- Explodindo o mito do cinturão de fótons
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Leitores
ávidos da revista Nexus podem recordar bem um artigo intitulado "The Photon Belt
Story" [A História do Cinturão de Fótons] que apareceu na edição de fevereiro de
1991.
Eu li o artigo com diversão e ri dele como uma piada, porém, eu me dei conta
recentemente que muitas pessoas levaram este artigo a sério e isto causou um
pouco de preocupação.
Sinto muito dizer que esta história, tão romântica quanto possa ser, não tem
absolutamente nenhuma base concreta. Parece ter se tornado parte de uma
mitologia moderna contrária ao conhecimento científico atual que surgiu ao redor
das Plêiades, um agrupamento de estrelas na constelação de Touro. Esta mitologia
parece estar baseada em uma mistura precipitada de pseudociência, mensagens
canalizadas de supostas entidades espaciais, profecias bíblicas, ignorância e
uma dose liberal de ingenuidade. É alimentada por uma desconfiança geral de
nossa comunidade científica e uma má interpretação do pensamento
científico moderno.
É um reflexo triste da educação científica de nossa sociedade que tantas pessoas
possam ser enganadas por uma história que provavelmente começou como uma
brincadeira de um estudante universitário.
Para ajudar os leitores que não leram o artigo, a história em resumo é como
segue:
Em 1961 instrumentos de satélite descobriram uma FAIXA DE FÓTONS no espaço
exterior. Este CINTURÃO DE FÓTONS ou ANEL MANÁSICO, que os cientistas não
puderam reproduzir em laboratório, cerca as Plêiades e se estende 400 anos luz
ao nosso sistema solar. Citando alguém chamado Jose Comas Sola, era dito que
nosso sol e várias outras estrelas fazem parte do Sistema de Plêiades e todas
estas estrelas teriam planetas. Dizia-se que nosso Sol orbita este sistema em
24,000 anos, durante os quais nós passamos alternadamente 10,000 anos na
escuridão e 2,000 anos na luz do CINTURÃO DE FÓTONS. Nós estaríamos a ponto de
entrar na luz do CINTURÃO DE FÓTONS, ao que nós todos seríamos transformados "em
um piscar de olhos" em Atmosféreos e a noite deixaria de existir, entre outras
coisas.
Um diagrama acompanhava o artigo mostrando 6 das estrelas Pleiadanas, Merope,
Atlas, Teygeta, Electra, Coeleno e o nosso próprio Sol em órbita ao redor de
Alcyone, também um membro das Plêiades, cercado pelo CINTURÃO DE FÓTONS.
Tendo sido contatado por vários membros do público com questões sobre esta
história, eu me determinei a separar o fato da ficção e localizar a história até
sua origem.
O artigo havia sido reimpresso com permissão da Australian UFO Flying Saucer
Research Magazine. Um número de telefone era fornecido. O número de telefone
provou ser o de um proeminente investigador OVNI australiano, que me falou que a
história tinha sido escrita originalmente por um estudante universitário que
havia sido na ocasião um membro do grupo dele. Este estudante é agora,
aparentemente, físico em uma instalação nuclear bem conhecida. Porém, o
investigador OVNI não estava certo sobre onde o estudante tinha obtido a
informação e tinha tentado verificar aspectos dela com um astrônomo no
Observatório do Monte Stromlo. Eu não pude averiguar quais aspectos tinham sido
verificados de fato.
Felizmente, o astrônomo interessado era conhecido a mim, assim eu lhe fiz uma
visita. Ele recordou vagamente ter falado com o investigador mas não pôde se
lembrar dos detalhes exatos da conversação. Ele me assegurou que nunca teria
verificado a existência do CINTURÃO DE FÓTONS mas poderia ter dado a ele um
pouco de informação sobre as próprias Plêiades. Ele me falou que o Monte Stromlo
também tinha recebido questionamentos sobre o CINTURÃO DE FÓTONS e, como eu,
tinha considerado a coisa inteira uma piada cruel.
Assim, o que é fato e o que é ficção? Bem, para começar, eu não pude achar
qualquer evidência de um satélite em 1961 levando os instrumentos exigidos
descobrir uma FAIXA DE FÓTONS como descrito. Satélites da época eram primitivos
pelos padrões de hoje e estavam mais preocupados com telecomunicações, operando
principalmente nos comprimentos de onda de rádio.
Satélites e sondas subseqüentes, com sua instrumentação sofisticada, seriam
certamente capazes de descobrir a FAIXA DE FÓTONS, porém, nenhuma coisa assim
foi relatada em qualquer lugar. Este não é um caso de cientistas mantendo
segredos, é simplesmente porque nunca foi descoberto.
De acordo com outra informação que recebi, supõe-se que este CINTURÃO DE FÓTONS
é precedido por uma ZONA ELETROMAGNÉTICA NULA. É dito que esta zona é um vácuo
de energia, com um ausência completa de campos eletromagnéticos. Se existisse,
esta ZONA NULA certamente teria aparecido nas muitas pesquisas do céu feitas
durante anos recentes na Radiação Cósmica de Fundo em Microondas. Esta radiação
de fundo é notável porque está distribuída uniformemente por todo o céu. Não há
nenhuma falha em sua distribuição. A ZONA ELETROMAGNÉTICA NULA não existe!
O CINTURÃO DE FÓTONS também foi descrito como um ANEL MANÁSICO, um "fenômeno que
os cientistas não puderam reproduzir em experiências em laboratório". Eu não
pude determinar o significado da palavra "manásico". Só posso imaginar que é
derivada da palavra MANA. É dificilmente surpreendente que isto realmente não
foi recriado em laboratório já que ninguém parece saber o que MANA é, além de
sua definição de dicionário como uma força misteriosa.
E chegamos às próprias Plêiades. Jose Comas Sola, seja ele quem for, estava ou
bastante errado ou foi citado erroneamente. Nosso Sol não faz parte do sistema
de Plêiades, nem orbita as Plêiades a cada 24,000 anos.
As Plêiades estão a aproximadamente 125 parsecs ou 407.5 anos luz de nosso
sistema solar. Um cálculo rápido mostra que se nosso Sol estivesse nesta órbita,
então sua velocidade orbital seria de 0.107C ou pouco mais de um décimo sa
velocidade da luz. Isto é aproximadamente 32,000 Km/seg. Esta velocidade seria
aparente, não só para astrônomos, mas para todas pessoas, já que as constelações
mudariam dramaticamente no curso de uma única vida se isto fosse verdade.
As Plêiades são um agrupamento de aproximadamente 100 estrelas com uma idade
média estimada em 78 milhões de anos. Estas são estrelas muito jovens, muito
mais jovens que nosso próprio Sol, que se estima ter 5 bilhões de anos, muito
mais jovens até mesmo que nosso próprio planeta, a Terra.
Estas são estrelas muito quentes e luminosas do tipo espectral B, muito mais
quentes e aproximadamente 10 vezes mais volumosas que nosso Sol, do tipo
espectral G. Elas ainda não se afastaram da nuvem de gás inter-estelar ou
nebulosa da qual elas se formaram [IMPORTANTE: ver as notas finais].
Remanescentes desta nebulosa podem ser vistos prontamente em fotografias do
grupo. Foi sugerido que esta nebulosidade, brilhando com a luz das estrelas em
seu interior, é o que deu origem ao mito do CINTURÃO DE FÓTONS.
Estudos dos movimentos próprios destas estrelas, ou de seu movimento pelo
espaço, mostraram que elas estão no processo de dispersão. Não há nenhuma
evidência que estas estrelas orbitem Alcyone como descrito no diagrama. Também
deve ser dito que não há nenhuma evidência de planetas ao redor de quaisquer
destas estrelas. Pode muito bem ser que sistemas planetários possam evoluir em
algumas destas estrelas, porém deve-se lembrar que estas são estrelas muito
jovens e a formação planetária pode levar um tempo muito mais longo que o de
formação estelar. Parece improvável que planetas habitáveis tenham tido tempo
bastante para evoluir lá. 78 milhões de anos é um período muito curto na escala
de tempo cosmológica ou geológica.
É muito confortante pensar em nosso planeta saindo da escuridão em direção à
luz, embora eu não ache que nossa fauna noturna fosse concordar. É muito melhor
que cada um de nós busque iluminação dentro de si mesmo. Este esclarecimento não
pode ser imposto por forças externas. Um dilúvio de fótons das Plêiades não
salvará o planeta, nem transformará seus habitantes em Atmosféreos iluminados.
Nós teremos que resolver nossos problemas por nós mesmos.
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Nota do editor CA: O artigo original sobre o Cinturão de Fótons, que
iniciou todas estas lendas, foi publicado em 1981. Foi sua reprodução em 1991
pela revista Nexus que causou uma maior divulgação e interesse, talvez porque a
data para a passagem pelo cinturão fosse dada como Julho de 1992.
Mas, como bem sabemos, a noite continuou a cair depois de julho/92. Este
pequeno detalhe não abalou o mito: a data simplesmente foi movida para a frente,
no caso maio de 1997. Outra vez, a predição falhou miseravelmente.
Sem surpresa, isto abalou muito menos a lenda e agora a data é dada como em
algum ano entre 2010 e 2015. Acho que não é preciso ser um gênio para saber o
que NÃO vai acontecer entre 2010 e 2015.
Importante: Ao contrário do indicado neste texto, de autoria anônima
mas em sua maior parte acurado e equilibrado, a nebulosa que vemos difundindo a
luz das Plêiades não faz parte do sistema. Mais informações sobre as Plêiades
podem ser conferidas
aqui.
Confira também:
-
Is the earth about to enter the Photon Belt, causing the end of life as we know
it? - The Straight Dope
- The
Photon Belt