Ácido lisérgico de dietilamida, ou LSD, foi
um sacramento de artistas, pretendentes a profetas e outros grupos
sociais desde os anos sessenta. Inventado em 1938 pelo químico Dr.
Albert Hofmann enquanto ele procurava por um analéptico (estimulante
circulatório), ele descobriu que não tinha nenhum efeito em animais de
laboratório e esqueceu tudo sobre o assunto. Anos depois, no fatídico dia de
16 de abril de 1953, ele absorveu acidentalmente um pouco de LSD pelas
pontas dos dedos e embarcou na primeira viagem de ácido. Por essa
época a CIA já tinha um programa em andamento há dez anos, procurando por
drogas de interrogatório e soros da verdade. Eles tinham lidado com cafeína,
barbitúricos, peyote e maconha. Eles também tentaram conseguir que sujeitos
matassem enquanto estivessem sob hipnose, levando a uma operação que parece
saída dos enredos de comédias. Martin A. Lee e Bruce Shlain relatam
em seu livro
Acid Dreams: The CIA, LSD, and the Sixties Rebellion, que antes de 1953
a CIA havia autorizado o projeto MK-ULTRA, com o objetivo de aperfeiçoar
drogas de controle da mente durante a Guerra Fria.
Concebido por Richard Helms do Departamento de
Serviços Clandestinos (sim, a CIA realmente dá para seus departamentos
nomes bobos assim), ele foi além da construção de meros soros da verdade e
se aventurou em desinformação, indução de loucura temporária e outros
estados quimicamente-induzidos. O diretor do MK-ULTRA, Dr. Sidney Gottlieb,
concluiu que o potencial do LSD como agente interrogatório mal se comparava
com a sua capacidade para humilhar publicamente. Lee e Shlain notam que a
CIA imaginou que fazer uma figura pública embarcar em uma viagem poderia
ser divertido, produzindo um memorando dizendo que dar ácido "a altos
funcionários seria algo relativamente simples e poderia ter um efeito
significante em reuniões fundamentais, discursos, etc." Mas Gottlieb
sabia que dar LSD a pessoas no laboratório era muito diferente de apenas
passá-lo para fora, e sentiu que o departamento não tinha uma noção adequada
de seus efeitos. Assim a operação inteira passou a ser aprender como tudo
era, e, de acordo com Lee e Shlain,
concordaram entre eles inserir LSD nas bebidas uns
dos outros. O alvo nunca sabia quando seria sua vez, mas assim
que a droga fosse ingerida um... colega lhe falaria para que ele
pudesse tomar as preparações necessárias (que normalmente
significavam tirar o resto do dia de folga). Inicialmente os líderes
do MK-ULTRA restringiram os teste surpresa de ácido a [seus próprios]
membros, mas quando esta fase tinha completado seu curso eles começaram
dosando outro pessoal da Agência que nunca tinha viajado antes. Quase
todo o mundo estava a risco, e viagens de ácido surpresa tornaram-se
algo como um risco ocupacional entre os funcionários da CIA....
O Escritório de Segurança sentiu que [o MK-ULTRA] deveria ter exercitado
um julgamento melhor ao lidar com tal substância química poderosa
e perigosa. A gota d'água veio quando um informante de Segurança
descobriu um plano de alguns brincalhões [do MK-ULTRA} para colocar
LSD no ponche
servido na festa anual de Natal do escritório da CIA... um escritor de
memorando de Segurança...concluiu indignada e inequivocamente que
ele 'não recomenda testar nas poncheiras de Natal presentes nas festas
de Natal do escritório.’
Com o fim da fase de teste em casa, o MK-ULTRA decidiu
usar a droga sorrateiramente na rua para medir seus efeitos. Eles
contrataram George Hunter White, oficial da narcóticos, para montar a
Operação
Clímax da Meia-noite (Midnight Climax), de acordo com Lee e Shlain,
"na qual foram contratadas prostitutas viciadas em droga para apanhar homens
nos bares locais e levá-los a um bordel financiado pela CIA. Os
clientes desavisados eram levados a bebidas com LSD enquanto White sentava
em um banheiro portátil atrás de espelhos de duas-faces, tomando
martínis e assistindo toda ação dopada e pervertida". Lee e Shlain
continuam e comentam, "quando [White] não estava operando um bordel de
segurança nacional", ele deu festas animais para seus "amigos da
narc[óticos]" com a provisão pronta dele de prostitutas e drogas. Ele enviou
vales para "despesas não ortodoxas" para Gottlieb, e depois disse, "eu era
um missionário muito secundário, de fato um herege, mas eu labutei de
coração nos vinhedos porque era divertido, divertido, divertido. Onde mais
poderia um garoto americano mentir, matar, trapacear, roubar, estuprar e
pilhar
com a sanção e benção do Todo Poderoso?" No caso de precisarmos
lembrar, estas alegações são apoiadas através de informação recentemente
liberada pelo governo. Sim, Virgínia, a verdade é mais estranha que
ficção.
Enquanto isso, de volta a casa, o general maior
William Creasy, oficial líder do Corpo Químico do Exército na época, achava
que substâncias químicas psicoativas como o LSD seriam as armas do futuro.
Ele sentia que, digamos, contaminar a provisão de água de uma cidade
com ácido e assumir o controle seriam muito mais humanitários que
bombardeá-la. "Eu não nego", ele contou à revista This Week em maio de 1959,
"que levar as pessoas à loucura até mesmo durante algumas horas não seja um
prospecto agradável. Mas guerra nunca é agradável... você preferiria ser
lesado temporariamente... por um agente químico ou queimado vivo...? " Isto
soa humanitário: por que matar se isso for desnecessário, não? Infelizmente,
Creasy não era só rosas. Lee e Shlain revelam que
O general maior Creasy lamentou o fato que testes
em larga escala de armas psicoquímicas foram proibidos nos Estados
Unidos. "Eu estava tentando levar a cabo, com uma boa história de
cobertura", ele murmurou, "testar para ver o que aconteceria em metrôs,
por exemplo, quando uma nuvem era lançada em uma cidade. Foi negado por
razões que sempre pareciam um pouco absurdas para mim.”
General maior? E eles dizem que o Exército é uma
verdadeira meritocracia.... De qualquer maneira, para não ser vencido
pela CIA, o Corpo Químico do Exército posteriormente chegou ao
benzilato de quinuclidinil, ou BZ, chamado de um super-alucinógeno.
Afetava os indivíduos durante três dias, "embora sintomas - dores de
cabeça, vertigem, desorientação, alucinações audíveis e visuais e
comportamento maníaco - sejam de conhecimento para persistir tanto quanto
seis semanas." Caramba!
Dr. Van Sim, chefe da Divisão de Pesquisa Clínica,
tentou todas as substâncias químicas novas nele antes de sujeitá-las a seus
voluntários. "Será que ele gostava de ficar alto, ou as viagens ácidas dele
eram simplesmente um dever patriótico? " perguntam Lee e Shlain.
Sim, que tinha experimentado ácido em "várias" ocasiões informou, "não é uma
questão de compulsão ou querer ser o primeiro a experimentar um material."
Ele descreveu a primeira experiência dele depois com BZ: "Ele me atingiu
durante três dias. Eu continuei caindo e as pessoas no laboratório nomearam
alguém para me seguir com um colchão." Ele posteriormente recebeu a
Condecoração por Serviço Civil Excepcional, citado por "se expor a 'drogas
perigosas' ao risco de dano pessoal sério". Falando em dormir no
trabalho....
Em torno de 2800 soldados foram expostos
subseqüentemente a BZ, a maioria deles conscientemente. O soldado da Força
aérea Robert Bowen notou que um pára-quedista perdeu temporariamente todo o
controle muscular e depois pareceu louco: "A última vez que o vi ele estava
tomando uma ducha usando seu uniforme e fumando um charuto." Nós
achamos que uma alternativa aceitável para um arsenal nuclear possa estar
por aqui, mas sentimos que poderia convir ao Governo deixar de abusar de seu
próprio exército e dirigir seus esforços exclusivamente a aqueles, digamos,
em posições de administração medianas.