- De Cthulhu à Clonagem
- Um exame crítico do papel que o mito Cthulhu
de Lovecraft desempenhou em armar o cenário para a hipótese de deuses
astronautas com uma ênfase nas conexões entre autores "alternativos".
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- INTRODUÇÃO
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O conceito de extraterrestres disfarçados como
deidades existiu de uma forma ou de outra ao longo do todo século 20 e já
adentra o 21. Como apenas um de um punhado de mitos modernos capaz de gerar
um fluxo enorme de dinheiro nas mãos de seus proponentes (um dos outros
sendo o mito OVNI relacionado), esta lenda cresceu exponencialmente para
abranger uma gama extensa de crenças pseudo-científicas e fantásticas .
Estas tentativas mal-direcionadas de explicar o passado antigo em condições
futurísticas têm conseqüências diretas para a vida moderna.
PRECURSORES DO MITO
- O final do século 19 estava repleto de contos fantásticos de romance
científico, como H.G. Wells os chamava. O mundo estava na agonia da
revolução industrial e os avanços notáveis em tecnologia que a acompanhavam.
Para aqueles vivendo nessa época, parecia que um mundo ilimitado de avanço
científico havia sido aberto à sua frente.
Graças à teoria da evolução de Charles Darwin, o materialismo científico
se tornou a religião de facto e não oficial da inteligentsia, e a religião
organizada se tornou um método primitivo e antiquado de observar e entender
o mundo. Por conseguinte os arquétipos da religião precisaram de uma saída
nova para permanecerem atuais. Esta mudança no pensamento religioso se
tornaria um componente fundamental na teoria de deuses astronautas.
Foi nessa época que os primeiros relatos fictícios de extraterrestres
emergiram nos trabalhos como a
Guerra de Mundos de Wells. Ao mesmo tempo, o erro de tradução de
Percival Lowell dos canali italianos e a qualidade pobre das imagens de
canais não-existentes em Marte tinham convencido o mundo que uma civilização
marciana não era só ficção mas uma realidade científica. Mais ou menos neste
tempo, o objeto misterioso parecido com um aeróstato visto sobre os EUA e
chamado o Grande Mistério do Aeróstato fez muitas pessoas acreditarem que os
marcianos possuíam aeróstatos capazes de invadir a Terra. Esta vontade de
acreditar faria um século depoisos deuses astronautas mais que apenas uma
teoria.
Nos anos vinte, aliens começaram a ocupar seu espaço na cultura mainstream
por exposição na nova mídia que era o filme. Uma adaptação de
Da Terra à Lua de Júlio Verne se tornou um dos primeiros filmes a
caracterizar extraterrestres. Muitos espectadores ingênuos acreditaram que
os aliens eram reais porque não podiam compreender os conceitos por detrás
de uma mudança tão radical no entretenimento como o filme. Esta credulidade
inerente das massas também faria sua parte no mito de deuses astronautas.
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ORIGENS DO MITO
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No fim dos anos vinte um autor obscuro chamado
Howard Phillips Lovecraft começou a publicar em revistas populares
uma série de histórias; estórias que a ficariam registradas como o Mito
Cthulhu [NdoT: lê-se ku-thul-rru]. Estes contos se centravam em
um grupo de entidades transdimensionais e extraterrestres que serviram
como deidades ao homem primitivo. Lovecraft escreveu que Cthulhu e os
Grandes Antigos, como ele (às vezes) chamou os deuses alienígenas,
vieram de estrelas escuras. Alguns viveram em um planeta que ele chamou
de Yuggoth e identificou nos anos trinta com o planeta recentemente
encontrado, Plutão.
Em "O
Chamado de Cthulhu" [Call of Cthulhu], Lovecraft dispôs os
fundamentos de seu conceito mitológico. Ele disse que muitos milênios
atrás, os Antigos vieram de outros planetas e estabeleceram residência
na Terra. Quando as estrelas estavam erradas eles não podiam viver,
assim eles desapareceram sob o oceano ou voltaram aos seus mundos de
origem onde usaram poderes telepáticos para comunicar-se com o Homem.
Central ao mito de Lovecraft, os Antigos formaram um culto e uma
religião que adorava os aliens como deuses. Nas histórias, os Antigos
pairam a meio caminho entre puros extraterrestres e verdadeiros deuses,
como requer o enredo. Em seu romance
Nas Montanhas da Loucura [At the Mountains of Madness], ele
escreveu que uma espécie dos Antigos criou o homem para servi-los,
iniciando as primeiras civilizações humanas: Atlântida, Lemuria e Mu.
Lovecraft usou as mitologias suméria, egípcia e grega como base para os
seus semideuses monstruosos. Ele disse que seu deus-mensageiro
Nyarlathotep era um membro do panteão egípcio. Ele identificou o
peixe-deus fenício Dagon (anteriormente Oannes) como o próprio Grande
Cthulhu, e assim se tornou a primeira pessoa a ligar extraterrestres a
religiões antigas. Entretanto Lovecraft nunca alegou que suas histórias
eram qualquer coisa além de ficção.
No oposto extremo, outro escritor de ficção científica,
L. Ron Hubbard, começou a brincar com o tema de extraterrestres como
protagonistas em uma batalha cósmica. Hubbard flertou brevemente com o
Satanismo sob a orientação do já idoso Aleister Crowley, mas decidiu
forjar sua própria crença religiosa idiossincrática. Pela metade do
século ele estava a caminho de fundar a Cientologia, construída na
premissa de que aliens entraram em uma batalha cósmica um milhão de anos
atrás e os perdedores caíram na Terra onde eles modificaram
geneticamente o
Homo erectus para carregar seus genes. Não há nenhuma evidência
direta de que Hubbard leu Lovecraft, mas já que ambos os homens
escreveram ficção científica para revistas populares nos anos trinta, é
improvável que Hubbard desconhecesse os trabalhos de seus rivais. Na
realidade, já que Hubbard freqüentemente era alvo de suspeitas de roubar
ou apropriar-se de idéias alheias como suas (ver
Bare-Faced Messiah de Russel Miller), esta identificação com o
mito de Cthulhu não está fora de cogitação. Hubbard tornou-se amigo de
L. Sprague De Camp, um protegido de Lovecraft, e os dois passariam
freqüentemente noites inteiras compartilhando histórias.
Indubitavelmente, algumas delas devem ter se relacionado com o mentor de
De Camp, Lovecraft. De qualquer modo, Lovecraft e Hubbard criaram
religiões baseadas em extraterrestres. Foi apenas Hubbard que alegou que
a sua era real.
Ao mesmo tempo, o mito OVNI moderno se desenvolveu das tentativas de
Hollywood para filmar histórias de ficção científica sobre
extraterrestres. As lendas mais famosas são o alegado acidente de OVNI
em Roswell, Novo México em 1947 e a abdução de Betty e Barney Hill nos
anos sessenta. O governo explicou o evento de Roswell como um balão
meteorológico caído, mas essa resposta não ressonou bem com os crentes
que insistiram que o folclore local sobre alienígenas mortos era
verdade. Quando a história de abdução dos Hill entrou em pauta por sua
semelhança com o filme
Invasores de Marte e um episódio de Quinta Dimensão
veiculado apenas alguns dias antes, verdadeiros crentes acharam modos de
contornar o peso da evidência e umas série de novas abduções apareceu.
Com o público desconfiando de explicações oficiais e preparado para
aceitar a realidade de extraterrestres, o sucesso da hipótese de deuses
astronautas estava garantido antes mesmo que ela fosse redigida.
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Eram os Deuses Astronautas?
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Nos anos cinqüenta o pseudocientista russo Immanuel Velikovsky avançou
sua teoria de catastrofismo periódico em uma série de livros, o mais
famoso dos quais era
Mundos em Colisão. Ele postulou que o cinturão de asteróides veio
de um planeta explodido, e disse que Vênus era um cometa ou asteróide
que passou perto da Terra causando inundações. Ele disse que mitos
antigos de fogos no céu relacionavam-se à passagem de Vênus. Para fazer
esta reivindicação, mitos precisavam ser lidos literalmente com um olho
tecnológico. Em seu zelo para provar sua refutação do
uniformitarianismo, Velikovsky forneceu a ligação final entre
extraterrestres e o homem antigo. Pela primeira vez histórias antigas de
deuses e monstros se tornaram histórias literais.
No outro lado do mundo o professor Charles Hapgood seu Caminho do Pólo
[Path of the Pole] (1958: originalmente Earth's Shifting Crust) e
Mapas dos Antigos Reis dos Mares [Maps of the Ancient Sea-King]
(1966), no qual ele argumentava que mapas antigos mostram claramente a
influência de uma civilização pré-Era Glacial capaz de mapear o mundo.
No primeiro livro Hapgood defendeu que a crosta terrestre desliza em um
pedaço, como uma casca de laranja solta, destruindo a civilização a cada
20.000 anos aproximadamente. Este pensamento deriva do movimento de
catastrofismo ressurgente de Velikovsky dos anos cinqüenta. No segundo
livro, Hapgood reconstrói mapas enigmáticos para provar que os antigos
possuíam um conhecimento detalhado de geografia. Suas reconstruções se
assentavam na suposição de que os mapas originais, que serviram de fonte
da qual os antigos traçaram os seus mapas, eram perfeitos e seguiam
projeções modernas. Conseqüentemente, ele estava destinado a concluir
que os mapas de fonte eram perfeitos, já que esse era o conceito
original. O trabalho dele prosseguiria para influenciar grandemente o
pai da teoria de deuses astronautas,
Erich von Däniken.
Em 1968 von Däniken publicou seu magnum opus, Eram os Deuses
Astronautas? no qual ele postulou que os trabalhos antigos do homem,
das pirâmides de Egito às enigmáticas linhas de Nazca, eram o trabalho
de extraterrestres que vieram à Terra e deram civilização ao gênero
humano. O livro rapidamente vendeu milhões de cópias, gerando milhões de
seguidores leais e se ramificando em uma adaptação cinematográfica de
Rod Serling,
Eram os Deuses Astronautas?.
Não há nenhuma evidência direta de que von Däniken leu Lovecraft ou seguiu
Hubbard, mas é duvidoso que um homem jovem obcecado com o fantástico
poderia ter sido ignorante do mito de Lovecraft, mesmo que por um relato
de segunda-mão. Nos anos sessenta, Cthulhu e seus minions haviam
entrado, até mesmo tangencialmente, em centenas de histórias e romances
do estranho e fantástico porque Lovecraft, que morreu em 1936, havia
encorajado seus fãs a usar as suas criaturas fictícias em suas próprias
histórias. Isto foi feito para dar um ar de verossimilhança aos contos.
Durante os anos sessenta muitas pessoas foram à procura dos deuses de
Lovecraft, acreditando que eram reais. Até mesmo se von Däniken nunca
leu "Chamado de Cthulhu", a idéia estava em voga.
Von Däniken admitiu a dívida que ele tinha com Hapgood e Velikovsky
livremente. Os livros dele são atados com referências liberais aos
trabalhos deles. Von Däniken teve bastante tempo para ler Velikovsky e
Hapgood porque estava na prisão. Von Däniken disse que escreveu Eram os
Deuses Astronautas? Enquanto trabalhava como um aprendiz de hotel com 19
anos (ele nunca terminou a escola). Isto colocaria o livro dele em 1954,
contudo o livro não foi publicado até 1968, o mesmo ano em que seu
encarceramento terminou. Apesar das sugestões dele em
Eram os Deuses Astronautas que sua prisão foi levada a cabo pela
oposição às suas teorias radicais, registros suíços mostram que ele foi
preso aparentemente por desfalque, depois de ter gasto 40.000 francos
suíços que pertenciam ao hotel dele para pagar uma viagem ao redor do
mundo. Ele alegaria depois que esta viagem era pesquisa para seu livro.
Na realidade, o único modo de colocar
Eram os Deuses Astronautas antes de Hapgood seria assumir que a
excursão pelo mundo de von Däniken contou como escrever o livro dele.
Mas uma vez que Hapgood e Velikovsky são mencionados em
Eram os Deuses Astronautas, isto está obviamente errado.
Von Däniken alegou que seu livro mudaria o mundo: "Até mesmo se um
exército reacionário tentar represar esta inundação intelectual nova, um
mundo novo deve ser conquistado à revelia de todos opositores em nome da
verdade e realidade." Infelizmente, muito de
Eram os Deuses Astronautas e suas seqüências imediatas
Deuses do Espaço Exterior (1970) e Ouro dos Deuses (1972)
é anedótico, desinformação ou simples invenção. No meio dos anos 90 von
Däniken admitiu que parte do material de
Eram os Deuses Astronautas original foi inventado, mas complementou
que a fraude era necessária para vender a "verdade" aos incrédulos. Até
hoje, crentes compraram milhões de cópias dos 25 livros dele, e muito
poucos questionam a validez de seus argumentos.
As muitas faltas e falhas de Eram os Deuses Astronautas e suas
seqüências não detiveram a comunidade UFO e paranormal, buscando
credibilidade avidamente, de adotar a visão de Däniken como a versão não
oficial da história pela qual eles interpretariam eventos modernos. Em
1976, as teorias de von Daniken se ramificariam em duas direções
conduzindo ultimamente ao mundo estranho da história alternativa e
clonagem humana. Nesse ano
Robert Temple
publicou
O Mistério de Sírio e
Zecharia Sitchin publicou
O Décimo segundo Planeta, cada um um grande marco na visão de
mundo paranormal.
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O MISTÉRIO DE SÍRIO
-
Filip Coppens defende em seu
website que o Mistério de Sírio de Temple é o mais importante dos
dois trabalhos de 1976 porque o livro de Temple atingiu o status de um
trabalho semi-científico. Nele, Temple alega que a tribo Dogon de África
ocidental obteve conhecimento esotérico da natureza binária da estrela
Sírio por contato com o Egito antigo. Ele prosseguiu para reivindicar
que o Egito recebeu sua sabedoria sobre estrela dois-em-uma Sírio de
alienígenas anfíbios daquele sistema estelar que vieram à Terra e
fundaram uma civilização sob o disfarce do deus-criador sumério Oannes,
conhecido na Bíblia como Dagon que nós vimos Lovecraft identificar como
seu deus-alienígena Cthulhu.
Temple construiu sobre a ciência corrente de então e relacionou seus
resultados à dissertação científica Hamlet's Mill de Georgio Santillana
e Hertha von Deshund. Esse livro fez a alegação de que os antigos tinham
um conhecimento muito sofisticado de astronomia que eles codificaram em
seus mitos e religiões. Temple levou isto um passo mais adiante e
atribuiu aquele conhecimento aos anfíbios moradores de Sírio.
Em seu livro que no geral é fantasioso e não-confiável, A Conspiração
Stargate [The Stargate Conspiracy], Lynn Pickett e Clive Prince
descobriram que Temple recebeu grande influência de Arthur Young, seu
mentor. Young era um crente nos Nove, um grupo de entidades psíquicas
dos anos cinqüenta que se dizia representar os nove deuses-criadores do
Egito antigo. Significativamente, estes Nove declararam (através de
médiuns) que eram extraterrestres do sistema estelar Sírio. Young
assistiu ao primeiro contato com os Nove em 1952, iniciado por Andrija
Puharich que ficou famoso como o homem que trouxe o suposto paranormal
entortador de colheres Uri Geller para a América nos anos setenta. Os
Nove parecem muito influenciados pela quasi-mística
Egiptologia-Satanista de Aleister Crowley que influenciou a Cientologia
de Hubbard. Os Nove somaram uma dimensão extra aos OVNIs que estavam às
voltas com o incidente Roswell.
Pickett e Prince concluem que o Mistério de Sírio de Temple representa a
tentativa de um homem jovem para agradar seu mentor, e eles descobriram
que o conhecimento esotérico dos Dogon a respeito de Sírio foi fornecido
pelos antropólogos que estudaram a tribo, Marcel Griaule e Germaine
Dieterlen. O antropólogo Walter van Beek falou com os Dogon em 1991:
"Todos concordam. . . que eles aprenderam sobre a estrela de Griaule."
No entanto Temple deu uma adição sem igual à mitologia crescente sobre
ancestrais cósmicos. Em O Mistério de Sírio Temple identifica cidades
gregas e egípcias específicas com estrelas, e ele faz a afirmação
extraordinária de que certos oráculos centrais Greco-egípcios, como o
Oráculo de Delphi, formam um quadro gigantesco da constelação Argo. Pela
primeira vez as estrelas tinham uma imagem na Terra.
Esta interpretação única de construções antigas foi rapidamente notada por
um ex-agrimensor e arqueólogo amador chamado
Robert Bauval.
Ele buscou aplicar os mapas estelares de Temple a construções egípcias
antigas. Bauval notou uma semelhança entre o plano das três pirâmides de
Gizé e as três estrelas do cinturão na constelação Orion. Quando ele
usou os Textos da Pirâmide para identificar um com o outro, ele soube
que tinha algo importante. Ele se associou com Adrian Gilbert para
escrever O Mistério de Orion (1994). Gilbert era famoso por seu livro As
Profecias Maias, onde ele usou o último dia do calendário maia, 23 de
dezembro de 2012, como o dia do Armageddon em uma predição de destruição
cósmica.
A teoria de Bauval teve uma elegância simples que faltava às tentativas
prévias de reescrever a história. O alinhamento pirâmide-estrela parecia
lógico e convincente. Então Bauval levou isto um passo mais adiante e
reivindicou (porque Hamlet's Mill disse assim) que os egípcios entendiam
os movimentos das estrelas com o passar do tempo, a precessão dos
equinócios, que faz uma volta pelas estrelas ao redor do céu cada 25,800
anos. Portanto, as pirâmides devem estar alinhadas precisamente às
estrelas. Bauval alegou que as pirâmides combinavam com as estrelas
apenas em uma data: 10.500 AC. Logo, a civilização deve ter essa idade.
Ao mesmo tempo o autor e jornalista britânico
Graham Hancock chegou ao Egito para explorar o trabalho do guia de
excursão
John Anthony West e
o geólogo aventureiro Robert Schoch que diziam ambos que a grande
Esfinge datava ao redor de 10.500 AC com base em evidência de que a
estátua tinha sido submetida à água da chuva. Hancock tinha se
interessado por mistérios antigos como resultado da procura dele pela
Arca da Aliança e o sucesso subseqüente do livro dele sobre o assunto,
O Sinal e o Selo. Ele buscou mistérios novos para trazer
aos seus leitores, e assim as maravilhas de Egito eram um lugar bom para
começar. Hancock se encontrou com Bauval e os dois ficaram rapidamente
amigos. Hancock publicou então o seu tomo volumoso Digitais dos Deuses
[Fingerprints of the Gods] (1995) e escreveu uma seqüência, Mistério da
Esfinge (1997) com Bauval.
Nesses livros Hancock expôs sua teoria inspirada em Temple e Däniken de
que as maravilhas antigas, como a megalítica Tihuanaco e as Pirâmides,
eram o trabalho de uma civilização perdida que desapareceu com a Era
Glacial. Hancock usou muito da mesma evidência que von Däniken mas
dispensou os extraterrestres, encaixando sua lógica na mitografia de
Hamlet's Mill. Hancock defendeu que mudanças sutis nas estrelas eram a
força motriz por trás de mitos antigos. Muito similar aos Antigos de
Lovecraft para os quais quando as estrelas estavam erradas, eles não
podiam viver, Hancock insinuou que o ciclo de precessão trouxe consigo o
começo e o fim de civilizações.
Como as fraudes do século 19 e começo do século 20 de Lemuria e Mu que
Lovecraft emprestou para sua civilização antiga, Hancock viu o mundo
perdido antigo como um de alta tecnologia e cultura. Entretanto quando
ele e Robert Bauval escreveram O Mistério de Marte (1998), a visão deles
havia mudado. Os autores reivindicam agora que a civilização perdida
pode ter sido destruída por um asteróide durante uma chuva de meteoros
que também destruiu a civilização marciana. Eles implicam que antes
disto, Marte e Terra podiam ter sustentado contato por causa do Rosto em
Marte. Eles especularam que talvez os marcianos tenham dado sua
civilização para a Terra, seguindo o trabalho de
Richard
Hoagland, um pesquisador inspirado em von Däniken.
Ainda hoje Hancock é o rei da história alternativa e as teorias dele
influenciam a ciência. Hoje em dia alguns estudiosos começaram a
acreditar que as Pirâmides representam Orion, e muitos Egiptologistas
começaram a examinar o papel de estrelas e alinhamentos estelares na
história antiga. Embora isto não seja exclusivamente o resultado dos
livros de Hancock, o poder de mercado dele forçou a ciência a reagir e
incorporar alguma da evidência dele, junto com a de outros
investigadores, no pensamento mainstream.
Até hoje, foram relacionados muitos monumentos a constelações e imagens de
estrelas. Eles incluem os templos de Ankgor Wat (Draco), o Campo de
Pirâmide chinês (Gêmeos) e as catedrais de Notre Dame na França
(Virgem).
No fim, o Cthulhu de Lovecraft penetrou na ciência e mudou a forma de
conhecimento humano. Mas o outro lado deste quadro é mais negro e
perturbador. Essa história origina-se do outro livro de 1976.
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O DÉCIMO SEGUNDO PLANETA
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Zecharia Sitchin irrompeu em cena na onda do furor de Däniken. Sitchin
acreditava firmemente n a hipótese de intervenção extraterrestre na
história antiga e buscou aplicar o conhecimento dele de cuneiformes
sumérios e hieróglifos para fornecer evidência para ajustar-se à sua
teoria. Interpretando mitos antigos livremente e os combinando com a
"prova" de Däniken, Sitchin pôde tecer um conto de deuses astronautas
que partem do planeta escondido Niburu ou Marduk (o Décimo segundo
Planeta - os outros sendo os nove planetas, o sol e a lua) e chegando na
Terra onde eles extraíram ouro para salvar o seu planeta - bem parecido
aos Yuggoth de Lovecraft. O planeta, é claro, caiu no sistema solar e
através de físicas estranhas criou a Terra esmagando outro planeta no
cinturão de asteróides. Isto tudo teria acontecido há aproximadamente
450.000 anos atrás, segundo Sitchin. Ele chamou o líder dos alienígenas
Marduk, devido ao deus babilônico; e ele adicionou que os criados
daquele Marduk eram os Annunaki, os 50 deuses sem rosto dos Sumérios aos
quais Temple comparou à órbita de 50-anos das estrelas Sírio uma ao
redor da outra. Os Annunaki farão outro aparecimento antes do fim deste
documento.
Sitchin construiu sobre von Däniken e Velikovsky, acrescentando ao mito um
aspecto único. Se extraterrestres deram a civilização ao homem, por que
eles não podem ter criado o homem, uma vez que a Bíblia diz que Deus
criou o homem a sua própria imagem? Sitchin alegou que fontes sumérias
indicam claramente que a expedição para a Terra exigiu que os Annunaki
criassem a raça humana e a clonassem em larga escala para fornecer
trabalho escravo para suas operações de mineração de ouro - não muito
diferente dos Antigos de Lovecraft. Ele continua para dizer que o homem
e os deuses têm lutado há milhares de anos, moldando o destino humano.
Ele reivindica conhecer a identidade de Yahweh, o Deus hebreu, mas
lembra que as pessoas devem comprar seu mais recente livro para conhecer
essa revelação.
Sitchin buscou credibilidade se distanciando do movimento OVNI. Ele disse
que havia diferenças claras entre encontros OVNI antigos e os modernos.
Ele implicou que os alienígenas modernos são de uma espécie diferente,
sem conexões com os deuses antigos. Para ele, os deuses astronautas
partiram da Terra e deixaram sua marca em Marte que eles usaram como uma
parada de descanso no caminho de volta para o Décimo segundo Planeta.
Na página 163 de O Décimo segundo Planeta, Sitchin apresenta um desenho
feito à mão, sem citação, presumivelmente de um cilindro Sumério com
asas encimadas por um pássaro, do qual ele perguntou "O que ou quem era
a Águia que levou Etana aos céus distantes? Nós não podemos evitar
associar o texto antigo com a mensagem enviada para a Terra em julho de
1969 por Neil Armstrong, comandante da nave Apolo 11: Houston! Base de
tranqüilidade falando. A Águia pousou”. Como
Paul Hafernik mostra, este argumento é insensato. Nos faz pensar por
que estes autores de deuses astronautas são obcecados com foguetes.
Afinal de contas, civilizações avançadas deveriam ter ido logicamente
além da necessidade por foguetes ineficientes movidos a combustível
[químico]. Porém quando estes livros foram escritos, foguetes eram o
ápice da tecnologia.
Até hoje mais de 30 livros por outros autores seguiram a mesma linha da
produção prolífica de Sitchin. Mas os fãs de Sitchin são um grupo leal.
Quando um dos autores que apóiam a hipótese de Sitchin discordou com ele
no ponto do foguete, pedras choveram da comunidade paranormal.
Alan F. Alford escreveu para Deuses
do Novo Milênio [Gods of the New Millenium] (2000) no qual ele discordou
com a reivindicação de Sitchin de que as ressurreições na mitologia se
referiam a foguetes levando aliens Annunaki de volta ao seu planeta. No
dia 6 de abril de 2000 Alford que chama a si mesmo a voz do bom senso
escreveu em seu website que a teoria de Sitchin estava errada: "Eu
comecei a perseber (sic) [o erro original é 'realise'] que os deuses
egípcios antigos não eram extraterrestres de carne-e-osso. Pelo
contrário, os deuses egípcios eram personificações de poderes
celestiais." Leitores protestaram às centenas e Sitchin exigiu que
Alford não criticasse mais sua teoria. Longe do debate de mente aberta
que os autores alternativos supostamente encorajam, esta dissensão
incitou uma tremenda revolta ortodoxa contra o herege.
Mas Sitchin escreveu muitos (muitos, muitos, muitos) outros livros, e a
filosofia dele influenciaria muitos autores por vir. Por exemplo, David
Childress escreveu um livro sobre alta tecnologia antiga (inclusive
bombas atômicas) intitulado, muito propriamente, Tecnologia dos Deuses
(2000). Porém, o impacto mais duradouro de Sitchin adentra no reino da
religião.
Sir Laurence Gardner é o historiador oficial para a Casa dos
Stewart, e ele localizou a linhagem dos Stewart de volta às crianças
presumidas de Cristo em seu best-seller Linhagem de sangue do Cálice
Sagrado [Bloodline of the Holy Grail] (1996) no qual, incidentalmente,
ele identificou as catedrais de Notre Dame com Virgem. No livro novo
dele a Gênese dos Reis do Cálice [Genesis of the Grail Kings] (2000),
Gardner argumenta que os Stewart descendem, através de Cristo, e têm
suas últimas origens na linhagem de Davi, Rei de Israel. Davi, por sua
parte, descendeu de uma linhagem de reis Sumérios cuja religião
politeísta se transformou no Judaísmo. Gardner acredita que a linhagem
Davídica recebeu seu direito divino para reger devido à cegada dos
Annunaki, pelos quais ele adota a identificação de Sitchin com aliens.
Em uma nota mais obscura, tanto o Mistério de Sírio de Temple e o Décimo
segundo Planeta de Sitchin foram adotados avidamente por cultos OVNI que
buscam fornecer um fundo mítico e histórico para sua fé Nova Era de que
alienígenas benfeitores salvarão os eleitos na Terra em uma astronave.
Em 1998 o culto Heaven's Gate cometeu suicidio em massa enquanto
esperavam que uma astronave logo atrás do cometa Hale-Bopp recebesse
suas almas para transportá-las a um planeta Plutão oco, que Lovecraft
chamou de Yuggoth, a casa dos Antigos alienígenas.
Em uma veia semelhante, Claude Vorhillon afirma que no dia 13 de dezembro
de 1973 ele contatou um OVNI pilotado pelo Elohim (identificado com os
Annunaki) e recebeu uma revelação sobre humanidade. Em uma revelação
muito parecida com a Cientologia de Hubbard para ser coincidência, ele
soube que o homem era o produto geneticamente criado de experimentação
alienígena. Vorhillon mudou o nome dele então para Raël e batizou sua fé
nova de
Revolução Raëliana. A
igreja dele alega ter 55,000 membros em 84 países.
Raël reivindica que o Elohim (Annunaki) lhe falou em 1973, "Nós éramos
aqueles que fizeram toda a vida na Terra, você nos confundiu com deuses;
nós estávamos na origem de suas religiões principais”.
À primeira vista pareceria que esta fé é independente de Sitchin porque
foi fundada antes de Décimo segundo Planeta debutar. Porém, uma leitura
mais íntima da literatura Raëliana mostra que o primeiro livro Raëliano
não foi publicado antes de 1976, o ano dos livros de Temple e Sitchin; e
o culto decolou no começo dos anos 80. Só então os Raelianos começam a
acrescentar engenharia genética às suas doutrinas de fé. Desta forma,
aparentemente a crença Raël era originalmente um culto UFO/von Däniken
que assumiu as decorações genéticas e Annunaki (Elohim) depois que
Sitchin e Temple fizeram suas "descobertas". Sitchin é citado no website
Raëliano. Até mesmo se Raël chegou às idéias dele em 1973, ele poderia
tê-las obtido de sugestões nos trabalhos anteriores de Däniken que
Sitchin desenvolveu em suas teorias. Em resumo, as crenças Raëlianas se
originam claramente do movimento de deuses astronautas dos anos sessenta
combinado com o movimento OVNI simultâneo.
Embora a Revolução Raëliana pareça uma crença inofensiva, há uma questão
séria envolvida. Uma vez que os Raelianos acreditam que extraterrestres
criaram o homem por engenharia genética e clonagem, eles acreditam que é
o dever religioso deles clonar seres humanos. Os Raëlianos estão no
processo de clonar uma criança suíça de 10 meses cuja morte trágica
deixou seus pais de coração partido. Uma professora na Faculdade de
Hamilton em Hamilton, NY que é membro da Revolução Raëliana disse em
março de 2001 que o projeto de clonagem Raëliana estava quase completo e
o clone seria implantado dentro do mesmo mês. Eticistas elevaram
objeções imediatamente à clonagem, citando a taxa de fracasso alta e
considerações morais. A professora Brigitte Boisselier deixou seu cargo
em Hamilton em abril para buscar exclusivamente a clonagem, mas fechou
seu laboratório de clonagem no dia 30 de junho enquanto um júri federal
investigava o empreendimento de clonagem. Nenhum clone conhecido foi
produzido.
-
CONCLUSÃO
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Assim nós vimos como o mundo fictício de H.P. Lovecraft deu origem a
arqueologia alternativa, deuses astronautas e religiões novas. Nós
também vimos que cada um destes fenômenos produziu conseqüências
imprevistas que afetam a vida contemporânea. Da egiptologia à clonagem
humana, o Grande Cthulhu ainda persegue as perspectivas da mente humana,
mesmo que tenha desaparecido da visão direta e tente se mostrar com o
disfarce de ciência. O que começou como ficção se tornou nas mentes de
muitos fato inegável, com conseqüências muito além dos horrores da
ficção de Lovecraft.
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(c) Copyright Jason Colavito
Adendo do editor Ceticismo Aberto: Vários
itens citados rapidamente por Colavito, como o mapa de Piri Reis, a Guerra dos
Mundos de HG Wells, os Dogon e Sírio e os aspectos psicossociais do caso dos
Hill podem ser encontrados com mais detalhe em outras páginas deste website.
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