"Helicóptero" de Abydos
Em 2 de março de 1999, um programa especial do canal
FOX intitulado "Opening the Lost Tombs: Live from Egypt" apresentou a uma grande
audiência 'evidência gráfica de que uma civilização com alta tecnologia existiu
anteriormente à Egípcia'.

A evidência eram hieroglifos presentes na estrutura do
teto no templo a Seti I em Abydos, um templo da Nova Dinastia de 3000 anos. Os
hieroglifos parecem representar uma exibição de diversas máquinas, incluindo
principalmente um helicóptero:

À primeira vista, as figuras parecem-se realmente tanto com
helicópteros e aviões que tem-se a impressão de que é uma fraude, ou uma
montagem. Porém, expedições posteriores e mesmo anteriores incluindo uma disputa
sobre a descoberta do 'achado' parecem confirmar que os hieroglifos existem da
forma como é mostrada na fotografia.
O programa FOX não consultou egiptólogos sobre as figuras.
Talvez porque aos egiptólogos elas têm uma explicação bem diferente:
"...., Eu temo que vocês foram sujeitos
à famosa febre do "helicóptero de Abydos". Há uma explicação simples ao que
vocês estão vendo, pelo menos, como nós vemos isso na egiptologia. Não há
mistério aqui; é apenas um palimpsesto (... definido como "... Um
manuscrito, tipicamente um papiro ou pergaminho em que foi escrito mais de
uma vez, sem que a escrita anterior seja completamente apagada e
freqüentemente ainda legível "...). Foi decidido na Antigüidade substituir o
título real de cinco camadas de Seti I pelo de seu filho e sucessor, Ramsés
II. Nas fotos, nós vemos claramente "Aquele que repele as nove alianças",
que figura um pouco dos dois nomes femininos de Seti I, substituído por
"Aquele que protege o Egito e supera os países estrangeiros", dois nomes
femininos de Ramses II. Com parte do reboco que cobria o título de Seti I
agora caído, alguns dos símbolos superpostos realmente parecem-se com um
submarinos, etc., mas é apenas uma coincidência.

O que está acontecendo nas fotografias é
bem claro; apenas consultem Juergen von Beckerath, Handbuch der aegyptischen
Koenigsnamen, Muencher aegyptologische Studien 20, páginas 235 a 237.
Essa questão aparece de vez em quando em
listas na internet acadêmicas como a Anciente Near East (ANE) e outras,
então nós todos estamos bem familiares com ela.
- Sinceramente,
- Katherine Griffis-Greenberg
- Membro, Centro de Pesquisa Americana no Egito
- Associação Internacional de Egiptologistas
- Univ de Akabama em Birmingham
- Estudos Especiais"
A explicação de que é um palimpsesto, ou seja, a superposição de
hieroglifos faz muito sentido. Basta olhar de novo para a foto olhando o
diagrama, até mesmo um leigo (como eu) pode perceber a superposição, e como há
reboco caindo que coincidentemente acaba dando forma a desenhos intrigantes. É
preciso notar que de fato, o helicóptero não foi totalmente identificado.
Parte dos dois símbolos que o formam foi. Mas ao notar que o "submarino" e mesmo
o 'avião e dirigível' foram, fica mais difícil acreditar que aquilo realmente
seja um helicóptero.
Consideremos por um momento que aquilo seja realmente a
representação de um helicóptero. Em primeiro lugar, falta ao desenho do
helicóptero um contra-rotor na cauda. Tal helicóptero não voaria, ficaria
girando descontroladamente. Mesmo com um rotor, ele seria incompatível com o
estabilizador horizontal que, este sim, está representado. Essa não é a cauda de
um helicóptero, é a de um avião.
Ainda, há uma inconsistência freqüente nessas reinterpretações
de desenhos antigos. Se aquilo é um helicóptero, presume-se que foi inventado em
uma cultura que nada tinha a ver com a que inventou o helicóptero que nós
conhecemos. É uma ENORME coincidência que dois helicóptero inventados
independentemente sejam iguais. O mesmo aplica-se a foguetes e a trajes
espaciais. Se há algum desenho de helicóptero, foguete ou traje espacial de dez
mil anos, nós provavelmente não reconheceríamos nenhum deles como tal.
Referências