um
documento científico com Hameroff e ele incluiu calorosos elogios à teoria de
microtúbulos em seu livro seguinte sobre consciência quântica, Shadows of the
Mind, que foi publicado posteriormente naquele ano.
A saga de Hameroff e seus microtúbulos diz muito
sobre o estado presente das ciências da mente. Os cientistas oficiais da mente
-- os psicólogos e neurologistas -- não têm satisfeito uma sede natural por
explicações. Na ausência de uma teoria padrão aceita -- ou até mesmo de uma
abordagem padrão para a formulação de teorias -- várias teorias populistas
floresceram. A hipótese quântica, em particular, teve todos os ingredientes
certos para receber ampla atenção. É grandiosa e misteriosa. Parece se focalizar
em tudo aquilo que nós consideramos mais especial sobre a mente humana -- sua
inventividade, seu senso de autodeterminação, sua coerência impressionante. A
consciência quântica era uma idéia à qual era possível se apaixonar. Mas ser
atraente não torna algo correto.
Talvez a evidência mais convincente para a ingenuidade dos teoristas quânticos
não venha das falhas em seus próprios argumentos, mas simplesmente de quantas
dificuldades neurocientistas reconhecidos têm tido em desenvolver sua própria
descrição conexionista do processamento do cérebro. Diferentes de Hameroff e
outros, os conexionistas têm dados em grande volume. Dezenas de milhares de
experiências foram executadas e documentos escritos. Mas apesar desta riqueza de
detalhes, uma história de como os neurônios poderiam computar ou até mesmo
representar estados conscientes está provando ser inacreditavelmente difícil de
elaborar.
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Going Inside
- a tour around a single moment of consciousness, de John McCrone, publicado em
março de 1999 por Faber & Faber em Londres (ISBN 0 571 17319 5).