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Viagem de ida e volta à encarnação errada
Natalia Otazúa, publicado em
Dios!
tradução gentilmente autorizada
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O editor de
Dios!
procurava uma cobaia que aceitasse ir a sua vida
anterior porque ele não tinha fé. Ao final
apareceu uma formosa voluntária. Natalia -jovem
jornalista do jornal La Prensa-, aceitou
o desafio: viajar com a ajuda de um guru. Nesta
crônica ela conta as peripécias de sua
atropelada viagem mística.
Tudo começou como uma diversão para
saciar minha curiosidade. Não imaginei que se
transformaria em uma experiência incrível. A
primeira impressão que me tive do mestre -ou
como se chame-, foi ruim: achei-o um charlatão.
O diálogo inicial não me convenceu. Mas tampouco
me fez desistir...
O mestre me fez recostar em uma poltrona, apagou
a luz e começou a falar para me tranqüilizar.
Uma parte de mim seguia tudo o que dizia. Mas
outra resistia a entrar nesse transe. A luta
entre essas duas forças não durou muito. Depois,
sem me dar conta, desvaneceu-se.
Quando entrei em situação, senti uma paz
absoluta. O corpo me pesava e tudo o que ele me
dizia se cumpria. Meus olhos começaram a sentir
o mesmo peso de meu corpo até que me pegaram as
pálpebras, a pedido do mestre.
Minutos depois pediu que me imaginasse em uma
habitação, com paredes brancas e uma venesiana
luminosa. Via tudo. Os aromas passaram por meu
olfato. Eu realmente percorria esse lugar.
Depois passei a outro espaço diferente. Desta
vez, contudo, não foi criado por ele. Eu mesma
descrevi o lugar. Era uma habitação branca,
forrada, cuja textura era um fundo de flores cor
rosa escuro. Havia uma cama de bronze, um
escritório e uma placa com um espelho interior
em uma de suas portas.
"Como te chamam?", perguntou o professor.
"Laura", respondi.
Descrevi-me com um vestido azul e celeste.
Quando pediu que me olhasse no espelho, senti
que era eu mesma. Mas o espelho não refletia
minha imagem. Era uma garota de 14 anos, com
cachos de cabelo cor castanha claro. A descrição
não coincidia em nada com minha aparência atual.
Mas, ao que parece, o espírito dessa garota era
o meu.
Então me perguntou com quem estava. Respondi-lhe
que estava sozinha e que me sentia muito
aborrecida porque meus pais não estavam. "Laura
-disse o guru- qual é seu sobrenome?". Fiquei
calada tratando de me lembrar. Mas eu não
registrava um sobrenome. "Não importa", seguiu.
Pediu-me que remontasse a meus 20 anos. Foi
fácil. "Onde está?", perguntou. Lá estava eu,
entrando em um edifício com tijolos à vista e
vários pisos de altura. Em um pôster retangular
se lia: "Universidade da Califórnia". Contei-lhe
que cursava direito. Mas que eu não gostava de
estudar porque meus pais me obrigavam. "Em que
ano está?", perguntou-me. "Em 1952", respondi.
Logo me levou para o final de minha vida. Eu
estava prostrada em uma cama. Sentia-me muito
débil e gasta. Ao meu lado estava Gabriel, meu
marido. Falei de meu filho, que se chamava
Tomás. Eu havia morrido aos 69 anos.
Boa
morte
Ao morrer me senti muito bem. Leve e, sobretudo,
muito feliz. Durante o transe, a etapa onde
revivi minha suposta morte foi a melhor. Tudo
era lindo e ameno. Meu aspecto físico era
vaporoso, como uma nuvenzinha cinza clara com
nervuras brancas. Minha cara era a que tenho
agora e sorria.
Os espíritos que estavam comigo eram tão felizes
como eu. Estivemos um momento fazendo fila em
uma espécie de banco que se chamava internível.
Todos subimos a uma pileta e -sem que ninguém me
dissesse nada- desci até me encontrar no corpo
de uma bebê recém-nascida.
O mestre começou a falar e pouco a pouco me fez
retroceder a minha vida atual. Quando voltei por
completo, senti o corpo pesado. Segui seus dedos
com a vista até que meus olhos se fecharam
novamente. Falou-me uns segundos mais, até que
me senti muito mais relaxada. Tinha retornado ao
presente.
O que penso eu sobre o que aconteceu? Em minha
humilde opinião, esta experiência surgiu de
minha imaginação. A história resultante foi uma
série de idéias que guardo em minha memória, e
se foram armando com a ajuda do mestre.
Por outra parte, na vida passada a que me fez
retornar, eu deveria morrer em 2001 [N. do E.: a
sessão teve lugar em 1995]. Isso quer dizer que
meu eu anterior ainda está vivo? Não tem o menor
sentido. Porque, se fosse assim, onde está meu
outro eu?
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Primeira publicação: Seção En
Trance", jornal La Prensa, Buenos Aires,
19 de junho de 1995.
© Natalia Otazúa. Todos os direitos reservados.