- Uma Assinatura na Grande Pirâmide?
-
Ao contrário do que muitos
gostariam, a Grande Pirâmide de Gizé tem em seu interior inscrições com o nome
do faraó para o qual ela foi construída: Khufu. Tais inscrições provam que a
Grande Pirâmide foi obra dos antigos egípcios e colocam sérias barreiras para
interpretações alternativas. Contudo, controvérsias advindas de enganos jogariam
dúvidas sobre tão relevante achado.
A Lenda do Nome Forjado
Como é bem sabido, nenhuma pirâmide antiga contém inscrições em suas câmaras. E
isto inclui a Grande Pirâmide. Uma situação um pouco desconfortável,
especialmente para um ambicioso arqueólogo amador como Howard Vyse.
Este
coronel do exército inglês tentou resolver o enigma dos construtores da pirâmide
ao redor de 1840 usando força bruta. Ele dinamitou um buraco no lado oeste da
grande pirâmide porque pensou haver uma segunda entrada, e cavou um túnel
diretamente pelo centro da pirâmide de Menkaures. Ambas as campanhas foram
malsucedidas e não trouxeram nenhum resultado. Assim em 1837 ele dinamitou um
duto vertical sobre uma câmara nova recentemente descoberta sobre a câmara do
rei na grande pirâmide - e descobriu quatro câmaras novas! E, que maravilha, ele
descobriu algo nunca antes encontrado em qualquer pirâmide: inscrições com o
nome do construtor da pirâmide, Khufu!
Mas estas inscrições são forjadas, conta Zecharia Sitchin. A alegação dele: Um
empregado de Vyse, uma pessoa sem qualquer conhecimento em hieroglífico, tinha
levado um livro com um erro fatal para as câmaras novas e escrito alguns
símbolos nas paredes das câmaras para agradar seu chefe em uma forma de
letras,"letras hieráticas", - desavisado do fato de que a escritura hierática
era desconhecida no tempo de Khufu. E também sem saber que o livro "Materia
Hieroglyphica" que ele usou para copiar o nome de Khufu possuía um engano fatal:
em vez da sucessão de símbolos “Peneira, codorna, víbora, codorna" que
significa"Khufu", a escrita no livro dele mostrava "Sol, codorna, víbora,
codorna" - Reufu - e foi isto o que J.R.Hill escreveu nas paredes. Em vez de uma
peneira (um círculo com algumas linhas dentro) o livro tinha mostrado um disco
negro, o símbolo solar, que também pode ser escrito como um círculo com um ponto
ao meio. Esta fraude teria sido descoberta não muito depois pelo perito em
hieroglífico do museu de Londres, Samuel Birch. Em 1842 foram publicadas
perícias que mostraram a fraude. Muito mal...
Mal para Sitchin. As câmaras com as inscrições estão fechadas para o público por
causa do perigoso meio de acesso, mas pode-se achar fotografias da inscrição em
bons livros arqueológicos, por exemplo em "Die ägyptischen Pyramiden" de
Stadelmanns. E lá você encontrará o nome escrito corretamente: Khufu. A
propósito: Birch escreve em suas perícias explicitamente sobre uma "ausência do
disco solar" nos nomes de reis!
E quanto ao hierático, que segundo Sitchin seria uma forma de escrita
desconhecida na época de Khufu, datando de séculos posteriores? Os egípcios
possuíam dois tipos de escrita, os hieróglifos bem conhecidos e o hierático, que
consistia praticamente dos mesmos símbolos, mas de forma bem simplificada. Na
verdade, qualquer livro padrão de egiptologia dirá que essas duas formas de
escrita – hieróglifos e hierático - sempre existiram paralelamente, e bastaria a
Sitchin uma visita ao museu Egípcio para encontrar centenas de artefatos com
inscrições hieráticas centenas de anos anteriores a Khufu!
Uma Prova Decisiva
Qual foi a origem de toda esta confusão? O encontro de inscrições por Vyse não é
conveniente a ponto de ser suspeito? Mesmo que as inscrições sejam mesmo do
Egito Antigo, Khufu ou alguém posterior a ele não poderia simplesmente tê-las
rabiscado por lá? Isso é mesmo prova de que a Grande Pirâmide foi feita pelo
faraó Khufu?
É realmente suspeito que as inscrições tenham sido encontradas nas
circunstâncias em que foram, porém essas mesmas circunstâncias e análise mais
dedicada indicam que tais inscrições são autênticas – e feitas durante a
construção da Grande Pirâmide.
Lembrando, foi preciso dinamitar uma passagem para chegar às câmaras com
inscrições. Do contrário seria impossível chegar aos blocos depois que eles
foram colocados no lugar. Como se sabe, todos os blocos da Grande Pirâmide estão
interconectados e pesam toneladas. Tudo isso deixa claro que as inscrições
informais com o nome do faraó Khufu foram feitas nos blocos antes deles serem
colocados em sua posição final. Eles nunca deveriam ser vistos de acordo com o
projeto original – que não incluía a possibilidade de alguém abrir túneis usando
dinamite.
A menos que os egípcios antigos incapazes de construir grandes pirâmides fossem
entretanto capazes de escrever em blocos inacessíveis no interior da Grande
Pirâmide, as inscrições mostram de forma decisiva a autoria desta Maravilha do
Mundo Antigo.
De onde surgiu o engano?
A origem do engano de Sitchin, que continua sendo propagado por diversos autores
defensores da idéia de ‘deuses astronautas’, é ironicamente mais um indício da
autenticidade das inscrições.
Resulta que os supostos enganos e erros nas inscrições que indicariam fraude não
estão presentes nas inscrições originais, mas em transcrições das inscrições
feitas por peritos do século XIX contemporâneos a Vyse. Ou seja, tais enganos
são um reflexo da falta de conhecimento do século XIX.
Ninguém no século XIX poderia ter forjado as inscrições, nem mesmo peritos
(quanto menos um assistente de Vyse), uma vez que elas contêm aspectos que
discordavam ou eram desconhecidos dos peritos da época, mas que vieram a ser
entendidos posteriormente e concordam com outros achados independentes desde
então. Aparentemente Sitchin nunca olhou uma fotografia das inscrições, ou seja,
ele nunca as viu. Ele viu apenas transcrições contendo erros, e presumiu que
eles estivessem nas inscrições originais.
Quando somamos todos estes elementos, descobrimos que há praticamente uma
assinatura inadvertida em tão majestosa obra. E que a autoria da Grande Pirâmide
permanece assim um mistério apenas àqueles que querem acreditar em mistérios.
- ***
- Referências
-
-
The Legend of the Forged Name - do website de Frank Doernenburg
-
Who Built the Great Pyramid? - do website de Jason Colavito
-
- - - -
Leitura adicional recomendada em Ceticismo Aberto:
- Pi de Pirâmides - Sobre o
encontro do valor do pi na Grande Pirâmide.
- Dendera - Sobre
supostos relevos representando lâmpadas elétricas faraônicas.