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Investigação OVNI
Vicente-Juan Ballester Olmos, capítulo 3 de
“Expedientes insólitos: El fenómeno ovni y los archivos de Defensa”*
Traduzido com sua gentil permissão
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Ninguém
possui o magistério suficiente para responder à
inquietude de muitos jovens, cristalizada na pergunta:
Como se investigam os OVNIs? Mas sim podemos
aportar um repertório de métodos de atuação para quando
se apresente ao aficcionado a oportunidade de estudar um
fenômeno estranho. Este guia procede de nossa
experiência de cerca de três décadas dedicadas à
ufologia, mais o conhecimento adquirido da prática
desenvolvida por pesquisadores em outros países.
A ufologia é o agregado de informação que
possuímos sobre os objetos voadores
não-identificados, e a investigação de campo é o
meio de obter a matéria-prima (os dados) que
define o fenômeno OVNI. Formam-na métodos e
técnicas aplicadas à pesquisa, verificação e
análise dos informes de observações insólitas na
atmosfera ou próximas do solo.
O fim primordial da investigação sobre o terreno
de casos OVNI é a aquisição de informação
realista sobre os avistamentos. Mas quais são os
dados relevantes e como consegui-los? O prelúdio
de qualquer pesquisa é conhecer a personalidade
da testemunha. O pesquisador deve indagar sobre
o entorno sócio-familiar da testemunha, seus
passatempos, obsessões, idéias, etc. Quanto mais
estranha for a narrativa do suposto perceptor,
maior profundidade é requerida sobre a
psicologia da testemunha. O ufólogo deve incluir
em sua pesquisa médicos e outros especialistas
em ciências humanas, que sejam capacitados a
proferir julgamentos sobre a saúde corporal ou
mental do sujeito.
Embarcados já no interrogatório, antes de mais
nada deve-se deixar que o observador testifique
de A a Z sobre a experiência que diz ter vivido.
Apenas depois é conveniente solicitar
pontualizações. A data, hora e a duração do
acontecimento são parâmetros temporais a anotar
com precisão. Importa determinar a localização
do objeto no espaço, direção e altura angular.
Deve-se reconstruir os fatos em tempo real,
buscando inconsistências no relato (caso não
hajam, o testemunho adquire mais peso, caso
existam, convém desconfiar da história). As
condições meteorológicas e de visibilidade do
momento, a familiaridade da testemunha com a
área e sua acuidade visual também devem ser
determinadas sem falta.
Façamos mil e uma perguntas sobre a aparência e
estrutura do fenômeno observado e solicite-se à
testemunha que desenhe espontaneamente o que
viu. Devemos documentar minuciosamente a
dinâmica do objeto, a trajetória de seu
movimento na rosa dos ventos, sua velocidade
aparente, mudanças de altura, acelerações,
imobilizações, etc. De todo aconselhável é
servir-se de bons formulários de pesquisa de
organizações como o CEI[1],
livros de investigação[2]
ou manuais[3].
A altura a que se encontrava o fenômeno pode ser
determinada se se conhece a distância (D) do
observador à vertical do OVNI e o ângulo (&)
formado pela horizontal com o objeto mediante a
simples fórmula:
Altura = tangente & x D
Que também podemos aplicar ao diâmetro real do
objeto, tomando agora (&) como a dimensão
angular do OVNI. Comparemos seu tamanho aparente
com diversas partes da mão estendida que o
objeto poderia tapar: se com o dedo polegar (2
graus), o punho cerrado (10 graus) ou a mão
aberta (20 graus). Saiba-se que a medida angular
da Lua cheia é apenas de 0,5 graus.
Outra versão, para calcular o diâmetro do OVNI
na reconstrução dos fatos, consiste em imaginar
que se olhe para o objeto, enquanto se sustenta
uma régua com o braço estendido (distância ao
olho d), e anotar qual era sua dimensão aparente
(a); assumindo que conhecemos a distância de sua
posição à perpendicular do OVNI (D), temos
então:
diâmetro = (a x D) / &
Já que falamos de fórmulas, citarei uma simples
que podemos usar ao examinar fotos de supostos
OVNIs, com o fim de que o investigador possa
verter em seus informes maior precisão que a
dada pela própria testemunha. Chama-se análise
fotogramétrica ao processo pelo qual se avaliam
as fotografias. Para chegar a conclusões exatas
relativas ao tamanho verdadeiro de um objeto
fotografado, a distância e inclusive a
velocidade que possua, usam-se métodos de
geometria projetiva combinados com leis da
ótica.
Tomemos esta equação básica:
I = (d x f) / D
Onde (I) é o tamanho da imagem registrada no
filme fotográfico, (d) é o diâmetro real do
objeto fotografado, (f) é a distância focal da
câmera e (D) é a distância entre o fotógrafo e o
objeto. Daí se deduz que o diâmetro (d) do
suposto OVNI é:
D = (I x D) / f
(Naturalmente o maior erro se introduz aqui na
estimativa da distância do objeto).
A que altura se encontrava um objeto em função
das massas de nuvem? Às vezes lemos informes que
dizem que um objeto dado foi ocultado pelas
nuvens. Se fazemos uma consulta ao centro
meteorológico da região e solicitamos que nos
informem o tipo de nuvens que se apreciavam na
hora do avistamento, podemos ter uma indicação
da altura, já que cada uma das classes de nuvens
se situa a um nível determinado que os
meteorologistas conhecem e que cifro a seguir,
esperando que seja de alguma ajuda:
-
Menos de 2.500 metros: nimboestratos,
estratocúmulos e estratos.
-
De 2.500 a 6.000 metros: altocúmulos e
altoestratos.
-
De 6.000 a 12.000 metros: cirros,
cirrocúmulos e cirroestratos.
-
De 2.500 a 13.000 metros: cúmulos.
-
De 3.000 a 18.000 metros: cumulonimbos.
Se o sujeito manifesta ter sofrido efeitos
fisiológicos, o investigador deve registrar o
quadro de sintomatologia (síndrome). Quando o
fenômeno afeta a automóveis, equipamentos
elétricos ou luzes, é imperativo que se recolha
a descrição das interferências ou efeitos que
tiveram lugar. E quando existam sinais materiais
devidos à interação física do fenômeno com o
ambiente, deve precisar-se a forma e dimensões
das marcas, realizando esboços do lugar de
aterrissagem e tomando amostras da terra afetada
(e de outra não afetada que sirva como padrão de
comparação), sem esquecer de fotografá-las,
naturalmente. O ufólogo deve estar equipado com
as ferramentas necessárias para obter moldes das
marcas, que sirvam para guardar a longo prazo a
silhueta tridimensional das marcas.
Quando se tratem de vegetais, assinalemos qual é
o estado das plantas que sofreram o impacto do
fenômeno. Em geral, qualquer traço ou resto
encontrado no lugar dos autos tem que ser
documentado com precisão. Diante da
possibilidade, remota, de que o pesquisador se
depare com vestígios ou substâncias procedentes
do OVNI, os fatos devem ser levados o mais
rápido possível ao conhecimento de
investigadores mais qualificados para que se
proceda com prontidão à análise química ou
metalúrgica dessa evidência.
Se se denuncia a presença de “ocupantes”,
devemos perguntar por suas características
morfológicas, anatômicas e suas pautas de
comportamento, sem esquecer a descrição de sua
vestimenta ou equipamento. O uso da hipnose como
modo de aprofundar as lembranças da testemunha é
de todo desaconselhável, tendo em conta as
múltiplas desvantagens dessa técnica. Em
qualquer caso apenas peritos profissionais
alheios ao tema OVNI poderiam levar a cabo o
exame com alguma garantia de êxito.
Um bom investigador deve ter sua maleta de
pesquisa sempre pronta para a saída a campo.
Não deve faltar, por exemplo, além de
formulários especializados para cada tipo de
caso potencial, um catálogo de cores, bolsas
esterilizadas para armazenar resíduos sólidos ou
líquidos, um pegador metálico para o
recolhimento de amostras de solo, um
penetrômetro para calcular a pressa aplicada no
solo, um termômetro medidor da temperatura do
terreno, assim como simples medidores de
umidade, salinidade ou pH do solo, um goniômetro
para determinar as dimensões de um objeto
conhecendo o ângulo visual e a distância, um
comparador para que a testemunha determine o
tamanho aparente do objeto, gravador de som,
mapas locais, câmera fotográfica, fita métrica,
etc., sem esquecer um bom manual para estes
equipamentos.
A investigação de campo tem pouco ou nada a ver
com a entrevista jornalística, já que esta
assume que o que se conta é verídico e as
afirmações do entrevistado não atravessam nenhum
filtro crítico. A pesquisa ufológica, ao invés,
deve entender que muito provavelmente a
declaração da testemunha seja errônea, já que
nove de cada dez casos têm explicações cândidas.
Aos mais jovens peço que se esforcem por
desterrar preconceitos e que jamais suplantem o
peso da evidência por uma crença pré-concebida.
Ao enfocar os problemas da subjetividade dos
informes OVNI devemos reconhecer aqueles que se
associam com a percepção. A partir do
acontecimento inicial distante, uma quantidade
de energia no espectro visível chega ao olho,
cujo órgão sensorial é estimulado. Mas, no
processo de transmissão, esta energia pode
acabar distorcida por muitos fatores
atmosféricos. Instalado já na retina o estímulo
próximo, este pode se empobrecer devido a várias
ambigüidades na estimativa de tamanhos,
distâncias e outros parâmetros. Nem sequer a
forma do estímulo visual pode representar
inequivocamente a forma do objeto distante. A
codificação do estimulo pelos neurônios, isto é,
a sensação, pode acabar alterada pelo estado
fisiológico da testemunha e seu entorno
sensorial.
A percepção é o processo da identificação do
objeto distante, o que se realiza
necessariamente mediante um processo de
interpretação. Para objetos aéreos, a forma,
tamanho, distância, direção e velocidade ficam
basicamente indeterminados. Segue-se o processo
de cognição – o juízo ou convicção que uma
pessoa tem do significado de algo –, que resulta
muito afetado pelo estado mental, a expectativa
e sugestão da testemunha (que, por sua vez,
derivam de suas idéias, opiniões, experiência e
crenças). Tudo isso afeta as conclusões do
observador, cujo testemunho, finalmente, fica
mediado pela forma de perguntar do pesquisador,
o grau de memória do sujeito, etc.
Em suma, nos encontramos diante de uma seqüência
física e psicofisiológica muito complexa pela
qual a percepção de um fenômeno se combina com
as concepções prévias do observador acerca do
mesmo e as circunstâncias ambiente nas quais
ocorre a percepção. Estas dificuldades não devem
ser tomadas com pouco caso nem de soslaio, como
fazem, por desgraça, os que recorrem ao
sensacionalismo e à imprensa amarela ufológica.
As provas fotográficas requerem o maior cuidado
e proteção. Os negativos originais devem ser
analisados por pessoal qualificado, para o que é
absolutamente imprescindível que se recolham
dados da câmera, filme, velocidade ou exposição
da tomada. Aplicando técnicas da era espacial à
investigação OVNI, estudam-se fotografias OVNI
mediante computadores digitais que permitem
conhecer detalhes mascarados e dados objetivos
dos ditos documentos gráficos, através do manejo
eletrônico das imagens.
O ufólogo deve estar familiarizado com os
estímulos do céu e da terra que normalmente – em
todas as partes do mundo – mais confusões
provocam. O investigador tem um objetivo
prioritário: varrer o lixo observacional e ficar
apenas com as peças incomuns. Se os corpos
astronômicos (Vênus, a Lua, planetas, estrelas)
criam muitos equívocos, este é um campo do
conhecimento que o estudioso tem que dominar. Os
meteoros, tanto os procedentes de radiantes
cíclicas como os bólidos esporádicos, devem ser
matéria de atenção para o investigador, já que
um dos tipos de equívoco mais espetaculares e
repetidos tem a ver com estes fenômenos.
Checar é o verbo chave. Nossa obrigação
primordial é comprovar, verificar, examinar,
contrastar. Se por essa hora sobrevoava a zona
algum avião, se houve um lançamento de míssil ou
uma experiência espacial, se um programa de
balões-sonda, se a reentrada de um satélite
artificial... uma enorme etcétera de
possibilidades a excluir. Resulta trabalhoso?
Afirmativo. Converte em estéreis ilusionantes
experiências OVNI? Obviamente. Revistas outrora
comerciais não aceitam artigos
desmistificadores? Pois sim. “Roma não paga aos
traidores”, pensam os editores acerca daqueles
que resolvem o que de outra forma é manipulável
e vendível.
Daí que um exame de consciência particular é
inescusável: qual é sua motivação? Se é ter um
hobby cômodo, se é crer em algo fantasioso ou se
é viver do conto, esqueça-se da ufologia séria.
Ou não acredite que está exercendo o trabalho de
investigador. Sua atividade é outra.
O Fenômeno Aterrissagem
Entre 1968 e 1988, aparte dos estudos
esporádicos sobre outros aspectos do fenômeno,
minha dedicação ufológica principal se inclinou
aos chamados contatos imediatos com OVNIs, como
os chamou meu mentor J. Allen Hynek e Steven
Spielberg popularizou em seu filme. Apesar de
vinte anos de especialização serem muito,
resulta objetivamente difícil tirar conclusões
sólidas, definitivas ou imutáveis neste
complicado tema. Para começar, porque não sabe
se o que lhe contam as testemunhas é o que
verdadeiramente ocorreu. Esta ufologia é uma
autêntica sala de espelhos curvos que deformam
sua imagem, com a diferença de que em lugar de
fazê-lo rir isso lhe irrita, porque o impede de
alcançar o fundo real do testemunho. Desta
forma, creio que estão mais do que justificadas
algumas notas em forma de sumário de tal
trabalho.
Em 1987 publicou-se minha obra Enciclopedia
de los encuentros cercanos com ovnis, de
autoria conjunta com Juan Antonio Fernández, na
qual se documentam os detalhes mais
significativos de 230 aterrissagens OVNI
ocorridas na Espanha e Portugal, de um total de
585 informes recolhidos (os 355 restantes foram
explicados convincentemente). Submetemos a
casuística a um estudo estatístico inicial, com
o propósito de responder a algumas perguntas
básicas: “Quantos casos ocorreram e quando
ocorreram?”, “O que são as ondas?”, “A que hora
costumam aparecer os OVNIs?”, “Onde sucedem
majoritariamente?”, “Em que proporção há
ocupantes?”, “Quantos fenômenos produzem efeitos
físicos?”, “Quão documentados, estranhos e
críveis são os informes OVNI?”.
Nosso catálogo de aterrissagens registra o
primeiro caso em 1935 e o último em novembro de
1985 (o censo foi encerrado em 1986).
Globalmente falando há um incremento progressivo
do número de casos desde a década de cinqüenta
até a década de sessenta, detectando-se um
sensível decréscimo na década de oitenta.
Atualmente o nível de informes significativos
está “abaixo do mínimo”. De fato, para encher
algumas páginas, os articulistas têm que
recorrer a estrepitosos erros de observação
(reentradas ou bólidos) quando falam de casos
recentes; menos mau que a desclassificação
militar de arquivos OVNI tenha lhes dado fonte
para sensacionalismo...
A distribuição do fenômeno OVNI, na modalidade
aterrissagem, não é homogênea, apresentando
máximos e mínimos de magnitude desigual,
repartidos irregularmente. Aplicando a teoria de
processos de Poisson à taxa anual de
aterrissagens, observamos que acima da média se
destacam notavelmente os anos 1950, 1954, 1968,
1974-76 e 1978. A estes períodos chamamos de
ondas (cuja natureza não prejulgamos).
Com relação à distribuição mensal dos informes,
destaca-se significativamente agosto, que inclui
mais de 20 por centro do total. Os três meses de
verão excedem em muito os informes acumulados em
outras estações. Este resultado tem
provavelmente uma causa de ordem sociológica.
Por dias da semana, a dispersão estatística é a
que seria esperada por sorte, à exceção do pico
do domingo, que devemos também interpretar em
termos sociais.
Tabulados os informes segundo a hora do dia,
comprova-se em seguida o caráter noturno
do fenômeno aterrissagem. Poucos casos nas horas
diurnas, crescendo em atividade a partir das
seis da tarde e chegando ao nível máximo ao
redor das onze da noite, para cair abruptamente
a partir da meia-noite. Nas seis horas que vão
desde as sete da tarde até a uma da madrugada se
dão 64 por centro dos casos. É pela luz que
emitem ou porque durante a noite “todos os gatos
são pardos”?
Há províncias mais ricas em avistamentos que
outras. Por exemplo, Barcelona, Cádiz, Huelva,
Lérida, Sevilha e Valencia. Outras apenas
registram incidentes, como Alava, Almería, Jaén,
Orense, Pontevedra, Segovia, etc. É evidente que
as regiões onde há mais investigadores são a
fonte de maior número de informes. Examinando o
número de casos por província com respeito à
densidade da população, encontramos uma
correlação baixíssima, o que indica que a taxa
de habitantes de uma região não incide na
fenomenologia que a região aporta. (Há anos se
supôs, equivocadamente, que o número de casos em
uma área era inversamente proporcional a sua
população).
Em 54 por cento dos contatos imediatos com OVNIs
na Espanha se constatam efeitos físicos,
fisiológicos, fitopatológicos ou psicológicos,
incluindo marcas no solo. Com relação à suposta
aparição de “seres humanóides” procedentes dos
objetos, há denúncias disto em 17 por cento dos
casos. O informe típico de aterrissagem responde
a um nível de qualidade de informação de 0,7
(medida da excelência da pesquisa que vai de 0 a
1), um nível de estranheza médio e um nível de
credibilidade (fiabilidade que merece a
testemunha) de 0,6. Os três fatores combinados
resultam em um índice de segurança de 15
por cento, que excede o umbral mínimo que se
atribui aos casos que têm valor científico
potencial.
A Validez do Testemunho
O grande debate intelectual que se deve à
ufologia é a objetividade ou subjetividade dos
testemunhos. A palavra chave aqui é
indiscernibilidade, a suposta qualidade de
alguns avistamentos (os de objetos voadores
não-identificados) sobre outros (os de
objetos voadores identificados), pela qual as
propriedades dos primeiros são intrinsecamente
diferentes das dos segundos e, em conseqüência,
têm origem e natureza distintos.
Para abordar esta questão é necessário compilar
amostras de ambos tipos de acontecimentos e
analisá-las estatisticamente. A pureza dos
catálogos utilizados deve ser alta, e isto
representa o calcanhar de Aquiles da discussão.
Willy Smith[4],
criador com o doutor Hynek do Projeto UNICAT, um
banco mundial de dados de alta significância,
crê que o excessivo ruído de fundo existente nos
catálogos OVNI (devido à presença de casos
solucionáveis) é causa das distribuições
estatísticas similares que aparecem hoje ao
comparar parâmetros OVNI e OVI. Outros sustentam
que há diferenças, ainda que sutis[5],
ou que estas se devem à construção dos
arquivos das quais derivam[6].
Para Claude Maugé[7],
a razão última é que ambas formações de dados
pertencem ao mesmo contínuo, o gerado por um
mito da época presente.
Tendo desenvolvido, por minha parte, seja
catálogos de aterrissagens positivos (LANIB)
como negativos (NELIB), não resisto à tentação
de expor se esses dados são díspares ou não.
Submetendo a distribuição anual dos casos ao
teste de Pearson, encontro uma correlação
estatística de 0,9. Isto significa que ambos
grupos de casos estão diretamente relacionados,
ou seja, que sua magnitude aumenta ou diminui em
uníssono. Minha impressão é que os dois
conjuntos de dados sofrem influência de fatores
comuns.
Temporalmente, aprecia-se que nos meses de verão
têm lugar a maioria dos casos, tanto os
autênticos como os explicados, o que não deixa
de ser chocante. Com relação às curvas horárias,
estas se solapam enormemente, predominando a
noite. Com respeito à distribuição de informes
por províncias, seguem-se os mesmos padrões em
ambas classes de casos, isto é, conhecem-se mais
informes nas zonas onde há mais ufólogos
ativos.
Resulta fundamental, pois, determinar se as
observações OVNI genuínas e os casos explicados
são iguais ou diferentes. A descoberta ou não de
atributos específicos nos eventos OVNI
dará a resposta final a este grande enigma.
Analisando um listado de 24.000 informes
mundiais, segundo o número de testemunhas,
encontra-se que há apenas uma testemunha em 37
por cento do total e duas ou mais nos 63 por
cento restantes. Se seguidamente nos fixamos na
relação existente entre o número de observadores
e a proporção de casos anormais, vemos como
aumenta progressivamente a porcentagem das
manifestações mais insólitas à medida que é
menor o número de testemunhas oculares. Resulta
suspeito que seja a testemunha única a que
sistematicamente conte as experiências mais
anormais.
Por outro lado, um estudo de milhares de
informes OVNI denunciados à Força Aérea dos
Estados Unidos, nos quais os casos se dividem em
quatro grupos segundo seu nível de documentação
(duvidosos, pobres, bons e excelentes), permite
comprovar como a porcentagem de observações que
não puderam ser explicadas aumenta
sucessivamente à medida que se dispõe de mais e
melhor informação. Assim que a bola continua no
jogo da incerteza.
Insisto que isolar e definir os atributos e
propriedades inerentes ao fenômeno OVNI, se
existem como tais, é a máxima prioridade do
investigador. Apenas dessa maneira resolveremos
a dúvida entre a objetividade e a subjetividade
na informação concernente a esta incógnita.
Ecologia Alienígena
Ocorreu-me que a mescla de dois termos, um
científico e o outro fantástico, seria
apropriada para introduzir o seguinte assunto
sobre o qual queria me referir.
Se os OVNIs são corpos reais ou, ao menos,
fenômenos físicos, em contraposição a sua
possível imaterialidade (processos
alucinatórios) ou irrealidade (fraudes), devem
necessariamente exercer efeitos constatáveis no
meio ambiente quando se deslocam ao nível do
solo. A isto chamo ecologia das aterrissagens.
Compus um inventário[8]
de casos nos quais o fenômeno anômalo descrito
pelas testemunhas chegou a produzir efeitos
(vestígios físicos) no solo ou nas plantas, seja
qual seja sua forma, incluindo marcas,
perfurações, queimaduras, esmagamentos,
desidratação vegetal, depósitos, pegadas, etc.
Sua finalidade é auxiliar no aprofundamento
nesta fenomenologia específica, dar lugar a nova
verificação de casos, servir de incentivo para
que se aporte material adicional e, finalmente,
adiantar algumas conclusões básicas do conjunto
de dados disponíveis.
A informação recolhida procede dos arquivos que
fui criando nos últimos trinta anos. Seu
processo de alimentação e crescimento foi
aleatório, já que convergiram de uma
multiplicidade de fontes e publicações. Mais de
uma centena de colaboradores contribuíram, de
uma forma ou outra, para que se alcance o nível
de documentação existente na atualidade, base
das conclusões a que cheguei.
Temos a responsabilidade de relativizar o valor
intrínseco dos casos de “OVNIs que deixam
vestígios”. Quando o observador ou informador
não pode aportar provas visíveis das mesmas,
então sua existência só tem o mérito que
atribuímos a seu próprio testemunho, nem mais
nem menos. E quando dispomos de evidência física
– se o pesquisador pode ver os vestígios ou se
existem fotografias –, ainda restam duas
possibilidades potencialmente desmistificadoras,
que nenhum ufólogo objetivo deve desconsiderar:
que os vestígios não tenham relação real com o
fenômeno, ou que estes tenham sido fabricados (o
que requer, obviamente, uma maior elaboração por
parte da testemunha fraudulenta).
Feitas as ressalvas anteriores, meio século de
casos OVNIs ocorridos em solo espanhol
produziram alguma constância de sua presença.
São casos para os quais carecemos de explicação,
ao menos hoje em dia. Passemos a que dão lugar.
Quando se descobriu a evidência deixada pelo
fenômeno? Mais da metade dos efeitos no entorno
foram descobertos imediatamente ou em poucas
horas. Uma quarta parte mais entre dois e quinze
dias depois do avistamento; e o resto,
transcorridos meses ou anos (!), ou mesmo o dado
é desconhecido.
Os vestígios foram vistos por pessoas alheias às
próprias testemunhas? Em 31 casos (60 por
cento), investigadores – principalmente – ou
jornalistas apreciaram as marcas deixadas pelos
OVNIs; em 17 casos (33 por cento) não há
testemunhos independentes que possam confirmar o
relatado pelos observadores; e em 4 casos (7 por
cento) não existem elementos para responder. Que
eu saiba, os vestígios correspondentes a 25
casos (48 por cento) foram fotografados.
Uma das características mais acusadas da
presença destes fenômenos na cercania da terra
são os efeitos que exerce sobre os vegetais:
pastos, grama, arbustos, erva, musgo, plantas de
batata, centeio, cardos, vegetação, oliveiras,
segundo os casos conhecidos, sofreram danos pela
descida destes corpos não-identificados. Ao
decompor tais efeitos em grupos, contando as
ocasiões em que estes se manifestam (o
número de vezes não é igual ao de casos, já que
um caso pode apresentar vários efeitos ao mesmo
tempo) temos que:
- Queimadura:
15 (vegetação queimada, carbonizada, chamuscada,
fumegante, quente, calcinada, são os termos
usados para descrever este efeito).
- Esmagamento:
14 (vegetação simplesmente prensada ou
descoberta de pegadas no lugar da aterrissagem).
- Ressecamento:
7 (vegetação seca, murcha, desidratada, amarela
– não queimada –, são as descrições usuais das
testemunhas).
- Sem
crescimento: 3 (vegetação com desenvolvimento
inibido na zona).
-
Folhas caídas: 2
-
Ramo partido: 1.
A vegetação pode ficar afetada em várias formas
geométricas, mas sobressai a circular ou de
redemoinho. Em aqueles casos em que se conhece o
diâmetro do “círculo OVNI”, este pode agrupar-se
assim: de 1 a 5 metros, 3 casos; de 6 a 10
metros, 5 casos; de 11 a 15 metros, 2 casos.
Quando a extensão afetada não é circular, cobre
zonas quadradas, retangulares ou irregulares, de
superfícies variadas que vão desde os 4 até os
700 metros quadrados.
Em solos sem vegetação, o sinal mais típico do
assentamento de um fenômeno dos chamados OVNI é
a aparição de buracos, perfurações, fossas,
rachaduras, terra removida, marca de arraste,
etc., em forma irregular e de profundidade,
tamanho e número diverso. Contabilizam-se alguns
casos de achatamento de terra, pó ou terra
removida, em forma circular com diâmetros
conhecidos de 1, 2 e 2,6 metros. Também
encontramos o que parece ter sido o resultado de
uma manipulação do terreno (solo, rochas) ou
paredes. Por último, há uma miscelânea formada
por efeitos individuais, como brilho no cimento;
coloração de roupa, pele e carroceria; marcas em
um automóvel; orifício em um espelho retrovisor,
e manchas no rosto, mãos e roupa.
Ainda que vários incidentes contem que os OVNIs
se apoiavam no solo sobre suportes, em apenas
oito casos se encontrou o que poderíamos chamar
propriamente de pontos de sustentação ou “trem
de pouso”, em contraposição ao descobrimento de
meros buracos irregulares. A configuração
triangular prima com cinco exemplos, se bem que
díspares: sinais de um tripé, dois triângulos
eqüiláteros (2 e 3,9 metros de lado,
respectivamente), um triângulo isósceles de
1,5x2 metros e um triângulo de 1,6x1,1x2,3
metros. Um quadrado de 0,36 metros de lado, um
retângulo de 1,76x1,3 metros e um pentágono de
1,3 a 2 metros encerram o censo. Como se vê,
geometrias e medidas bem heterogêneas.
Oito informes incluem menção de pegadas ou
marcas de “calçado” dos supostos tripulantes que
disseram ter sido vistos. Dos quatro casos nos
quais se conhece seu comprimento, em três
apareceram pares de pegadas de tamanhos
diferentes, de 13, 14 e 15 centímetros e de 30,
32 e 39,5 centímetros, respectivamente. Em outro
caso se cita 42 centímetros.
Nas várias oportunidades em que se analisou a
vegetação ou o solo, nunca se encontrou rastro
anormal algum. Apenas se constatou a produção de
um processo calorífico acentuado, informação que
deveria aportar alguma pista sobre a natureza do
fenômeno. Todas as medidas de radioatividade não
natural foram negativas.
Revisados em seu conjunto os “dados ecológicos”
do problema OVNI na Espanha e Portugal, minha
investigação trouxe à luz a enorme disparidade e
variedade dos vestígios encontrados. Isto, sem
desculpas, tende a contradizer a noção de que
todas as experiências de contatos imediatos com
OVNIs obedecem à manifestação de um mesmo – e
único – fenômeno. Se bem pode argumentar-se
sobre condições do tipo de terreno, tempo de
exposição, etc., as diferentes tipologias de
vestígios convidam a pensar que há vários
estímulos físicos (provavelmente meteorológicos)
em ação para produzi-los. O relâmpago globular,
redemoinhos, vórtices de Meaden, efeitos
ambientais dramatizados, etc., devem ser
incluídos na lista das potenciais explicações
para uma grande parte destes casos.
Compete ao ufólogo, em suma, eliminar todas
essas causas parasitas durante o desenvolvimento
da investigação de campo, para conseguir
circunscrever nossa amostragem de fenômenos
estranhos aos termos mais irredutíveis
possíveis. Urge realizar pesquisas cujo nível
descritivo dos efeitos ecológicos, medições,
comprovações e fotografia seja de maior
amplitude e qualidade que até o presente, com o
fim de que estejamos algum dia – próximo – em
condições de inferir conclusões válidas sobre a
origem do fenômeno OVNI.
Abduções
Atualmente, o nível máximo de estranheza (e de
subjetividade) na fenomenologia OVNI corresponde
às abduções ou supostos seqüestros de seres
humanos por parte de não menos supostos
extraterrestres. Este tema está conseguindo
obcecar os ufólogos dos Estados Unidos, onde
quase podemos dizer que os únicos casos que
afloram hoje em dia são de abduções. Já não se
observam majoritariamente OVNIs no ar, nem
sequer aterrissagens com seus arquetípicos
humanóides, agora muitas pessoas dizem ter
sofrido experiências de abdução, e a qualquer um
que tenha tido um pesadelo procede-se à hipnose,
com o conseguinte nascimento de uma história de
seqüestro marciano.
Minha avaliação pessoal do fenômeno abdução[9]
está baseada nos casos dados a conhecer na
Espanha até finais dos anos oitenta, isto é,
antes que as revistas começassem a tratar com
certa freqüência este tipo de aparição (e, por
isso mesmo, com anterioridade a que mais gente
brotasse com sua fábula). Minha opinião se
apóia, ademais, em uma exaustiva revisão crítica
do publicado sobre o assunto, principalmente em
inglês, complementada com freqüente
correspondência com destacados especialistas
europeus, norte-americanos e australianos. Não
falo baseado em nada, certamente.
Vejo que a história da ufologia marca a
transmutação entre dois fenômenos: das
desacreditadas e ingênuas histórias dos
contatados dos anos cinqüenta temos passado às
“respeitadas” abduções, contemporâneos e
sofisticados relatos da era da tecnologia. No
sempre mais difícil todavia da casuística, as
dramáticas abduções de hoje substituem os
obsoletos contatos do alvorecer da era
espacial.
Os seis casos de abdução então conhecidos na
Espanha podem ser explicados em função de
fraudes e psicoses. Nenhum daqueles incidentes
aportou a menor prova material que certifique a
realidade da permanência de um humano em uma
nave espacial extraterrestre. Nem tampouco
nenhum dos casos conhecidos depois. Minha
análise de cerca de 300 informes mundiais de
abdução colocou em evidência que quando casos
sensacionais são publicados pelos meios de
comunicação em massa se exerce um efeito
propagandístico ou de “estopim” que faz surgir
posteriormente numerosos relatos de abdução, a
sua imagem e semelhança.
Os estudos de casos clássicos de abdução (o
casal Hill, Pascagoula, Travis Walton, Betty
Andreasson, etc.) apontam a fraudes puras ou
estados psicológicos aberrantes como causadores
da experiência mental da abdução. A
cumplicidade propagandística de famosos autores
de livros levanta e sustenta o mito.
Estou plenamente convencido de que a síndrome de
abdução tem natureza psicológica e as narrações
de abdução procedem de experiências internas não
físicas, copiadas de relatos publicados, mais as
conhecidas fraudes. E quem sustente o contrário
o que deve fazer é, pura e simplesmente,
apresentar a evidência da realidade desses
eventos.
Radiações Letais
Situemo-nos em 4 de julho de 1969; a localidade
é Anolaima, povoado a sessenta e cinco
quilômetros de Bogotá (Colômbia). O assombroso
incidente que segue começou às oito horas da
tarde daquele fatídico dia. Mauricio Gnecco, de
treze anos, viu como uma luz rosa-amarela se
movia no céu de leste a oeste quando se
encontrava no exterior de uma granja em
companhia de seu amigo Enrique Osorio, de doze
anos.
Chamou então a outras quatro crianças que
estavam brincando no interior e aos adultos
Arcesio e Lucrecia Bermúdez, Rosa Ortiz e Luis e
Evelina Carbajal. As onze pessoas juntas viram o
fenômeno: uma potente luz havia descido até o
solo a uns 200 metros de distância.
O jovem Mauricio pegou uma lanterna e focou
várias vezes a fonte luminosa, a qual se
aproximou da casa a grande velocidade, e ficou
suspensa alguns segundos entre as árvores
situadas a uns 50 metros das testemunhas. O
objeto, de cor entre o amarelo e o alaranjado,
tinha uns dois metros de altura, uma espécie de
“arco de luz” que o rodeava e duas “pernas
luminosas” azuis. Não se escutava nenhum som.
Um dos adultos, Arcesio Bermúdez, pegou a
lanterna e correu em direção do objeto. Sua irmã
o seguiu, mas na escuridão da noite tropeçou e
caiu ao solo. Arcesio chegou a uns 7 metros do
objeto. Quando regressou à granja disse que viu
uma “pessoa” em seu interior. Descreveu o ser
como normal em sua parte superior mas sua
anatomia inferior parecia ter a forma de uma
letra “A” luminosa. O OVNI então se elevou e
desapareceu no céu.
Dois dias depois da observação, Bermúdez caiu
seriamente enfermo e sua temperatura corporal
baixou a 35 graus centígrados. Dias mais tarde
teve “vômitos negros” e diarréia, acompanhada de
fluxo de sangue. Foi levado a Bogotá em 12 de
julho. Às 23:45 horas falecia. O atestado de
óbito, assinado pelo doutor César Esmeral,
diagnosticava a causa da morte como
gastroenterite. Nenhum dos médicos que o
atenderam sabiam de sua experiência com o objeto
não identificado.
Pesquisas com as testemunhas, realizadas por
psicólogos qualificados, aportaram testemunhos
idênticos. Investigadores da APRO
norte-americana levaram as roupas e o relógio do
falecido ao Instituto Colombiano de Asuntos
Nucleares, onde lhes indicaram
extra-oficialmente que os sintomas da
enfermidade do senhor Bermúdez pareciam
similares aos causados por uma dose letal de
raios gama.
O leitor não deve estranhar. A resposta
biológica ao fenômeno OVNI existe, é
múltipla e está muito documentada[10].
Na Espanha contamos com alguns episódios também
surpreendentes, como mostrarei a seguir.
Segundo informaram os membros do Grupo Charles
Fort (uma associação ufológica vallisoletana
ativa nos anos setenta), J. Macías, C. Blasco e
o padre dominicano A. Felices, às 6:30 da tarde
de 17 de julho de 1975 Emiliano Velasco passava
o trator em seu campo de Pedrosa Del Rey
(Valladolid). De repente, escutou um ruído
estranho. Terminou de arar o sulco, chegou ao
limite da porção, girou o trator e contemplou,
alguns metros em frente, um objeto que flutuava
sobre o terreno emitindo uma forte luz prateada.
“Era como uma lata [de cerveja, por exemplo].
Tinha como uma espécie de chapéu na parte
superior e uns pés em forma de V. Além
disso, uma espécie de cinto al redor do aparato
e em cima duas janelas. Em um lado saíam umas
antenas, como um leque”, foi a descrição que
fez. Suas dimensões eram de 3x3 metros.
O objeto, em seguida, efetuou várias evoluções
rodeando o veículo da testemunha. Eram
movimentos em forma de círculos concêntricos que
sucessivamente encurtavam a separação entre a
insólita máquina e Velasco. Ao largo de meia
hora o agricultor foi deslumbrado em duas
ocasiões por uma “labareda” procedente do objeto
voador, cujas aberturas se iluminavam em
uníssono. Na segunda vez a testemunha
ouviu um potente silvo, que foi acompanhado pela
ruptura de um dos vidros do trator. A até então
agradável contemplação do objeto (“Era bonito
como uma jóia brilhante”, disse a um dos
pesquisadores) transformou-se em terror e o
campesino fugiu com toda a pressa ao povoado. O
OVNI havia se aproximado até três metros do
tratorista.
O vidro do trator, de 20x40 centímetros, estava
fraturado e atravessado por um orifício de 0,6
centímetros, muito menor que o que produziria o
disparo da mais pequena das balas
convencionais.
A partir da observação, os familiares da
testemunha notaram nele uma mudança de caráter;
estava inquieto, preocupado, perdeu o interesse
no trabalho e lhe assustava voltar ao lugar dos
eventos. Da mesma forma, manifestava sintomas de
perda de visão e audição. Tanto que mais adiante
lhe foi concedida baixa por enfermidade.
O epílogo deste caso não poderia ser mais
triste. Sabemos graças ao investigador J.T.
Ramírez y Barberó. Antes um homem são e curtido,
de meia idade, Velasco sofreu graves alterações
em sua saúde: perda de visão e de amplitude
visual, visão dupla, surdez e hemiplegia
esquerda. Três anos depois, Emiliano Velasco
falecia, vítima de uma artrose cervical
complicada com um tumor cerebral progressivo,
segundo diz o atestado de óbito. Sua viúva,
entre soluções, afirmava: “Aquilo o matou”.
O acontecimento foi recentemente analisado pelo
físico valenciano Miguel Guasp[11],
que estima que o quadro de lesões pode ter sido
causado por radiação eletromagnética emitida
pelo OVNI (seja o que quer que fosse): as lesões
oculares por radiações da parte “branda” do
espectro (radiações não-ionizantes como as
microondas), e o tumor cerebral provocado como
um efeito probabilístico da parte “dura” da
radiação eletromagnética (radiações ionizantes
do tipo raios-X e raios gama).
Eventos como os anteriores deixam a porta aberta
à análise exclusivamente científica dos
acontecimentos OVNI. Médicos e físicos têm,
aqui, um amplo campo de investigação aberto.
De fato, todas as disciplinas têm sua aplicação
prática na problemática OVNI. Só se necessita a
decisão pessoal de adentrar-se nesta zona
desconhecida do conhecimento. Dar o passo.
- - -
Sobre
“Expedientes insólitos”
“Há meio século um novo fenômeno apareceu
nos céus da Europa. Em princípios dos anos
setenta, um coletivo de investigadores,
inspirados nos trabalhos de homens como
Donald Keyhoe e Aimé Michel, buscaram uma
solução racional ao mistério. O livro
[Expedientes insólitos] foi escrito,
precisamente, por um investigador dessa
geração, desejoso de submeter os informes
OVNI ao escrutínio da análise científica sem
prejulgar qual poderia ser a resposta final.
Hoje, esse compromisso com a investigação
honrada e objetiva é mais importante que
nunca, porque este campo contaminou-se com
rumores disparatados e teorias efêmeras que
não se baseiam em outra coisa que as
fantasias sensacionalistas de alguns
escritores, amplificadas pelos tablóides e
outra imprensa amarela”
- Jacques
Vallée (excerto do epílogo que acompanha a
publicação)
O livro “Expedientes insólitos: El fenômeno ovni
y los archivos de Defensa” (Editora Temas de
Hoy, Madri, 1995) pode ser adquirido através
da Fundación Anomalia. Veja mais detalhes
em: <http://www.anomalia.org/g009.htm>
[1]
Cuestionario de observación OVNI, CEI
(apartado 282, 08080 Barcelona);
Cuestionarios específicos para
avistamientos de pilotos o detecciones
por radar, V.J. Ballester Olmos
(apartado 12140, 46080 Valencia).
[2]
V.J. Ballester Olmos, Investigación
OVNI, Plaza y Janés, Barcelona,
1984; R.F. Haines, Observing UFOs,
Nelson-Hall, Inc., Chicago, Illinois,
1980; A. Hendry, The UFO Handbook,
Doubleday Inc., Garden City, Nova York,
1979.
[3]
R.E. Fowler (editor), MUFON Field
Investigator’s Manual, MUFON Inc.,
Seguin, Texas, 1983; R.M. Stanway
(editor), UFO Investigation,
BUFORA, Londres, 1979.
[4]
“Del Libro Azul al Proyecto UNICAT”,
Cuadernos de Ufología, Monografía 1,
Santander, 1992.
[5]
J. Bourdon e M. Delaval, UFO/IFO
Comparison: A Descriptive Study of the
Year 1977 in France, UPIAR, Milão,
1990.
[6]
D. Breysse, “La durée des phénomènes
OVNI: aide à la discernibilité”, OVNI
Présence, fevereiro de 1985.
[7]
“OVNI-OVI: sur um certain état de la
question”, Inforespace, dezembro
de 1982 e junho de 1983.
[8]
V.J. Ballester Olmos, “Ecología de los
aterrizajes OVNI”, Cuadernos de
Ufología, 8 de maio de 1990.
[9]
V.J. Ballester Olmos, “Alleged
Experiences Inside UFOs: Na Analysis of
Abduction Reports”, Journal of
Scientific Exploration, vol. 8, 1,
1994, pp. 91-105.
(Reprints desse ensaio
podem ser conseguidos com o autor).
[10]
G. Lore, Strange effects from UFOs,
NICAP, Washington, D.C., 1969; A.
Schneider, Physiologische und
Psycosomatische Wirkungen der Strahlen
Unbekannter Himmelserscheinungen,
Resch Verlag, Innsbruck, 1982; J.F.
Shuessler, “Radiation Sickness Caused by
UFOs”, 1982 MUFON Symposium
Proceedings, W.H. Andrus e D.W>
Stacy (editores), Seguin, Texas, 1982,
pp. 50-64.
[11]
“Efectos radiofísicos presuntamente
vinculados a observaciones de ovnis”,
Cuadernos de Ufología, 13, 1993, pp.
54-65.